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Wednesday, 5 June 2013

Sofia – A segunda impressão é a que fica

Sofia - Bulgária

Depois da minha chegada conturbada a Sofia, resolvi que era melhor deixar o incidente para trás, tratar de conhecer a cidade e aproveitar o meu 26º país visitado. A primeira dica que posso dar é para não deixarem de participar do passeio a pé pela cidade organizado pelo Free Sofia Tour. Os passeios acontecem 2 vezes por dia, às 11 da manhã e às 6 da tarde. Este passeio é considerado pelo site Tripadvisor como uma das melhores atrações de Sofia e o mesmo é aprovado pelo serviço de turismo da Câmara Municipal de Sofia. O tour é organizado por guias de uma organização sem fins lucrativos, sendo sem sombra de dúvida uma maneira educativa e divertida de ter uma primeira introdução da cidade e seus milhares de anos de história.

Sofia - Bulgária

Sofia é de longe uma das capitais europeias mais compactas, facilitando que seja conhecida a pé, embora seja uma das capitais menos conhecidas pelos viajantes, o que é uma pena, pois estão sem dúvida a perder algo bastante especial. Sofia possui uma dinâmica jovem, é uma cidade vibrante, apesar de pequena, é como se estivesse a muito tempo adormecida no seu torpor e que de repente resolveu acordar para ocupar o seu espaço como mais uma confiante e cosmopolita capital europeia.

Sofia - Bulgária

O sentimento de ocidentalização é sentido mas fica dispersado entre igrejas ortodoxas, mesquitas otomanas e monumentos do exército vermelho ao melhor estilo soviético, mas nos dias de hoje eles partilham o skyline com shopping centers, hotéis de 5 estrelas e os melhores bares, restaurantes e discotecas que o país pode oferecer.

Hambara

Um bar a não perder é o Hambara, muito pouco conhecido entre os visitantes, este bar é um segredo muito bem guardado dos locais. Se houvesse uma eleição do lugar mais escondido da cidade, este bar sem dúvida seria o vencedor. Para entrar no bar é preciso tocar uma campainha, a porta abre-se, lá dentro o ambiente é totalmente escuro, iluminado somente por algumas centenas de castiçais de velas, o ambiente não poderia ser mais acolhedor, apesar da aparência velha e desleixada. No passado o bar foi um reduto de intelectuais e só poderia por lá os pés se conhecesse as pessoas certas. A porta estava sempre trancada, independente de quão forte você batesse nela, esta só abria se você soubesse as palavras corretas. Durante a transição do comunismo o lugar foi aberto ao público mas mesmo hoje em dia o dono se recusa a criar um site na internet para promover o lugar. Conheci este lugar através de um novo amigo que havia recentemente feito em Sofia e posso dizer que o lugar é definitivamente digno de uma visita.

Sofia - Bulgária

Mas continuamos, desse modo, embora não seja grande, Sofia não deixa de ser uma cidade interessante de ser conhecida, historicamente e culturalmente falando há muito para manter os visitantes ocupados por alguns dias. Museus, galerias de arte, teatros, restaurantes conceituados, estão todos lá. A cidade é especialmente barata para uma capital europeia. Sofia é ainda surpreendentemente verde, há muitos parques e uma estação de ski e trilhos para caminhadas aos seus pés no monte Vitosha.

Sofia - Bulgária

A cidade desenvolveu-se muito nos últimos anos mas apesar do elevado número de boutiques e hotéis conceituados que abriram nos últimos tempos ainda é uma cidade cheia de diferenças sociais, longe da Europa que estamos acostumados a ver. Há pessoas a pedir nas ruas, e as estatísticas indicam que a Bulgária é um dos países mais pobres da União Europeia, o salário médio por lá não ultrapassa os 350€ e há um grande caminho pela frente para alcançar o nível de desenvolvimento de outras capitais europeias. Apesar disso seu povo possui muita esperança no futuro e esperam que Sofia seja em breve uma das mais novas capitais da Europa a entrar para o circuito da moda dos viajantes.

Monday, 3 June 2013

Sofia – A primeira impressão não é a que fica

Bandeira da Bulgária

Se o ditado que diz que “a primeira impressão é a que fica” valesse para mim, eu poderia dizer que nunca mais voltaria a Sofia na Bulgária, mas não é assim que as coisas funcionam para mim, é sempre mais interessante dar uma segunda chance.

