My dream is having all this map painted in red

Tuesday, 17 December 2013

Berna – A capital política da Suíça

Berna - Suíça

A melhor época para visitar a capital suíça é definitivamente no verão, a cidade ganha uma vibe bastante “cool”, uma ótima oportunidade para aproveitar para diminuir o ritmo e relaxar, seja numa tarde de compras pelas arcadas, saboreando delícias nacionais e internacionais pelos inúmeros cafés ou uma refeição num dos muitos restaurantes bacanas da cidade.

Berna - Suíça

Berna tornou-se patrimônio mundial da UNESCO em 1983. O centro antigo da cidade possui estruturas de vários séculos que permanecem no seu formato original. Apesar do crescimento para comportar a capital administrativa do país a cidade ainda mantem a sua estrutura medieval. Perca-se pela cidade, descubra seus lindos lugares secretos em um passeio a pé pela cidade. Não há melhor maneira de descobrir Berna.

Berna - Suíça

No verão não deixe de aproveitar as águas cristalinas do Rio Aare, muitas pessoas descem o rio agarrados em pequenas boias, uma experiência inesquecível que tive a oportunidade de experimentar. Nenhuma outra cidade na Suíça oferece um “blend” de cultura e lazer como Berna. Os locais adoram tirar tempo para aproveitar a própria cidade.

Berna - Suíça

Entre as atrações da cidade destacam-se a Torre do Relógio (Zytglogge), hoje em dia um dos importantes monumentos da cidade, este relógio astronômico foi construído em 1530. Se estiver visitando Berna com crianças (ou mesmo sem elas) não deixe de visitar o BearPark, o urso é o símbolo da cidade e merecia um parque dedicado ao animal.

Berna - Suíça

Não deixe de observar as inúmeras lindas fontes de água espalhadas pela cidade. Estas fontes artísticas e coloridas foram erguidas em 1550 numa demonstração de riqueza da cidade. Apesar de possuir um sistema de transporte ultra eficiente para o turista a melhor opção é conhecer a cidade a pé, há inúmeros detalhes nas fachadas das casas que farão a alegria dos amantes de fotografia, a cidade é definitivamente fotogênica.

Friday, 13 December 2013

Genebra – A pequena joia da Europa

Genebra - Suíça

Situada nas margens do lago Genebra e aos pés dos alpes suíços, Genebra brilha como uma das mais bonitas cidades da Europa. Cidade se das Nações Unidas, Genebra possui uma longa história de diversidade e tolerância, a cidade é hoje um centro de cultura e entretenimento de renome, restaurantes estrelados e oportunidades diversas de recreação. O idioma falado na cidade é o francês mas a maioria das pessoas falam inglês e há uma grande comunidade de imigrantes portugueses além de muitos brasileiros fazendo do português uma língua também bastante falada na cidade.

Genebra - Suíça

O monumento mais famoso de Genebra é o “Jato D’agua”, a mais alta fonte de água do mundo e fornece um ótimo ponto de referência para explorar a cidade. O centro antigo da cidade oferece uma oportunidade de viver o passado da cidade, há ainda mais de 30 museus e galerias que capturam a rica e vibrante vida da cidade. Para respirar o ar puro da cidade nada melhor do que um cruzeiro pelo Lago Genebra que de tão limpo dá para ver o fundo, ou relaxar num dos muitos parques na beira do lago.

Genebra - Suíça

Certifique-se de visitar a Maket Street para comprar um bom relógio suíço ou somente para olhar as vitrines das lojas. Há hotéis e hostels para todos os gostos e bolsos. Genebra, assim como todas as cidades Suíças em geral são bastante caras, em compensação oferecem serviços de qualidade, os transportes públicos funcionam, não existe qualquer problema de segurança e as ruas são limpas, dá para fazer uma cirurgia em plena calçada, um ambiente quase asséptico.

Cartão Unireso Geneva de transporte público

Caso esteja hospedado num hotel, hostel ou mesmo num camping da cidade o visitante terá direito a um cartão chamado Unireso Geneva que lhe dará acesso gratuito aos transportes públicos da cidade (ônibus, bondes e metrô) durante o período da sua estadia. Primeiro mundo, não!!! É necessário entretanto estar na posse do cartão e do passaporte.

