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Saturday, 18 July 2009

São Petersburgo

Ermitage - São Petersburgo - Rússia

 

Romântica como Veneza e elegante como Paris, assim é São Petersburgo, a mais bela cidade Russa.

 

É verão e o sol brilha com intensidade em São Petersburgo. Devagar, um pequeno barco desliza pelo labirinto de canais levando um casal de namorados. É verdade que os olhos de ambos brilham muito, embora não se saiba se este é aquele brilho abobalhado comum a todos os enamorados ou se é produto do encanto com a beleza desta cidade. Margeando os canais, estão as casas simples, mas também construções grandiosas, museus, teatros, palácios, torres e igrejas. Ao sabor das águas, vêem-se ainda pontes, parques, estátuas, praças, isso sem contar os restaurantes e cafés. Com essa descrição, tudo leva a crer que na próxima curva o casal descerá na Piazza de San Marco. Poderia até ser, não fosse o fato de que as águas que sustentam o barco não são as salgadas do Mar Adriático e sim as doces do Rio Neva. Aqui não é Veneza, na Itália, e sim São Petersburgo, em plena Rússia, também conhecida como a Veneza do Norte.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Como todo apelido, esse representa apenas uma parte, não o todo do conjunto. São Petersburgo, segunda cidade russa em importância econômica e cultural, situada não muito longe da Finlândia e a uma hora de vôo de Moscou ou 8 horas de trem, vai muito além da poesia de seus canais.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Tudo em São Petersburgo respira arte, principalmente as 3 milhões de obras do Hermitage, o segundo museu do mundo, à frente do Metropolitan de Nova York e atrás somente do Louvre, em Paris. Distribuídos em cinco edifícios e 350 salas, estão pinturas, esculturas e objetos de todas as culturas e civilizações, da idade da Pedra à semana passada.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Embora os czares sejam hoje uma espécie tão extinta quanto os dinossauros, a vocação para a arte continua viva e saudável em São Petersburgo. Com treze teatros, a cidade tem uma agenda movimentada de peças, concertos e balés. Mas, como o número de teatros é limitado e os talentos são muitos, praticamente em cada esquina, nas estações de metrô ou perto dos mercados, há exímios violinistas executando sonatas em troca de moedas e pintores tentando reproduzir o entardecer nas águas do Neva ou a profusão de cores dos jardins no verão, cena comum de ver, por exemplo, no Palácio de Pedro, o Grande. Mesmo que somente essas atrações mais do que justifiquem a viagem para lá, o fato é que muitos consideram que, mais do que as exposições dos museus, os acordes dos músicos ou as coreografias dos balés, as mais vistosas jóias da coroa de São Petersburgo são as suas igrejas, que existem às dezenas, uma mais bela do que a outra.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Tudo começou com Pedro, que escolheu um lugar estratégico, expulsou os inimigos e construiu ali uma fortaleza. Contratou os melhores urbanistas e arquitetos disponíveis e trouxe milhares de trabalhadores das regiões mais distantes. Eles limparam os terrenos, drenaram os pântanos, construíram ruas, edifícios, canais, portos, aterros e represas, a grande custo financeiro e humano. Pedro transferiu a capital para esse lugar, moveu os órgãos públicos, obrigou a nobreza a edificar palácios e fundou uma academia de ciências.
Proibiu construções semelhantes no resto do país. Fez tudo por decreto, porque podia. Com tempo e perseverança, essa cidade cresceu, tornou-se economicamente importante, reuniu belezas arquitetônicas e museus grandiosos. Atraiu estudantes, intelectuais e artistas e tornou-se palco de transformações políticas que abalaram o resto do mundo. Depois caiu no esquecimento, resistiu bravamente aos invasores até ser redescoberta como uma das mais belas cidades do mundo. Em 300 anos de vida passou por três regimes e teve muitos nomes, o primeiro igual ao último, São Petersburgo. Embora pareça ter saído da imaginação de algum escritor de fábulas, a história da cidade criada pelo czar Pedro, o Grande, dispensa fantasia. Os dramas e as belezas da cidade podem ser comprovados e sentidos à primeira vista.

