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Sunday, 22 July 2007

Hasta la vista Bariloche



Chegou ao fim minha temporada em Bariloche mas o mochilão pela Argentina continua. Vou agora pegar o ônibus de volta para Buenos Aires, sim, 20 horas novamente, mas tudo bem. Chegando em Buenos Aires vou para o aeroporto doméstico chamado Aeroparque Jorge Newbery de onde pego um vôo de duas horas até Mendoza, cidade aos pés do Aconcagua e na divisa com o Chile.
Essa parte da viagem é uma cortesia das Aerolineas Argentinas pois estou usando uma milhas da época que fui para a Austrália com eles. Viajar já é bom, de graça então é melhor ainda.
Essa parte da viagem será dedicada aos vinhos, essa região da Argentina é famosa por seus bons vinhos reconhecidos internacionalmente. Mas depois conto mais sobre isso. Por enquanto é só. Até o próximo post direto de Mendoza.
Hasta la vista!!!!!

Saturday, 21 July 2007

Bariloche - A Neve dos Brasileiros



Novas estações de esqui surgem todos os anos nos Andes. Mas quando o assunto é neve e fondue a preferência nacional continua sendo a pequena cidade a beira do Lago Nahuel Huapi.
Mesmo que você conheça paisagens mais imponentes, é provável que jamais tenha vivido uma sensação de grandeza tão forte como a que se tem do pico do Cerro Catedral, a segunda montanha mais alta de Bariloche. O nome Catedral, que batiza esse monumento natural de 2388 metros de altura, não foi dado por acaso. Ele é inspirado nas catedrais góticas, igrejas hiperbólicas, altíssimas, construídas na idade média para dar ao homem a sensação de que ele é uma ínfima particula de pó diante de Deus. A diferença, porém, entre uma catedral e o Catedral é que, na igreja, o sentido predominante é o de reverência e submissão, e no pico da montanha, com a paisagem aos seus pés, a sensação é de amplitude e liberdade. Nas catedrais góticas, o homem se sente diminuído. No Catedral, ele se sente ilimitado com toda aquela bela vista que se tem do seu topo.
Ali, o mundo que se conhece parece um outro mundo. A frente, na linha do horizonte, a altura dos olhos, não existe horizonte, o que há são nuvens, superiores, soberanas.
Abaixo, bem abaixo, estão montanhas, mas não quaisquer montanhas. Estas formam a majestosa e altíssima Cordilheira dos Andes.
Baixando mais os olhos, encontra-se um lago. Mas não pense que, dada a altura, o lago parece uma piscininha de criança. Ele continua imenso, pois não é um qualquer, é o Nahuel Huapi, onipresente em Bariloche com 554 quilometros quadrados de extensão. Por suas caracteristicas, de maneira natural, visto do topo do Catedral supera as intenções de qualquer catedral gótica.
Seria um lugar perfeito para se isolar e tendo apenas o vento como companhia, pensar e repensar a vida. Seria se não fosse o fato de estar aqui a mais famosa estação de esqui da Argentina e claro dificilmente se consegue ficar sozinho aqui.
A cidade está repleta de restaurantes aconchegantes e cafés. Cenários e paisagens de cinema, facilmente encontraveis em passeios turisticos tradicionais como o Circuito Chico que margeia o Lago Nahuel Huapi. Outro programa delicioso é subir até o Cerro Otto e tomar um café na confeitaria giratória que fica lá em cima, podendo ter uma visao de 360 graus de toda a regiao enquanto se saboreia as tradicionais medialunas Argentinas enquanto as montanhas cobertas de neve vão desfilando do lado de fora, se exibindo para você.
Além de se beber bastante, come-se admiravelmente bem em Bariloche e relativamente barato pelo menos comparando com os preços dos restaurantes de São Paulo.
O ponto alto da culinária de Bariloche está nos doces, mais precisamente nos chocolates. Há de todos os tipos e formatos, negros, brancos, marrons, amarelados, amargos, enjoativos de tão açucarados, decorados, enfeitados, recheados, desenhados, esculpidos, em torrões e por ai afora.
Não só os restaurantes ou as lojas de chocolates mas quase todo o comércio da cidade está confinado a uma única rua, no centro da cidade, a Bartolomeu Mitre, ou simplesmente Mitre, em torno da qual Bariloche gira. Ela começa no Centro Cívico, uma praça com construções rústicas de madeira onde ficam a delegacia de policia, a Secretaria de Apoio ao Turista e o Museu da Patagônia.
É lá que se aprende que muita coisa em Bariloche se chama Moreno em homenagem de Francisco Pascácio Moreno, o primeiro argentino a chegar ao Lago Nahuel Huapi e que no ínicio do século fez um levantamento dos lagos e montanhas de Bariloche.
Minhas considerações finais sobre esta cidade é que todos um dia devem passar por aqui e conhecer este pequeno paraíso. Uma cidade brasileira (sim, o português é o idioma oficial aqui) aos pés das Cordilheiras dos Andes que oferece aos visitantes brasileiros experiências impossiveis de serem vistas ou sentidas dentro de nosso país.