Genebra - Suíça

Uma das coisas que mais gosto em Genebra é o seu ambiente internacional, sede de mais de 20 organizações internacionais torna esta pequena grande cidade de 200.000 habitantes um lugar cosmopolita e cheio de charme.

Genebra - Suíça

Sempre que viajo gosto de analisar a qualidade de vida que o lugar oferece e neste quesito Genebra é rainha, todos os rankings existentes colocam a cidade como uma das melhores do mundo para se viver. A cidade foi toda planejada para se locomover de transportes públicos ou de bicicleta. A cidade possui uma rede ferroviária invejável fazendo com que seja muita fácil chegar a grandes capitais europeias. A população da cidade é bastante internacional, 40% são estrangeiros, dando a cidade uma variedade cultural e culinária.

Genebra - Suíça

Genebra definitivamente entrou para a minha lista de cidades onde eu poderia definitivamente viver.

Thursday, 12 December 2013

Francos Suíços

Nota de 10 francos suíços - Frente

O Franco Suíço (CHF) é a moeda oficial da Suíça sendo constituída por 100 Rappen (centavos). Durante minha visita a Suíça 1€ valia 0,82 CHF. As notas possuem dominações de 5, 10, 20, 50, 100, 500 e 1000 francos.

O franco suíço é considerada uma moeda de reserva devido a segurança que o país passa aos investidores estando atualmente em 5º lugar atrás somente do dólar americano, euro, yen e da libra esterlina.

Nota de 10 francos suíços - Verso

Suíça: Aeroporto de Genebra

Aeroporto de Genebra - Suíça

O aeroporto de Genebra é servido por quase todas as companhias europeias e possui boas conexões com os Estados Unidos, norte de África e Oriente Médio além de ser muito moderno e bastante confortável.

Para chegar ao centro da cidade há várias opções:
A 1ª opção e mais cara é o Taxi, a viagem até o centro de Genebra será em torno de 30 CHF (francos suíços), pode ser uma boa opção para quem está com muitas malas ou com um grupo de 3 ou 4 pessoas.
A 2ª opção são os ônibus de número 5 e 10 que partem do aeroporto a cada 15 minutos.
A 3ª e mais usada opção é o trem. A partir do aeroporto partem vários trens para diversos destinos na Suíça mas todos eles passam pelo centro de Genebra.

Neste momento você pode estar se perguntando sobre o preço do bilhete e aqui você irá começar a perceber que a Suíça é mesmo um país de primeiro mundo. O aeroporto de Genebra oferece um bilhete gratuito que pode ser obtido numa máquina localizada na zona de recolha de bagagem. Este bilhete é valido por 80 minutos e pode ser usado tantos nos ônibus quanto nos trens.

Partindo do Brasil:
Não ligações aéreas diretas do Brasil para Genebra mas a Swiss Air possui voos ligando São Paulo e Zurich. Existem opções através de outras companhias europeias que exigem entretanto uma escala em uma das capitais europeias.
Os brasileiros não necessitam de visto para entrar na Suíça desde que a viagem seja de turismo ou negócios e não ultrapasse 90 dias.

Partindo de Portugal:
Há uma grande comunidade portuguesa na Suíça e por isso a oferta de voos a partir de Portugal é bastante generosa tanto as companhias aéreas tradicionais como TAP e Swiss Air possuem ligações para Lisboa e Porto como também as companhias aéreas low-cost como easyJet.
A Suíça não faz parte da União Europeia mas os portugueses podem entrar no país usando somente o bilhete de identidade ou passaporte sem necessidade de visto.

Monday, 21 October 2013

Coimbra – Patrimônio da Humanidade

Coimbra - Portugal

Já vivo em Portugal a 6 anos, já visitei metade da Europa mas ainda não tinha tido oportunidade de visitar Coimbra, talvez por estar mais perto, mais acessível, sempre fui postergando esta visita, até que chegou o momento. Confesso que a eleição em 22 de Junho de 2013 da Universidade de Coimbra como Patrimônio Mundial da Humanidade e o convite de uma visita guiada foi o empurrão que faltava para que eu finalmente visitasse esta cidade.