 
A identidade da cidade deve muito à sua origem, que deu as costas para uma Rússia secular e colocou os olhos em direção ao Ocidente das novas oportunidades. Até mesmo o último czar, Nicolau II, fez questão de lembrar: "São Petersburgo é na Rússia, mas não é russa".
São Petersburgo foi desenhada com a racionalidade da geometria num plano de ruas retas e num sistema de canais e ilhas. Grandes perspectivas se abriram, ressaltando a horizontalidade geográfica. Os enormes palácios parecem pequenos diante do gigantismo visual que a cidade proporciona.
Artificialidade e originalidade sempre estiveram juntas por lá. Os esplêndidos edifícios da nova capital, o traçado das ruas e a vida social foram importados da Europa, mas a literatura, a música e os eventos políticos que a cidade gerou são difíceis de imaginar em outro lugar.
Essa modernização imposta de cima para baixo criou um ambiente único de tensão social e riqueza intelectual. Foi lá que Púchkin, Dostoiévski e Gógol escreveram. Lá, Tchaikovsky, Stravinsky e Shostakovich compuseram.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Hoje, a cidade tira proveito de sua riqueza histórica e cultural. Viajantes do mundo todo vêm apreciar as obras do museu Hermitage, assistir aos espetáculos de balé ou cair na vida noturna.
Enquanto isso, a população revela a vocação cosmopolita de São Petersburgo, tratando os visitantes com naturalidade. São Petersburgo vai além da Rússia e é muito mais do que o parque temático que muitas cidades da Europa se tornaram.
A cidade utópica, inventada e reinventada em tão pouco tempo, revela aquilo que o ser humano tem de pior e de melhor.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Mas São Petersburgo floresceu em grande velocidade. Cientistas, engenheiros, teóricos e economistas foram incentivados a viver por lá. Em cem anos, a cidade já era maior que Moscou e se tornou o símbolo de uma nova Rússia.
Durante o reinado de Catarina, a Grande, a cidade foi ampliada e embelezada. Severos planos urbanísticos foram impostos, as fachadas deveriam ter padrão europeu e proporção harmônica com as ruas. Foram construídos o palácio de Inverno, hoje museu Hermitage, e o monumento a Pedro, o Grande, dois marcos.
Mas a grande ironia da história da cidade ainda viria. Ao abrir a janela para o Ocidente, o czar trouxe também as idéias liberais e de modernização que não condiziam com o regime autoritário da própria Rússia. Em 1814, os soldados que empurraram Napoleão de volta à França tiveram contato com as aristocracias, os parlamentos e as monarquias constitucionais da Europa ocidental.
Em meados do século 19, entre os cafés e as vitrines da avenida Névski começaram a circular as primeiras idéias vindas do oeste. Diversas manifestações por reformas constitucionais foram esmagadas pelo regime autoritário dos czares.
Não tardou muito para a situação ficar insustentável. Em 9 de janeiro de 1905, o "domingo sangrento", 150 mil grevistas e operários foram à praça do Palácio pedir melhorias e foram recebidos a bala pelos soldados de Nicolau 2º.
A Primeira Guerra Mundial trouxe ainda mais dificuldade. No meio da turbulência, Nicolau mudou o nome da cidade para Petrogrado, termo mais eslavo, num ato simbólico para conter a ocidentalização. Mas era tarde demais.
Após a abdicação do czar, entre os diversos grupos que disputavam o poder, os bolcheviques saíram vitoriosos. Em abril de 1917, vindo do exílio, Lênin desembarcava na estação Finlândia para mudar o rumo da história.
A exposição aos inimigos fez o novo governo mover a capital de volta para Moscou, e a cidade entrou em declínio.

 

Catedral do Sangue Derramado - São Petersburgo - Rússia

 

Depois que a Revolução Comunista de 1917 que decretou que a religião era o ópio do povo e que os operários do regime foram proibidos de gastar tempo com esse tipo de culto, a maioria das grandes catedrais, como a de São Nicolau, com suas torres azuis, ou a de Santo Isaac, com sua grande cúpula dourada, foi transformada em museus. Na Avenida Nievsky Prospect, a principal da cidade, cheia de lojas, galerias, cafés e restaurantes, fica uma das igrejas mais visitadas, a Catedral Kazan. Outro esplêndido exemplar está no interior das muralhas vermelhas da Fortaleza de São Pedro e São Paulo, que abrigam a igreja do século 18 onde estão os restos mortais da maioria dos czares russos. A mais espetacular de todas elas, no entanto, é a Catedral da Ressurreição de Cristo, que tem torres com mosaicos multicoloridos, no melhor estilo ortodoxo russo. Ela também é conhecida como a Catedral do Sangue Derramado, pois foi ali que, em 1870, o czar Alexandre II foi assassinado. Para que sua morte não fosse esquecida, levantou-se a catedral no exato local do crime.

