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Wednesday, 25 February 2009

Bruxelas

 

 

 

Toda cidade tem um monumento só seu, um símbolo, uma impressão digital, o Coliseu em Roma, a Estátua da Liberdade em Nova York, o Corcovado no Rio de Janeiro e por aí afora. Bruxelas, capital da Bélgica e centro das decisões da União Européia, também tem seu ícone, o Menekken Pis. Não é um colosso, uma torre ou um castelo sisudo. O cartão-postal de Bruxelas tem pouco mais de 60 centímetros e é um daqueles menininhos pelados, fazendo xixi. Ele não exalta as glórias do país, tampouco homenageia algum herói conhecido. Mas esse pequeno garoto resume a personalidade da capital belga, muito mais famosa pela austeridade nos negócios do que pelo desprendimento no dia-a-dia. Não fosse esse menino, demoraria para descobrir que, fora do horário comercial, Bruxelas é, também, uma cidade criativa, versátil e muito bem-humorada.

 

 

 


Como em quase todas as cidades européias, Bruxelas também tem um centro velho e uma praça central, a Grand Place. Muita gente a considera uma das praças mais bonitas do mundo, junto com a Praça Staromest Rad, em Praga, ou a Piazza San Marco, em Veneza. E com razão. Construída entre os séculos XIII e XV, a Grand Place de Bruxelas preserva em seu entorno casas que pertenceram a reis e nobres no passado, numa surpreendente harmonia arquitetônica. A prefeitura, um dos prédios mais emblemáticos da cidade, também está ali. À noite, sob luzes especiais, a Grand Place fica ainda mais sedutora.
É nessa praça que está o melhor de Bruxelas. São museus, cafés, cervejarias e lojas de chocolate, em ambientes acolhedores, que num primeiro olhar combinam apenas com os ventos frios do inverno. Na primavera e no verão, porém, dizem os locais, o cenário muda, a praça vira um teatro aberto para artistas de rua, com shows e concertos de primeira linha. Sob a luz do sol, as cafeterias também se transformam, colocando as mesas na calçada para servirem de camarote à festa ao ar livre na praça. Esse lado mais espontâneo de Bruxelas é quase um segredo. Ouve-se  muito mais sobre a solidez das empresas belgas do que sobre a animação de suas cervejarias. E os freqüentes encontros de Estado nesse país, que tem inclinação para a diplomacia, viram notícia muito mais rápido do que, por exemplo, o entusiasmo de suas torcidas de futebol.

 

O espírito livre e criativo de Bruxelas, que a Grand Place confirma tão bem, pode não transitar tanto pela mídia, mas está nos ateliês de design, nos antiquários da Praça du Grand Sablon e até nas vitrines das incontáveis lojas de chocolate. Há um bom gosto permeando quase tudo, algo que está impresso no código genético da cidade, ela nasceu de uma pequena colônia de artesãos e ardorosos comerciantes que, no final do século X, se estabeleceu ao redor de um grande castelo.

 

 


Foi em Bruxelas que, em 1847, numa atitude pioneira, alguns arquitetos construíram uma cúpula sobre uma pequena rua de comércio, criando as Galerias Saint-Hubert, depois divididas com nomes sugestivos, Galeria do Rei, da Rainha e da Princesa. Mais tarde, o lugar atraiu lojas chiques e tornou-se o embrião de um nosso muito conhecido, o Shopping Center. As Galerias Saint-Hubert preservam ainda o charme daqueles tempos. Mas hoje, as lojas de griffes espalham-se também ao longo da Avenue Louise, uma região onde Bruxelas se revela bastante cosmopolita, e com ares bem diferentes que os do centro velho.

 


O melhor exemplo dessa outra Bruxelas é o centro multimídia Atomium,  uma obra high tech que, como o nome sugere, tem o formato de um átomo, obviamente em versão ampliada 165 bilhões de vezes. Construído para a Exposição Mundial de 1958, o Atomium domina a paisagem com sua aparência futurista, em meio ao verde do Boulevard du Centenaire. Lá dentro, percorrendo os estranhos e inclinados corredores que unem as esferas desse átomo gigantesco, descobre-se um centro cultural bem equipado, salas de exposição e, bem no alto, uma vista maravilhosa da cidade.