A cabra - Coimbra - Portugal

Um dos pontos que mais chama a atenção na cidade é a torre da Universidade de Coimbra, que já pode ser vista da auto-estrada. São seus sinos e relógios que, desde 1733, chamam os estudantes para as aulas. Gradativamente, a cidade vai exibindo seus contornos encantadores, descendo em degraus a colina de Alcaçova até parar no Rio Mondego. Coimbra já foi a capital do país, a partir de 1139, quando o rei Afonso Henriques, primeiro monarca lusitano, decidiu transferir o comando da nação de Guimarães para um local mais ao sul e, desde então, a história encarregou-se de decorá-la com inúmeros monumentos.

Coimbra - Portugal

Coimbra dá-se ao luxo de ter duas catedrais da Sé: a Velha e a Nova. Ambas seculares. A Sé Nova, de 1598, foi edificada pelos jesuítas. A Velha, de 1064, foi erguida para comemorar a expulsão dos mouros. Anos mais tarde, o filho de Afonso Henriques, Sancho I, foi coroado nessa igreja. As duas catedrais ficam na parte alta da cidade, a Velha, um pouco mais abaixo, a meio caminho entre o centro e a universidade. A baixa de Coimbra é repleta de lojas, cafés e restaurantes. As vitrines se concentram nos calçadões das ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz. As fachadas são bonitas e bem conservadas, e uma certa alegria juvenil contagia a atmosfera da cidade. Os cafés e restaurantes ocupam os largos e as praças e de suas mesas tem-se uma bela vista das atrações locais. Na Praça do Comércio, por exemplo, você pode tomar uma cerveja enquanto estuda a arquitetura da Igreja de São Tiago.

Repúblicas - Coimbra - Portugal

O mesmo apelo repete-se nos cafés da Praça 8 de Maio, com vista para o lindo portal da Igreja de Santa Cruz, fundada em 1131. Afonso Henriques e Sancho I estão enterrados ali. Se preferir admirar o Rio Mondego, em seu curso preguiçoso, o Largo da Portagem, no começo da rua Ferreira Borges, também tem restaurantes com mesas na calçada. É um bom lugar para experimentar um prato típico das Beiras, a lampreia. Esse peixe exótico, uma paixão confessa dos habitantes de Coimbra, é encontrado em outras partes do país. Mas foi aqui que ganhou fama.

Para conhecer a universidade, o melhor ponto de partida é o Arco da Almedina, na rua Ferreira Borges. Logo após uma pequena escada emoldurada por um portal do século 12, você encontrará a Torre de Anto com suas janelas renascentistas. A partir daí,  as ruas estreitas que sobem a colina são ocupadas por repúblicas de estudantes que dominam o lugar há alguns séculos.

Biblioteca Joanina - Coimbra - Portugal

Já na parte alta, ao lado da Sé Nova, está o Museu Nacional Machado de Castro. E, por fim, a Universidade de Coimbra. Fundada em 1290, é uma das mais antigas do mundo. O ponto alto da visita é a biblioteca, com mais de 300 mil livros, que vão do século 16 ao final do século 18. São três salas amplas, cobertas por estantes em madeira esculpida. Portais barrocos fazem a ligação entre os ambientes. Foi encomendada pelo rei Dom João V na primeira metade do século 18 e por isso é conhecida como Biblioteca Joanina. No interior da universidade destacam-se ainda a Capela de São Miguel e suas esculturas, a Sala do Exame Privado, com pinturas dos antigos reitores, e a Sala Grande dos Atos, em que são realizadas as cerimônias mais solenes.