 

Fortaleza de São Pedro e São Paulo - São Petersburgo - Rússia

 

Esse episódio violento, no entanto, está longe de ser um fato isolado na cidade fundada em 27 de maio de 1703 por Pedro I Alexeievitch, mais conhecido por Pedro, o Grande, o imperador que reformou a administração da Rússia e incentivou as artes e o comércio. Houve um tempo em que São Petersburgo, pelo menos sob a ótica de quem estava do outro lado do balcão, era considerada uma das cidades mais encrenqueiras do planeta. Em 1812, encheu a paciência de Napoleão ao resistir ao avanço de suas tropas. Na Segunda Guerra Mundial, durante dois anos, não se deixou tomar de jeito nenhum pelos alemães. Tanta bravura, porém, custou caro aos russos, mais de 500 mil pessoas morreram no famoso Cerco de Leningrado (como esse episódio passou para a História) e os sobreviventes tinham de se virar com uma ração diária de 120 gramas de pão.

 

São Petersburgo - Rússia

 

No começo deste século, foi palco do Domingo Vermelho, a célebre manifestação que pedia reformas ao czar e acabou recebendo apenas pancada e muito chumbo. São Petersburgo também foi berço da Revolução de Outubro de 1917, que inaugurou oficialmente o comunismo na Rússia, numa noite de outubro, depois de um canhonaço disparado pelo cruzador Aurora, os revoltosos invadiram o Palácio de Inverno e encerraram a dinastia dos czares. O próprio nome da cidade acabou entrando na dança de cadeiras comandada pelas contendas políticas e pelas batalhas ideológicas. Em agosto de 1914, durante a guerra contra a Alemanha. São Petersburgo foi rebatizada para Petrogrado, ou a Cidade de Pedro em russo. A razão disso é que o final "burgo" soava germânico demais para os ouvidos cossacos. Em 1924, depois da morte de Lenin, passou a se chamar Leningrado em homenagem ao líder. Só há poucos anos que a cidade voltou a se chamar São Petersurgo.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Como nos demais lugares que viviam sufocados sob o peso da cortina de ferro, a abertura injetou vida nova nas ruas. Cada vez mais, a cidade está cheia de turistas descobrindo recantos românticos ou frequentando cafés charmosos que servem o clássico caviar com vodca por módicos 200 rublos.

 

São Petersburgo - Rússia

 

Impensável alguns anos atrás, os corredores dos museus estão cheios de garotos de cabelos mais pintados do que uma tela de Kandisnki. Palácios, como o Belosselsky, às vezes ficam mais animados do que no tempo dos bailes do império. Os teatros, por sua vez, reservam filas inteiras para excursões de turistas. Os parques e as praças viraram um desfile a céu aberto de gente de todas as nacionalidades que circula entre os músicos e pintores. Mais do que os barcos e os canais, a maior semelhança entre São Petersburgo e Veneza acaba sendo aquele algo indefinível no ar que serve de inspiração aos poetas, esses seres que vivem do incomum, do implausível e do mágico.

Museu Ermitage

Fachada do Ermitage

 

O maior museu da Rússia tem um nome francês, Ermitage. Mas essa é apenas a primeira surpresa que todo mundo tem quando chega ao Ermitage, às portas do mais belo prédio, da mais bela cidade da Rússia, São Petersburgo. A segunda surpresa é descobrir que dentro dele estão não apenas algumas das mais valiosas coleções russas como, também, da própria história da arte no mundo. E a terceira surpresa é constatar que, embora infinitamente menos famoso que seus congêneres americanos e europeus, o Ermitage rivaliza com todos eles quando a questão é a riqueza de suas obras.

 

Interior do Museu Ermitage

 

Considerado um dos cinco mais valiosos museus do mundo, ao lado de templos sagrados como o Metropolitan de Nova York, o British Museum, de Londres, o Prado, de Madri, e o próprio Louvre, de Paris, o Ermitage impressiona justamente porque, nele, ao contrário de todos os outros, os visitantes menos avisados não esperariam encontrar grandes obras, além de uma ou outra peça de ouro da extinta família imperial russa. Neste caso, seria o próprio prédio, uma belíssima construção do século 18, a principal atração do museu, certo? Completamente errado.