 


Um dos passeios obrigatórios em Bruxelas é o Centro Belga de Histórias em Quadrinhos. Afinal, este é o país de um dos heróis do gênero, o Tintin, de Hergé. Além de uma exposição permanente, as paredes desse museu têm outro apelo, a casa foi projetada pelo arquiteto Victor Horta, um dos criadores da art noveau, um estilo que nasceu em Bruxelas e se espalhou em obras de arte e construções de todo o mundo.

 

Bruxelas também soube assimilar influências que determinariam sua natureza multicultural. Durante os séculos XVI e XVII, foi domínio dos Habsburgos espanhóis. Depois, foi capital dos Países Baixos, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Mais tarde ainda, o país passou por mãos austríacas, francesas e alemãs. Ainda hoje, Bruxelas é o umbigo de um país cujo norte é flamengo (de língua e cultura holandesas) e o sul, valão (que é todo francês). E embora haja discordâncias crescentes entre essas duas Bélgicas, Bruxelas se transformou numa espécie de território neutro e muito tranqüilo, que passa ao largo de qualquer diferença.


 

 

 

E se há um lugar onde todos se tornam iguais nessa cidade esse lugar é na Petite Rue des Bouchers, que concentra alguns de seus melhores restaurantes. O hit culinário da cidade para a minha tristeza pessoal são as moules, que nós conhecemos como mariscos. Na Bélgica eles são gratinados, servidos ao molho de tomate ou, simplesmente, cozidos com ervas. E sempre acompanhados de prosaicas batatas fritas. Os restaurantes mais caprichosos arrumam as mesas do lado de fora, expondo os frutos do mar ao desejo dos passantes.
Para sobremesa, Bruxelas tem o chocolate Godiva, tido como um dos melhores do mundo. há lojas dessa marca espalhadas por todo canto. E também o waffle, outra paixão nacional, que pulveriza as ruas com um irresistível cheirinho adocicado.
Outra delícia são os mais de 400 tipos de cerveja produzidos na cidade. Uma das mais tradicionais chama-se La Mort Subite ("A Morte Súbita"), cujo nome vem de quando ainda era costume jogar dados nas cervejarias, em disputas que acabavam de repente. Quem perdia pagava a conta.

 


Mas, por incrível que pareça, o lugar mais visitado de Bruxelas ainda é a fonte do Menekken Pis, nas vizinhanças da Grand Place. Há muitas histórias tentando explicar o carisma desse pequeno monumento. A versão mais aceita é a que lembra o episódio da Grand Place destruída por um bombardeio francês no século 17. Reza a lenda que um menino teria apagado o incêndio assim, fazendo xixi. E o bonequinho é tratado com certas honras, há, por exemplo, uma coleção de quase 700 roupinhas para vesti-lo convenientemente nos dias de festa, este lado cômico da cidade foi uma descoberta para mim e fez desta viagem uma revelação, pelo menos para mim.
Você diria que a Bélgica seria tão bem humorada assim?

 

O adocicado aroma de Bruxelas

 

 

 

"Grand Place - Grote Markt" lê-se na placa fincada na entrada da praça principal de Bruxelas. Aliás, Bruxelles, ou Brussels. A Bélgica é um país bilíngüe, fala francês e flamengo, uma variação do holandês. Quem fala uma língua não fala a outra. A divisão acaba até sendo geográfica, o norte se expressa em flamengo e o sul, em francês. Bruxelas fica no meio dessa fronteira lingüística e, por lei, tudo tem de ser transcrito para os dois idiomas. A primeira palavra vem em francês. A segunda, em flamengo. Para certos historiadores, a Bélgica é uma espécie de aberração histórica. O norte fazia parte do que hoje é a Holanda. O sul esteve por séculos sob domínio francês. No Congresso de Viena, que redefiniu as fronteiras européias em 1815 após a queda de Napoleão, o norte da França foi anexado à Holanda. A mistura não deu certo e aquela porção de terra, hoje parte da Bélgica, tornou-se independente em 1831. As fronteiras só foram realmente definidas há cerca de 100 anos.