Biblioteca Joanina - Coimbra - Portugal

Coimbra gira ao redor da universidade. A festa mais importante da cidade, por exemplo, chamada a Queima das Fitas, marca o final dos anos letivos. Os alunos vestem seus tradicionais trajes acadêmicos e desfilam pela cidade. Tudo acompanhado por música alta e muita cerveja. Coimbra tem todas as qualidades de uma cidade universitária: a animação nas ruas, as festas e uma vida cultural ativa. Nos finais de semana a estação de trem se enche de estudantes que deixam ou regressam à cidade. Outra festa importante é a Latada de Coimbra que marca as boas vindas aos calouros que irão iniciar seus estudos.

As bolas de Dom Dinis - Coimbra - Portugal

Coimbra é também cheia de curiosidades como o nome dado ao sino que chama os estudantes para as aulas, conhecido como “a cabra” responsável por acordar os estudantes pontualmente ás 07 da manhã. Outra história interessante é a da Praça Dom Dinis, nesta praça há um portal com duas bolas gigantes sustentadas por colunas, conhecidas como “as bolas de Dom Dinis”, diz a lenda que quando a primeira estudante terminar o curso virgem as bolas de Dom Dinis irão cair. Pelo visto as coisas correm bem em Coimbra já que as bolas de Dom Dinis continuam no mesmo lugar há séculos, sinal de que a vida acadêmica em Coimbra é bastante animada.

Sé Velha - Coimbra - Portugal

Tuesday, 8 October 2013

Krosno – Onde tudo começou

Krosno - Polônia

Você deve estar se perguntando, Krosno? Onde fica isso? Nunca ouvi falar deste lugar. E o mais provável é que não tenha ouvido mesmo. Mas o que levou ao Neimar visitar este lugar? Bem… Para te elucidar isso vou ter que voltar no tempo, mais precisamente para o ano de 1814.

Krosno - Polônia

Napoleão tentava dominar toda a Europa e sua última ousadia era conquistar a Rússia, sua tropa de 650 mil homens conseguiu conquistar Moscou para vê-la dias depois incendiada pelos próprios russos, Napoleão acabou por retornar com somente 27 mil homens, os sobreviventes da fome, frio e dos ataques russos.

Krosno - Polônia

Dentre os homens que faziam parte do exército de Bonaparte um deles era Antônio Szerwynsks, polaco da cidade de Krosno. Após o fiasco da invasão russa e com a queda do império de Napoleão, Antônio decidiu fugir para o Brasil e resolveu fixar-se em Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Piumhi, diziam que era um homem bastante culto e acabou por atrair a simpatia de Umbelina Silvânia, moça de uma das famílias mais abastadas da cidade.

Krosno - Polônia

Entretanto, Antônio também era um aventureiro, possuía um espírito empreendedor e era um homem experimentado na vida, tendo provado o horror de uma das mais sangrentas e cruéis guerras. Decidiu embrenhar-se pelos sertões de Goiás, lugar por ele considerado promissor, estimulado por Umbelina que aceitou a ousada ideia.

Krosno - Polônia

Em Cavalcante, cidade do norte de Goiás, comprou uma fazenda e registrou-a com o nome de Polônia onde vivem seus descendentes. Antônio e Umbelina tiveram muitos filhos, alguns deles decidiram retornar para Piumhi no estado de Minas Gerias, dentre estes a sexta filha do casal, Amélia Szerwynsks que acabou por casar-se com o português Jerônimo José Duarte. Desta união nasceram também muitos filhos, dentre estes Maria Szerwynsks Duarte, que viria a se casar com o brasileiro João Bailão de Souza Guerra que também possuía origem portuguesa, passando ela a adotar o nome Maria Szerwynsks Guerra.

Krosno - Polônia

Esta história já está ficando longa, eu sei, e é provável que você já tenha se perdido nesta árvore genealógica, mas para finalizar Maria Szerwynsks Guerra e João Bailão de Souza Guerra, também como era de se esperar tiveram muitos filhos, dentre estes um que se chamava João Szerwynsks Guerra, meu avô paterno, que infelizmente tenho poucas lembranças, pois desapareceu quando eu tinha 4 anos. Entretanto, meu pai, João Guerra Junior, sempre me contava histórias dele e dessa forma seu jeito muito particular de ser e de encarar a vida sempre me chamou a atenção.