 

Pintura exposta no Ermitage

 

O complexo de edifícios que dá forma ao Ermitage (são quatro prédios, um emendado no outro, a partir do antigo Palácio de inverno dos czares russos) é, de fato, espetacular, sem dúvida, uma das fachadas mais bonitas da Europa, e para completar a beleza fica às margens do Rio Neva. Mas daí a dizer que quem o viu por fora já conhece o que tem por dentro é o mesmo que se dar por satisfeito apenas em olhar a reprodução de um quadro e não a sua pintura original. O exemplo é adequado, até porque são justamente as pinturas famosas de artistas de renome a parte mais valiosa do rico acervo do Ermitage.

 

Pintura exposta no Ermitage

 

Tudo começou em 1764, quando o czar Pedro, O Grande, resolveu comprar um lote de 225 pinturas holandesas e belgas para sua nova residência de inverno em São Petersburgo, então sede do império Russo. Sua sucessora, Catarina, também conhecida como A Grande, se apegou à novidade e passou a comprar compulsivamente quadros por toda a Europa, ora arrematando todos os lotes de um único leilão, ora encomendando as próprias telas aos seus pintores favoritos.
Fazia isso muito mais por vaidade pessoal do que propriamente por amor à arte. De tal forma que só ela e seus convidados muito especiais tinham acesso às telas. Com isso, a residência oficial acabou se transformando numa espécie de museu particular, um impressionante acervo privado de grandes mestres, que a imperatriz se orgulhava de ter cativo só para si.

 

Interior do Museu Ermitage

 

Vem daí, aliás, o nome do próprio museu, "ermitage", em francês, como a nobreza russa preferia se expressar no século 18, significa retiro, exatamente como Catarina queria que fosse o seu palácio, ainda que ricamente decorado com telas fenomenais.
À tradição, juntou-se sua sucessora, Catarina II, que além de continuar comprando e encomendando telas, tratou de ampliar o palácio, agregando ao edifício original outros mais. O resultado é o atual Ermitage, um estupendo complexo de longos corredores e 353 salas, que já soma mais de 3 milhões de objetos raros.

 

Pintura exposta no Ermitage

 

Só os grandes mestres franceses ocupam nada menos que cinquenta salões decorados com pisos de mármore e muitos dourados. Nada mau para o que começou como uma mera decoração de casa de férias.
O acervo do museu só não é ainda maior por causa dos saques que ele sofreu ao longo de sua história. Em 1917, quando a Revolução Bolchevique depôs os czares, implantou o comunismo e levou a capital para Moscou, deixando São Petersburgo (que depois viraria Leningrado, antes de voltar a se chamar novamente São Petersburgo), praticamente todos os bens do museu foram confiscados e removidos para um depósito nos porões do Kremlin em Moscou. Nem todos, porém, retornaram. Anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial, o museu foi novamente evacuado e boa parte de seu acervo estocado em vagões de trens, na tentativa de escapar ao cerco alemão.

 

Pintura exposta no Ermitage

 

Novamente, muita coisa se perdeu. Por fim, algumas obras foram simplesmente vendidas a preço de banana pelos antigos líderes comunistas. Uma dessas molezas foi a que conseguiu o ex-ministro das finanças dos Estados Unidos. Andrew Mellon, que, décadas atrás, por 7 milhões de dólares (uma pechincha) comprou de uma só vez 21 quadros do acervo do Ermitage. Dadas de presente ao governo americano, as telas hoje ilustram as paredes da Galeria Nacional de Arte, de Washington.
E este não foi o único caso de migração de peças artísticas do Ermitage para outros museus, embora no nem sempre lícito mercado de peças de arte o contrabando seja uma prática relativamente frequente. O próprio Ermitage já foi várias vezes acusado de dilapidar o acervo alheio em benefício do seu próprio. Em 1865, os italianos quase foram à briga com os russos por causa de um quadro, o Madonna e Criança, de Leonardo da Vinci, que suspeitamente migrou de Milão para os salões de São Petersburgo. Até hoje discute-se a quem, de fato pertencem as obras saqueadas em outros países pelos alemães durante a Guerra e deixadas na Rússia quando tudo terminou, se aos alemães, que as tomaram, ou aos russos, que delas se apropriaram.