Thursday, 19 July 2007

Bariloche, o inverno que ferve



As praias do Brasil são, ha muito tempo, motivo confesso de dor de cotovelo para os argentinos. Eles descrevem a paisagem brasileira com admiração escancarada, como jamais ousariam falar de nossa seleção. Mas há o revés da moeda. Nao é de hoje que os brasileiros também revelado uma inegavel invejazinha em relação ao nosso maior vizinho do continente. A razão? Bariloche. Ou San Carlos de Bariloche como insistem por aqui.
Como toda dor de cotovelo, esta também tem seu periodo crítico, mais intenso. Acontece todo ano, durante o inverno. Vem sendo assim ao longo dos ultimos anos, passando de pai para filho, como a paixão pelo futebol. Basta flocos de neve comecarem a cobrir as montanhas e os telhados em estilo suiço de Bariloche. Pronto, lá se vão os brasileiros, loucos por um punhado de flocos brancos.  Essa atração tão forte por Bariloche talvez aconteça porque cada vez mais os brasileiros reencontram na cidade a paisagem remota que viu na infancia, estampada nas caixas de lápis de cor e nas embalagens de chocolate. Freud explica. rssss
Invejar uma cidade é a única situacao em que esse sentimento, quase sempre vil, se torna bom. No caso, significa apenas amar o que o lugar tem de radicalmente diferente e querer vivencia-lo por inteiro. Assim fazem os argentinos, que voltam a ser crianças correndo pelas areias de Florianopolis. E assim também fazem os brasileiros em Bariloche, com a neve.
A diversão geralmente começa nos Cerros Otto e Campanário, que envolvem a cidade e vestem-se de branco no inverno. Sao montanhas menores com respectivamente, 1405 e 1050 metros de altura e acabam servindo para quebrar o gelo (hahahaha) antes de encarar os 2140 metros do Cerro Catedral, este sim o principal centro de esqui da região. Tanto no Otto quanto no Campanário, o programa é subir de teleférico. A elevação em si já seria uma alta curtição, mas lá em cima, a diversão aumenta. No Cerro Otto, há um restaurante giratório, que faz a volta completa em cerca de meia hora, permitindo uma vista de 360º enquanto se disfruta de um belo café quente.
As instalações do Cerro Campanário são mais modestas, só que a posição dessa montanha na geografia da cidade é muito mais estratégica. Com uma vista maravilhosa da cidade e do belíssimo lago Nahuel Huapi. Se vier, nao deixe de subir e conferir, mas venha agasalhado, pois a temperatura pode cair a -18 graus como aconteceu comigo hoje e o vento aumenta a sensacão de frio.
Vendo do alto, você perceberá que Bariloche, apesar de uma tradição turistica permanece uma cidade pequena embora muito graciosa. Notará também que ela está encravada entre as montanhas que anunciam a cordilheira dos Andes. O mais impressionante porém é a composicao desses picos com os lagos que se formam ao pé de cada um deles. As montanhas avançam em algum ponto, como se pretendessem dominar o cenário. Um pouco mais adiante, contudo, cedem espaço para o sinuoso recorte de lagos. Essa convivência harmoniosa desenha toda a paisagem.
O que posso afirmar é que estando aqui vendo tudo ao vivo é ainda mais bonito do que os cenários alpinos das caixas de lápis de cor.