Krosno - Polônia

Desde que soube desta história a ideia de um dia visitar Krosno e ver a cidade onde viveu meu tataravô sempre me fascinou e felizmente neste ano de 2013, quase 200 anos depois da sua fuga para o Brasil, um dos seus descendentes, EU, acabaria por retornar a Krosno para ver com seus próprios olhos onde tudo começou.

Krosno - Polônia

Como era de esperar, Krosno não é uma cidade turística, mas sempre teve um lugar especial no meu imaginário. Krosno fica no sul da Polônia, próximo de Cracóvia e da fronteira com a Eslováquia, hoje em dia é uma cidade de tamanho médio, com aproximadamente 50.000 habitantes, possui um estilo medieval, uma praça muito bonita e bem cuidada e é considerada a 6ª melhor cidade para se viver na Polônia.

Krosno - Polônia

Os documentos mais antigos encontrados fazem menção de Krosno no ano de 1282, mas por aqui vou me concentrar por sua história mais recente. Após um grande período de declínio em meados do século XIX a indústria do petróleo começou a emergir em Krosno, contribuindo para o aumento da importância daquela cidade na região. Na viragem para século XX muitas empresas e escolas haviam se estabelecido por ali, trazendo um grande progresso, até que teve início a Primeira Guerra Mundial.

Krosno - Polônia

Durante a guerra, Krosno sofreu muitos danos tanto das tropas austríacas quanto das tropas russas. No período entre guerras a cidade voltou a florescer, ganhando importância como um centro industrial. Entretanto o próspero desenvolvimento de Krosno foi então interrompido pela Segunda Guerra Mundial. Todas as máquinas das industrias foram destruídas, ficando em ruinas e a cidade foi devastada.

Krosno - Polônia

Em Setembro de 1944, quase imediatamente ao dia da liberação com a vitória dos aliados, a reconstrução da indústria começou, fábricas de vidro foram estabelecidas, pesquisas em geologia e exploração de petróleo começaram. A indústria do petróleo foi e ainda é de grande importância para a cidade.

Krosno - Polônia

Hoje em dia, Krosno é uma cidade pacata, mas bastante desenvolvida, possui ruas e praças muito limpas e bem cuidadas. Há grandes supermercados, cinema, transporte público e um McDonalds, nada mau para uma cidade de 50.000 pessoas.

Krosno - Polônia

Infelizmente não tive a oportunidade de conhecer ninguém dos meus antepassados, cheguei a fazer pesquisa em listas telefônicas para encontrar alguém com o sobrenome Szerwynsks, mas foi em vão. Mas isto não tirou o meu contentamento em visitar aquela cidade e imaginar que por aquelas ruas e praças um dia caminhou meu tataravô, um homem que evidentemente nunca conheci, mas que sempre admirei pelo seu espírito de aventura e sua coragem em desbravar o mundo.

Krosno - Polônia

Pode ser uma ideia bastante romântica da minha parte, mas vejo em mim algumas semelhanças com ele. Como forma de agradecimento, o que pude fazer foi de alguma forma fazer o seu caminho de volta e chegar a Krosno, a cidade onde tudo começou.

Monday, 7 October 2013

Cracóvia – Amor à primeira vista

Cracóvia - Polônia

Cheguei a estação de trem de Cracóvia numa manhã de sábado, fazia um dia bonito, saí da estação  em direção ao centro da cidade, comecei a caminhar pela cidade, mochila as costas a procura do meu hostel, a cada passo algo me chamava a atenção, a cada esquina aquela cidade colocava um sorriso em meus lábios, estava realmente extasiado, Cracóvia tinha sido amor à primeira vista.

Cracóvia - Polônia

Se você acredita em lendas, saiba que esta cidade foi fundada após a derrota de um dragão, a verdade é que uma atmosfera mística paira sobre suas lindas ruas e praças. O imponente Castelo Wawel é imperdível, o centro antigo com sua igrejas, museus e a Praça do Mercado é impressionante. O antigo bairro Judeu chamado Kazimierz e suas remanescentes sinagogas relembram a tragédia do século XX, assim como alguns outros bairros simbolizam o renovado século XXI, no meio disto tudo muitos bares, restaurantes e discotecas, já que esta é uma cidade que sabe festejar e possui uma das noites e baladas mais animadas da Europa.