 

 

 

O coração de Bruxelas é a tal Grand Place, a praça principal, tida como uma das mais belas do mundo. Nas suas imediações, entre catedrais, palacetes e torres, está o que há de melhor nesse lugar: cafés com mesinhas na calçada, restaurantes especializados em frutos do mar, casas de chá, bares abertos 24 horas, gente animada, lojas de chocolates. São de lá as famosas marcas Godiva e Neuhauss, que fabricam os bombons mais deliciosos do planeta. Mas não são apenas a comida e a bebida que tornaram Bruxelas célebre. Provavelmente, nenhum outro lugar leva tão a sério as histórias em quadrinhos. Existe um museu dedicado às HQs, onde os destaques são os personagens belgas, como o jornalista Tintin e os smurfs, aqueles duendes azuis esquisitos, para citar os mais famosos.

 

 

 

 

O art nouveau, revolucionário movimento arquitetônico que tomou conta da Europa no final do século 19, teve início em Bruxelas. A avenida Louise, no centro, está entre os corredores comerciais mais badalados da Europa. Por fim, o Atomium, o novo cartão-postal da cidade, é um centro multimídia high tech, no formato de um átomo ampliado 165 bilhões de vezes.

 

 

Algumas cidades quando as visitamos pela primeira vez são doces descobertas e Bruxelas leva a sério esta idéia. Um apêndice gastronômico, no meio do vai-e-vem agitado de carros, trens, ônibus e muita gente, uma coisa chama a atenção na capital belga. Em especial, a atenção de gulosos como eu. Trata-se de um aroma adocicado, forte, deliciosamente familiar. Bruxelas tem cheiro de... waffle. Em qualquer canto, de manhã, à tarde ou de madrugada, as ruas ficam impregnadas pelo odor daqueles discos de massa doce, vendidos em confeitarias. Uma loucura! Como em toda a Europa, em geral as coisas na Bélgica são bem caras. No entanto se vier até Bruxelas não deixe de levar para casa pelo menos alguns chocolates. As lojas da Godiva e Neuhauss estão em todas as esquinas das principais cidades e os típicos pralinès. Os recheios, cremosos, podem ser de laranja com marzipã, caramelo, framboesa e muitos outros. Bruxelas é sem dúvida uma cidade para aquelas pessoas que comem sem culpa...

Tuesday, 24 February 2009

Bruxelas, a capital européia ofuscada pela badalada vizinhança

Bruxelas

 

Bruxelas

 

O fato é que a gente nem sempre escolhe os vizinhos, aqui em Lisboa eu até que não posso me queixar pois a senhora que vive no apartamento vizinho ao meu é bem legal, apesar do cachorrinho chato dela não ir muito com a minha cara e viver rosnando para mim. Bruxelas não têm a mesma sorte, seus vizinhos são uns estragra prazeres. A cidade é considerada um perna-de-pau em meio a uma constelação de craques. É assim que vejo Bruxelas, ofuscada pelas vizinhas badaladas como Amsterdãm, Paris, Berlim, Londres, Barcelona e Praga. Antes que isso soe geograficamente estúpido, não se esqueça, desde que as low-cost tomaram a Europa de assalto, voar de um ponto para outro do continente virou pechincha até para o mais surrado mochileiro.

 

Pobre Bruxelas, essa estrela desconhecida do supertime europeu não merece destino tão desdenhoso. A capital belga oferece lances de emoção para diversos gostos, do fã de cerveja ao admirador da art noveu. Ah, e também existem, em cada esquina, divinos chocolates...
Com apenas 1 milhão de habitantes, Bruxelas foi feita para ser explorada a pé. O francês e o flamengo são as línguas locais, mas praticamente todo mundo fala inglês.
No verão, dizem os locais, a principal atração turística da cidade, a Grand Place, pega fogo. A imponente praça fica cheia de cafés e bares com mesas ao ar livre, passando pelos restaurantes sofisticados e lojas de chocolate, as 'chocolateries'.

 

A moral do campeonato, ops, da história é esta: Bruxelas é definitivamente uma cidade ofuscada pela vizinhança mas que sem sombra de dúvida merece ser visitada, oferece cultura, boa comida, cervejas e chocolates excelentes, tudo embrulhado num pacote minúsculo, atraente e cheio de charme.