 

Pintura exposta no Ermitage

 

Entre outras, são telas de Raphael, Van Dyck, Rembrandt, Picasso, Gauguin e Leonardo Da Vinci (o meu pintor favorito) e muito, muito mais, todas impressionantemente autênticas e, o que mais chama a atenção, ao alcance de dedos profanos. Não que seja permitido mexer, tocar, raspar as telas com as unhas. Não, claro que não. Zelosas senhoras, uma por sala, estão ali justamente para coibir os abusos. Mesmo assim, ao contrário dos outros grandes museus do mundo, o Ermitage permite uma aproximação maior dos visitantes com as obras expostas. Não há redomas de vidro, cordões de isolamento, essas coisas que tanto irritam quem quer ver os detalhes e, por causa da distância, só consegue ver o todo, e quando muito. Ali, não. Pode-se até mesmo fotografar as obras, já que o museu cobra uma taxa para quem quiser fotografar seu interior.

 

Pintura exposta no Ermitage

 

Por isso, como olhar não gasta, aproxime-se e olhe bastante. Veja as camadas de tinta, as microrrachaduras do tempo, as pinceladas, a textura, enfim. Depois, preste atenção às explicações do guia, porque se aventurar num museu tão interessante quanto este sem alguém para lhe contar os detalhes é perder metade da festa. Como o Ermitage é carente de textos explicativos (e a maioria dos que existem é em russo), só mesmo com um guia você ficará sabendo que, por exemplo, naquele simples banquinho de madeira está a origem da própria palavra "banco" (pois o seu inventor criou um fundo falso e nele guardava o dinheiro, sobre o qual se sentava). Ou então que, para definir o segredo de uma escultura sua, como o célebre "Menino Agachado", o mestre Michelangelo usava uma explicação brilhantemente simples, "Esculpir é fácil", dizia. "Basta pegar um bloco de pedra e ir jogando fora os excessos.

 

Hermitage

 

Como o Ermitage é também rico em histórias como essas, reserve um bom tempo para ele quando visitar São Petersburgo. Atrativos não vão faltar e seria um pecado ir a São Petersburgo e não visitar o Ermitage.

Friday, 17 July 2009

Peterhof

Peterhof

 

Peterhof, que em alemão significa "Jardim de Pedro”, é um conjunto de palácios e jardins, criados sob as ordens de Pedro, o Grande, e por vezes chamado de "Versailles Russo". Fica situado nas proximidades de uma cidade de com o mesmo nome, a cerca de trinta quilómetros de São Petersburgo, com vista para o Golfo da Finlândia, um braço do Mar Báltico. Assim como todo o Centro Histórico de São Petersburgo, o palácio de Peterhof faz parte do Património Mundial da UNESCO.
Conhecida por ter servido de habitação ao fundador da cidade, o Czar Pedro, O Grande, foi erguida entre os anos de 1714 e 1725. No entanto, o monarca já planejava construir este magnífico edifício desde 1705, dois anos depois da fundação de São Petersburgo
A maior e mais bonita fonte de todo o parque, A Grande Cascata, prolonga-se por um grande canal, o Canal do Mar, até o Mar Báltico. Ao longo dos vários hectares de parque, Peterhof tem mais de cento e vinte fontes, todas elas de grande beleza e imponência. Todo o conjunto merece uma visita atenta, tanto pelo luxo dos interiores como pela magnificência do parque.

 

Peterhof

 