Cracóvia - Polônia

Entretanto há muitos mais nesta bela cidade polaca do que história e vida noturna, caminhando pela centro antigo você irá sentir-se chocado com a harmonia de uma bucólica rua de pedra, uma arquitetura natural e uma luz fraca, dando um clima ao mesmo tempo romântico e sombrio a cidade. É em momentos assim que Cracóvia revela a sua harmoniosa mistura de passado e presente, uma parte essencial de qualquer visita a Polônia.

Cracóvia - Polônia

Como visitante você irá notar que a cada hora cheia é tocado um trompete do alto da torre da Igreja de Santa Maria, uma simples melodia baseada em somente 5 notas, esta melodia era tocada na época medieval e servia para alertar a população da cidade para uma possível invasão. Intrigantemente, esta melodia é sempre interrompida abruptamente. Diz a lenda que durante a invasão dos Tártaros, o soldado em vigia viu do alto da torre o inimigo a se aproximar e enquanto tocava a melodia para alertar sobre a iminente invasão, uma flecha atravessou a garganta do soldado e desde então a melodia nunca mais é tocada até o final.

Cracóvia - Polônia

Outra parte importante da cidade é o bairro de Kazimierz que era o bairro dos Judeus, em 1939, antes da invasão alemã, viviam ali por volta de 65000 judeus, a maioria deles assinada pelo regime nazista. Ao andar pelo bairro é possível ver alguns locais onde foram filmadas cenas para o filme “A Lista de Schindler” e é possível ainda ver a antiga fábrica de Oskar Schindler. Kazimierz é hoje um local que vale muito a pena visitar, seja a noite com seus bares animados, seja durante o dia para ver o bairro com maior detalhe e sentir a história como um todo.

Cracóvia - Polônia

Os mais de mil anos de história não tiraram a disposição de Cracóvia. Muito menos deterioram seus monumentos, que mantêm com elegância o charme original do Velho Mundo. Nem mesmo os bombardeios da Segunda Guerra a atingiram. Enquanto os nazistas voltavam sua ira aos rebeldes de Varsóvia, Cracóvia mantinha relativa ordem, o que a fez escapar praticamente ilesa, embora soviéticos e alemães não apreciassem nem um pouco os ares estudantis da cidade, detentora da quinta universidade mais antiga do mundo.

Cracóvia - Polônia

Em um de seus episódios mais trágicos, soldados de Hitler invadiram a faculdade, arrastaram 180 professores e cientistas ao pátio e os executaram na frente de todos. Mas a atrocidade não foi suficiente para arrancar-lhe o espírito. Pelo contrário, hoje Cracóvia conta com inúmeras escolas superiores. Dos 900 mil habitantes, cerca de 200 mil são colegiais ou universitários, vários vindos de outras partes do mundo só para ter o gostinho de estudar nos mesmos bancos onde Nicolau Copérnico sentou um dia.

Cracóvia - Polônia

Por anos, o arcebispado de Cracóvia esteve sob o comando de Karol Wojtyla, que viria a ser eleito papa sob o nome de João Paulo II. Um dos homens mais influentes do século 20, teve papel fundamental na queda do comunismo, no reestabelecimento do orgulho da identidade polonesa e na reaproximação com judeus e muçulmanos. Sua imagem está por vários cantos da cidade, assim como um certo ar de modernidade se mistura a edifícios tão belos quanto veneráveis.

Cracóvia - Polônia

Hoje em dia a história é bastante diferente, a cidade vive um boom de turismo, principalmente de jovens em busca de vodca e noites loucas. A verdade é que eles encontram isso tudo por lá fazendo da segunda maior cidade polaca um destino imperdível na Europa do século XXI.