 

Bruxelas

 

Bruxelas

Chocolate recheado é obra-prima belga

Chocolates Belgas

 

O chocolate era desconhecido dos europeus até o descobrimento da América. É um produto asteca. Foi trazido do México para o velho continente pelos espanhóis. Mas só bem depois dos descobrimentos é que os belgas esboçaram o trajeto que os levaria a ser um dos grandes países "chocolatiers" da Europa.

 

Em 1846 a atual capital belga possuía cinco moinhos de cacau. Duas décadas depois, dois fabricantes já faziam chocolate com máquinas a vapor. Em 1912 os belgas criaram um ovo de Colombo gastronômico e se especializaram na produção das pralinas, de início amêndoas confeitadas que se tornaram um chocolatinho tenro e recheado. A colonização do Congo criou uma fonte de fornecimento estável da matéria-prima.
Talvez não seja leviano dizer que nunca nasceu um cacaueiro em toda a Bélgica. O país se esmera no processamento do chocolate, e não na produção da matéria-prima. Eles se especializaram no refinamento e na arte da chocolateria, produzindo bombons e doces. O cacau vem da América, da Ásia ou da África. Cada belga consome em média 7 kg de chocolate por ano. Mas a produção é sobretudo exportada. Há marcas conhecidíssimas, como a Newhaus (1857), a Côte d'Or (1870) ou a Godiva (1920). São ao todo 150 empresas, em geral pequenas e médias, que empregam muitas pessoas e faturam anualmente 2,5 bilhões de euros. O país é do tamanho da ilha de Marajó e é o maior produtor de chocolate do mundo, afinal , boa parte de sua economia está baseada nisso.

 

O setor optou pela qualidade quando há cinco anos uma norma da União Européia facultou o uso de seis tipos de gordura que não fossem a de cacau. A Bélgica não queria perder para a Suíça e para a França o mercado de chocolates finos. Foi por isso que o cacau continuou a ser empregado pelas mais conhecidas empresas como fonte exclusiva de gordura. O uso apenas de manteiga de cacau, em vez de gorduras vegetais, é uma das características que garantem ao chocolate belga o atestado de qualidade e pureza.
Há quatro museus do chocolate na Bélgica. O de mais fácil acesso se encontra em Bruxelas, num dos prédios históricos da conhecida Grand Place. O espaço reconta a história do alimento, com fotos e objetos, além de uma pequena oficina, que mostra todas as etapas da produção artesanal.

 

Godiva

Patrimônios belgas: cerveja, chocolate e waffle

Cervejas:
No país, há mais de 450 diferentes variedades de cervejas, muitas delas servidas apenas em seus copos personalizados, desenhados especialmente para valorizar cada sabor.
O conhecimento dos belgas sobre as cervejas data da Idade Média, adoração que resultou, atualmente, em cervejas de framboesa, chocolate e cereja, além da branca, da marrom Trappiste, da geuze e da prestigiada Lambic.
Esse último tipo é produzido a partir de uma antiga técnica e depende de fermentação espontânea, melhora a cada ano dentro da garrafa, mais ou menos como o vinho, para que surja a efervescência natural e o sabor totalmente seco e ácido. Conforme a legislação da União Européia, a Lambic só pode ser produzida em uma pequena área da Bélgica.

 

Chocolates:
A Bélgica produz 172 mil toneladas de chocolate por ano em mais de 2.130 fábricas. O diferencial do chocolate belga, considerado um dos melhores do mundo, é o uso maciço do cacau em detrimento de outras substâncias.
Os pralinés são tradicionais iguarias belgas. A casca do chocolate guarda um recheio de textura e sabor surpreendentes, geralmente produzido a partir de amêndoas. Muitos chocolatiers locais ainda fazem seus pralinés artesanalmente.

 

Waffles:
Além da cerveja e do chocolate, os waffles fazem parte da dieta dos belgas há séculos. Diz-se que a iguaria local é incomparável porque usa um tipo especial de ferramenta para prepará-la, só encontrada na Bélgica.
Há dois tipos de waffle: o de Bruxelas (retangular, dourado, com diferentes coberturas e degustado com garfo e faca) e o de Liège (amarelo-ouro, de textura mais densa e consumido com açúcar queimado). Este último, feito e vendido por ambulantes em todo o território belga, é um sucesso entre crianças e adultos.