Tuesday, 17 July 2007

20 horas num ônibus entre Buenos Aires e Bariloche


Deixei Buenos Aires as 14:00hs de segunda-feira (16/07/2007) num ônibus da empresa ViaBariloche. O ônibus é muito confortavel, com direito a servico de bordo, balas, música, travesseiro e cobertor. Nao conheco uma palavra em português para esses comissários de ônibus, mas aqui eles os chamam de rodomozo(a).

Estou espantado com o bom serviço da empresa rodaviária, são 15:00hs e um café bem quente foi servido. Eu que nem gosto tanto assim de café acabei por aceitar para esquentar. Colocaram um filme para nos entreter, "Deja Vu", o ônibus oferece fones de ouvido individuais com dois canais de som, um para o filme e outro com rádio. Até agora tudo perfeito.

São 17:30hs, depois de um cochilo acordo com o rodomozo servindo um lanche. Ainda estamos na região dos pampas argentinos. A paisagem vista pela janela do ônibus é belissima. Uma planicie que se perde de vista com uma vegetação rasteira. Lindas fazendas também fazem parte da paisagem com criações de gado bovino e ovelhas. Agora depois do lanche mais um filme "The Cleaner".

Agora são 20:00hs. A noite definitivamente caiu. Uma noite bem fria por sinal mas estou bem aquecido aqui no ônibus. Colocaram um outro filme com explicações das atrações desta região da Argentina, em seguida um video institucional da empresa de ônibus e agora um video com uma sequência de video-clips musicais onde o titulo do DVD é "Baladitas Del Corazon" :-)

Eles realmente tentam de tudo para que os passageiros nao sintam as 20 horas de viagem entre Buenos Aires e Bariloche.

Agora são 21:00hs. Hora do jantar. Sim! Jantar! Com direito a uma salada como entrada, em seguida um prato quente (frango)  acompanhado de uma taça de vinho argentino, claro, e como sobremesa mousse de chocolate. Acho que a escolha desse trecho da viagem via terrestre foi uma decisão acertada e uma pechincha.

São 22:00hs. O rodomozo :-) fechou todas as cortinas do ônibus, apagou todas as luzes e dalhe mais um filme, uma produção Argentina desta vez, "Una Estela e Dos Cafes".

Sao 23:30hs. Fim do filme (muito bom por sinal) e agora eles se superaram. Os passageiros podiam escolher entre whisk e champagne para finalizar a noite. Definitivamente as empresas de ônibus brasileiras deveriam conhecer as empresas argentinas. Nunca vi nada parecido no Brasil.

Pelo caminho esporadicamente passamos por alguma pequena cidade argentina. Sinto uma sensação de liberdade muito grande, sozinho num ônibus, cruzando a Argentina, o estilo de vida que definitivamente me atrai.

Estou conhecendo um pouco mais da América do Sul, nós brasileiros costumamos renegar nossas origens latinas e exaltar tudo o que é europeu ou americano. Isto é uma pena pois deixamos de conhecer coisas maravilhosas que estao próximas da gente.

São 08:00hs da manhã. Café da manha servido. Ao amanhecer a paisagem havia mudado completamente. Ficaram para trás as planicies argentinas para dar lugar a uma região montanhosa, com predominância do branco da neve. Uma das paisagens mais belas que já vi.

São 09:30hs da manhã e acabo de chegar a Bariloche. O frio é de congelar mas a beleza da cidade me aquece e faz esquecer o frio.

A cidade fica entre várias montanhas cobertas de neve dando um clima de Suiça ao lugar.

Definitivamente a Argetina me surpreende a cada momento.