Após duas noites seguidas passadas dentro de um ônibus nada confortável, atravessar a fronteira terrestre entre a Turquia e a Bulgária, enfrentar um serviço de imigração intimidatório no meio da madrugada, no meio do nada, num frio abaixo de zero, eis que chego a Sofia, o terminal rodoviário era pequeno, demasiado pequeno para a capital de um país, pensava eu, havia algumas televisões espalhadas pelo saguão, eu percebi que todos as olhavam fixamente, com algum esforço entendi que o governo búlgaro acabava de cair, belo começo, pensei eu. Eram umas 7 da manha, nevava e tinha lido antes que os motoristas de taxi do terminal rodoviário de Sofia não eram nada confiáveis, mas dada a situação de cansaço que me encontrava resolvi arriscar e apanhar um taxi para o hostel.

Bilhete de ônibus entre Istambul e Sofia

No site do hostel dizia que esta pequena viagem entre o terminal rodoviário e o hostel não deveria custa mais do que 5 levs, algo em torno de 2,5€. Sim, a Bulgária é um país muito barato. Como trazia uma pequena mochila e uma pequena mala, coloquei a mala no porta-malas e entrei no taxi, o motorista perguntou-me para onde queria ir, dei a indicação em inglês e mostrei-lhe no mapa, ele arrancou com o carro, num primeiro momento parecia simpático, se apresentou, perguntou de onde era, falou de futebol e tudo mais, até que, notando que ele não havia ligado o taxímetro pedi-o para que o fizesse, ele veio com a desculpa de que estava avariado, a partir daquele momento eu vi que eu teria problema.

Bulgária - Frente da nota de 20 levs

Chegamos ao destino, o taxista estaciona o carro em frente ao hostel, a viagem não deve ter durado mais do que 20 minutos, pergunto o preço, e ele simplesmente diz: 20 levs, 3 vezes mais do que o valor considerado normal. Acho-me uma pessoa calma, mas naquele momento, não sei se foi o cansaço, ou o sentimento de estar literalmente ser roubado, fez-me dizer que não aceitava aquele preço, e que não pagaria. O taxista, com ar de poucos amigos disse-me então que caso eu não pagasse não me deixaria tirar a minha mala do porta-malas. Meu sangue subiu, as coisas que tinha de valor estavam comigo na pequena mochila que trazia junto a mim, na mala só estavam roupas, todas as minhas roupas, enfurecido, disse-lhe, pode ficar com a mala mas eu não te pago 20 levs por esta viagem. Saí do carro, ele ficou a esbravejar algo em búlgaro que eu não fiz a mínima questão de saber o significado e entrei para o hostel.

Bulgária - Verso da nota de 20 levs

Na recepção expliquei o que havia ocorrido e disse que havia deixado o taxista lá fora. O rapaz da recepção, indignado, foi até lá e começou a discutir com o motorista do taxi no meio da rua, falavam alto, em búlgaro, o que piora as coisas, e pareciam que iam se pegar no tapa. No final, o motorista aceita receber 10 levs pela viagem, o dobro do preço normal, eu, já mais calmo e a raciocinar melhor, vi que mesmo ainda sendo injusto, as roupas que estavam na mala valiam mais do que os cerca de 10 levs, cerca de 5€ da viagem.

A questão aqui não era o dinheiro, 5€ ou 10€ não iriam me deixar mais rico ou mais pobre, o que me incomodava era o fato de saber que ele queria se aproveitar de um viajante que acabado de chegar a um novo país, sem conhecer ninguém, sem poder se comunicar na língua nativa parecia não ter outra alternativa senão aceitar pagar o preço que queria. Sei que as condições econômicas na Bulgária não são nada boas mas tal não justifica se aproveitar dos viajantes/turistas em proveito próprio, causando uma má imagem do país e de seu povo.

Felizmente não foi isso que aconteceu comigo, depois de tudo isso, já chateado, resolvi que o pior que eu poderia fazer era deixar esse primeiro episódio estragar a minha visita a Bulgária. A partir daquele momento resolvi que iria deixar aquela má impressão para trás e buscar o lado bom dos búlgaros e posso dizer que encontrei, fiz questão de ir para os cafés, bares e interagir com eles, puxar conversa, fazer novos amigos, acabei encontrando mais do que amigos, bem mais, fui muito feliz em Sofia, fiquei com uma boa história para contar e por fim, muito contente em visitar o meu 26º país.