Cracóvia - Polônia

Sunday, 15 September 2013

Auschwitz - Birkenau

Auschwitz - Birkenau

Não se viaja somente para ver coisas bonitas, apreciar belas paisagens, conhecer novas culturas. As vezes, é preciso viajar para ver que a humanidade também é capaz de atrocidades, e é preciso ver coisas assim para que de maneira alguma permitamos que algo semelhante volte a acontecer nos nossos tempos. Visitar Auschwitz não é agradável, o lugar possui um ambiente pesado, hostil, melancólico, mas é sem dúvida um lugar que todos deveriam ter a oportunidade de visitar.

Auschwitz - Birkenau

Na entrada o portão com os dizeres Arbeit Macht Frei ('O Trabalho Liberta') em letras de ferro fundido soa irônico a quem adentra o antigo campo de concentração de Auschwitz I, palco do horror da Segunda Guerra (1939-1945), quando cerca de 1,5 milhão de poloneses foram exterminados pelos nazistas. A liberdade nada mais era do que a morte, atroz, indigna. Um passeio pelos alojamentos, rodeados por guaritas e cercas de arame farpado é deprimente, mas essencial para entender um dos episódios mais sombrios e repugnantes da história da humanidade. A câmara de gás, o crematório, o paredão, os pertences tirados dos prisioneiros, os trilhos do trem que os conduzia para a morte. Tudo continua ali, em Auschwitz e Birkenau, para reflexão dos visitantes.

Auschwitz - Birkenau

Auschwitz é o nome alemão para a cidade polonesa de Oswiecim, a cerca de 70 quilômetros a oeste de Cracóvia. Seu atribulado passado inclui batalhas sangrentas entre as potências da Europa Central e a Rússia, com as sortes indo e vindo entre este último, a Prússia e o Império Austro-Húngaro. Quase que imediatamente após a invasão nazista de 1939 a cidade passou a abrigar um campo de prisioneiros, sendo aumentado diversas vezes.

Auschwitz - Birkenau

Quando as edificações originais em alvenaria já não suportavam o volume de pessoas para lá enviadas, foi construído o campo II - Auschwitz-Birkenau, onde foram montadas dezenas de galpões de madeira onde judeus, ciganos, homossexuais e todos os inimigos do regime eram amontoados em condições precárias. Ali, aguardariam seu fim em câmaras de gás, definhariam de fome e exaustão ou, de alguma forma, sobreviveriam para contar suas terríveis memórias. Eles vinham de toda a Europa ocupada, em trens que aqui descarregavam sua 'carga'.

Auschwitz - Birkenau

Algumas salas deixam o visitante atordoado, como a sala dos cabelos, quilos e quilos de cabelos de pessoas amontoados, tranças de mulheres, cabelos loiros, ruivos, crespos, lisos que eram retirados das pessoas ao chegar ao campo de concentração para evitar pragas de piolhos. Em outra sala vê-se imensos sapatos, sapatos de homens, mulheres e de crianças. É impossível não se comover, todos aqueles sapatos, tranças, pertenciam a pessoas, cada uma daquelas tranças têm uma historia, cada um daqueles sapatos possuía um dono, todos mortos ali, naquele lugar que nunca deveria ter existido.

Auschwitz - Birkenau - Zyklon B

Entrar numa câmara de gás é uma experiência aterradora, um lugar escuro, inóspito, sufocante. Era solicitado que as pessoas se despissem com a desculpa de que iriam tomar banho, entravam naquela sala onde haviam chuveiros que não estavam ligados a nenhum sistema de fornecimento de água, em seguida as portas se fechavam, do teto abriam pequenos orifícios onde era então inserido o gás venenoso, criado a partir de uma substância chamada Zyklon B. Todas aquelas pessoas eram mortas em questão de minutos.

Auschwitz - Birkenau - Câmara de gás

Mas o horror não acaba aqui, os corpos eram retirados da câmara de gás e levados para fornos onde eram queimados. Uma verdadeira fábrica de exterminar pessoas. Dizem que a nuvem de fumaça dos fornos avançavam por quilômetros e o cheiro era insuportável.

Auschwitz - Birkenau

Listada como patrimônio da humanidade pela Unesco, Auschwitz certamente não é uma visita agradável, mas fundamental para que erros do passado não sejam repetidos.