No dia 27 de Junho de 1709, deu-se a Batalha de Poltava, na qual Pedro, o Grande conseguiu repelir as tropas do Rei Carlos XII da Suécia, o que lhe permitiu assumir de novo ao Golfo da Finlândia, controlando este importante golfo. Estes territórios, considerados pelos russos como a porta do Ocidente, eram uma premissa essencial para garantir o desenvolvimento económico do país. A Batalha de Poltava merecia, por isso, ser dignamente celebrada, e a melhor forma de fazê-lo seria através da construção de uma sumtuosa residência que fosse capaz de rivalizar com os mais faustosos palácios dos soberanos Ocidentais e, ao mesmo tempo, constituisse um símbolo do seu poder autocrático. Contudo, foi necessário esperar até 1714 para que, consolidadas as posições russas no Mar Báltico com a Batalha Naval de Hanögudde, as obras pudessem ser iniciadas, num local junto ao mar e à fortaleza marítima de Kronstadt, onde Pedro, o Grande, se instalava, desde 1705, durante as suas permanências em São Petersburgo.
As primeiras menções de Pedro, o Grande a Peterhof encontram-se no seu diário, com data de 1705, durante a Grande Guerra do Norte, referindo-se a ele como um bom local de construção de um pouso para usar nas viagens de e para a fortaleza insular de Kronstadt. Em 1714, Pedro começou a construção, no que viria a ser o parque de Peterhof, do palácio de Monplaisir (meu prazer), baseado nos seus próprios esboços. Este foi o Palácio de Verão que Pedro usaria nas suas viagens entre a Europa e o porto marítimo de Kronstadt. Nas paredes deste seu palácio encontram-se suspensas centenas de pinturas que Pedro trouxe da Europa, e que resistiram aos frios Invernos russos, juntamente com a humidade própria da proximidade do mar. Na esquina de Monplaisir virada ao mar, Pedro instalou o seu Estúdio Marítimo, do qual podia ver a Ilha de Kronstadt para a esquerda e São Petersburgo para a direita. Mais tarde, ampliou os seus planos, incluindo um vasto conjunto de palácios e jardins, seguindo o modelo do Palácio de Versailles. Os palácios e jardins foram aumentados por cada um dos Czares que sucederam a Pedro, mas a maior parte das contribuições foram concluidas por Pedro, o Grande.

 

Peterhof

 


Peterhof, originalmente, tinha uma aparência bastante diferente da actual. Muitas das fontes ainda não haviam sido instaladas. Nem o Parque de Alexandre, nem os Jardins Superiores existiam que eram usados para o cultivo de vegetais e os seus tanques como viveiros de peixe. A Fonte de Sansão e o seu maciço pedestal ainda não fôra instalado no Canal Marítimo e o próprio canal era usado como uma grande marina que entrava pelo complexo. Do mesmo modo, a Grande Cascata estava mais esparsamente decorada na sua traça original.
Isabel da Rússia, a filha e sucessora de Pedro, o Grande, também se instalou em Peterhof, onde encarregou o arquitecto italiano Bartolomeo Rastrelli de proceder a várias obras de ampliação, sendo as mais notáveis as empreendidas no Bolsoi Palaty (Grande Palácio), em resposta ao desejo de Isabel por um palácio mais adequado às exigências de representação da Corte. Depois de concluidas as obras, o palácio estava apto para acolher a Imperatriz Isabel, os hóspedes das suas memoráveis festas e os intelectuais do seu salão, como o historiador Tatiscev, o poeta Kantemir, ou o escritor e cientista Lomonosov, o fundador da Universidade de Moscou.
Outra das Imperatrizes da Rússia a passar por Peterhof foi Catarina II, cujas festas, espectáculos pirotécnicos, conversas eruditas com a nata da inteligencia europeia, além do já conhecido desfile de amantes, alegraram a sua permanência no palácio. O espirito iluminado do seu reinado reflecte-se no equilíbrio interior das salas mais tardias do palácio, datadas da segunda metade do século XVIII, segundo austeros e imponentes cânones Neoclássicos, executados por G. Veldten, discípulo de Rastrelli.
Ao longo do século XIX Peterhof continuou a ser residência Imperial, tendo assistido à construção do Neogótico Parque de Alexandria, onde se ergue o pavilhão de Nicolau I e uma capela mandada construir por ele. Neste século foram ainda ampliadas fontes já existentes e construidas outras.

 

Peterhof

 


Já no século XX Peterhof sofreu gravíssimos danos, que pareciam irreparáveis, durante a Segunda Guerra Mundial. Quando se iniciou o conflito houve uma tentativa de evacuar as obras de arte e enterrar as esculturas. Nos poucos meses que mediaram entre o despoletar da guerra a oeste e a chegada do exército alemão, os empregados conseguiram salvar apenas uma parte dos tesouros do palácio e fontes. Foi feita uma tentativa de desmantelar e enterrar as esculturas das fontes, mas muitas delas, incluindo todas as maiores, permaneceram no lugar. Apesar de todos os esforços, nada impediu que as tropas nazis se instalassem em Peterhof, tal como em Tsarskoye Selo, em Setembro de 1941, onde permaneceram até Janeiro de 1944 e de onde prepararam o longo cerco a Leningrado (antigo nome de São Petersburgo). As forças ocupantes do exército alemão provocaram grandes destruições, especialmente depois do fim do cerco a Leningrado, foram derrubadas árvores centenárias nos dois parques, o Grande Palácio foi pilhado e incendiado. A Grande Cascata foi pelos ares, os Pavilhões de Marly, Monplaisir e Ermitage ficaram semidestruídos, fontes e cascatas quase desapareceram, e as esculturas que sobreviveram foram levadas para a Alemanha. Na realidade, foi muito pouco o que restou. Felizmente, pouco depois do fim da guerra foi iniciado um minucioso programa de restauro que conseguiu restituir ao conjunto o seu aspecto primitivo.
Em 1944, o nome foi mudado para Petrodvorets (Palácio de Pedro), como resultado do sentimento anti-germânico e por motivos de propaganda, mas o nome original acabou por ser reposto em 1997, pelo governo da Rússia pós-soviética.

 

Peterhof

 


Também Catarina II deixou importantes marcas no interior do palácio. Entre as salas realizadas por G. Veldten, encontram-se, a fria Sala do Trono, presidida por um retrato equestre da própria Czarina, o Salão Branco, destinado às refeições de gala, e a Sala de Chesma, dedicada à vitória da frota russa sobre os turcos na Batalha de Chesma. Outras salas a merecer destaque são o Salão das Perdizes, a Sala dos Retratos e os exóticos Gabinetes Chineses.
A sala de Chesma está decorada com doze grandes pinturas sobre a batalha do mesmo nome, uma retumbante vitória naval da Guerra Russo-Turca, (1768-1774). Estes quadros foram pintados entre 1771 e 1773 pelo artista alemão Jacob Philipp Hackert. As suas primeiras interpretações das grandes cenas da batalha foram criticadas por testemunhas, por não mostrarem, de uma forma realista, o efeito das explosões dos navios, as madeiras voadoras, grandes chamas, fumaça e bolas de fogo. Catarina II assistiu o artista, ao fazer explodir uma fragata no porto de Livorno, Itália, para benefício de Hackert, que nunca assistira a uma batalha naval. Hackert também não investigou as posições reais das forças russas e turcas durante a batalha e, por esse motivo, as cenas representadas são um tanto fantasiosas, embora transmitam, efectivamente, o drama e a destruição de uma batalha naval.
Os Gabinetes Chineses foram decorados entre 1766 e 1769 para exibirem objectos de artes decorativas, importados do Oriente. As paredes foram decoradas com imitações de padrões Orientais, feitos pelos artesãos russos, e por pinturas suspensas representando paisagens chinesas.
Outra sala, localizada no centro do palácio, recebe o nome de Sala dos Retratos. As suas paredes estão quase totalmente cobertas por uma série de 368 retratos, a maior parte de mulheres vestidas de forma diversa, diferindo na aparência e mesmo na idade, e a maioria deles com um único modelo. Estes foram comprados, em 1764, à viúva do artista italiano P. Rotari, que morreu em São Petersburgo.

 

Peterhof

 


Hoje em dia Peterhof encontra-se facilmente acessível por mar, existem barcos que partem de São Petersburgo, o cais fica bem atrás do Museu Ermitage, os barcos passam o Rio Neva e a costa do Golfo da Finlândia, e param na entrada do Canal Marítimo. O palácio tembém tem fácil acesso por estrada. Os transportes públicos possuem viagens regulares a partir de São Petersburgo.
Os Jardins Superiores têm acesso livre, mas a entrada para os Jardins Inferiores requer a compra de bilhetes. Tal como muitas outras atrações turísticas na Rússia, os bilhetes para os cidadãos russos são extremamente mais baratos do que os preços cobrados aos visitantes estrangeiros.

 

Peterhof

 

Sem dúvida um lugar que deve ser visitado caso vá a São Petersburgo.

Thursday, 9 July 2009

Um pouquinho de São Petersburgo

Ando sem palavras para descrever São Petersburgo, linda seria pouco demais para descrever esta cidade. Por enquanto deixo este vídeo que encontrei no YouTube com images da bela São Petersburgo.

Assim que retornar a Lisboa eu trato de escrever minhas impressões desta cidade Russa e de colocar algumas fotos aqui.

 

São Petersburgo