 


Waffles

 

Waffles

Bruges

Bruges

 

 

Bruges

 

"Bem-vindos ao lago do Amor", disse um guia a um casal que passeava por Bruges. Ele apontava para um lago calmo, cheio de caiaques coloridos e disse em francês: "Quem se beija próximo a estas águas não se separa mais." O casal trocou juras de amor, seladas com um longo beijo. Pode parecer piegas (e é), mas o fato é que todo mundo se envolve na atmosfera romântica da cidade. 

 

Chamada de Veneza do Norte (mais uma das inúmeras "venezas" do planeta), Bruges, como outras cidades flamengas, foi estruturada em volta de uma praça principal, a Grote Markt, em torno da qual fervilha a vida cultural. As principais atrações como museus, catedrais e prédios históricos, podem ser alcançadas em curtas caminhadas. Quer ter uma exata noção do que é a cidade? Suba os 366 degraus íngremes e estreitíssimos do Belfort, uma torre de 84 metros de altura que foi uma das primeiras construções daqui, erguida no século XIII. Você vai chegar lá em cima com o coração na boca, mas a vista de toda a região será compensadora.

 

Na minha visita a Bruges o que posso confirmar é a sua fama de uma das cidades medievais mais bem preservadas do mundo. O curioso é que essa conservação aconteceu, em parte, graças à sua decadência econômica, que teve início no final do século XV. Um dos principais centros de comércio da Europa por três séculos, ela foi à falência com o assoreamento do canal que a ligava ao mar. Resultado: os comerciantes foram embora, o ritmo pacato se impôs e a cidade adormeceu, daquele jeitinho, por mais de 400 anos. Trabalhos de pintores medievais que viveram no período áureo, como Hans Memling, podem ser vistos em diversos museus. Uma das igrejas, a Catedral de Nossa Senhora, guarda em seu interior uma estátua da Madonna de Michelangelo, de 1504. Estudiosos belgas dizem que é a única obra do mestre renascentista retirada da Itália, durante a sua vida.

 

Bruges tem bons motivos para ser um dos destino turísticos mais populares da Bélgica. Além de ser uma cidade medieval bem conservada, cujas ruas sinuosas atravessam pitorescos canais ladeados por belos edifícios. Bruges nunca foi muito industrializada e não sofreu grandes estragos durante as guerras mundiais, hoje em dia é proibido a construção de prédios e o trânsito é altamente controlado. Todas as atrações concentram-se na área que assinala a linha das antigas muralhas medievais.

 

Bruges desenvolveu-se a partir de uma fortaleza do século IX, construída para defender a costa do Vikings. Apesar das diversas invasões dos franceses, Bruges tornou-se, entre os séculos XIV e XVI, uma das cidades mais sofisticadas do norte da Europa.
Bruges deve a sua atual posição à beleza do seu centro histórico cujas estreitas ruas empedradas e canais sinuosos são ladeados por edifícios medievais. Estes são sobretudo o legado da época áurea da cidade como centro do comércio internacional de têxteis, que a partir do século XIII prosperou durante dois séculos. Durante esta época, os comerciantes de Bruges esbanjavam as suas fortunas em belas mansões, igrejas e num conjunto de edifícios cívicos de tal forma extravagantes que maravilhavam o norte da Europa.

 

Para visitar Bruges basta apanhar um trem em Bruxelas com direção a esta cidade, o trem passa primeiro por Gand e em seguida alcança Bruges, numa viagem de uma hora a partir de Bruxelas. Se vier a Bélgica não deixe de visitar esta bela cidade.

 

Bruges

 

Bruges

 

Bruges

 

Bruges

Gand

Gand

 

Da janela do trem, é fácil notar que Gand se aproxima no horizonte. Lá estão suas dezenas de torres. Em pleno centro, à beira dos canais de margens floridas, a impressão que se tem é a de estar caminhando dentro de uma cidade de brinquedo. São catedrais, edifícios seculares, museus. Tem até um castelo medieval no meio. Ao contrário das cidades flamengas tradicionais, Gand não nasceu em volta de uma praça principal. Seus edifícios mais importantes estão espalhados pelo centro histórico, em volta de uma enorme torre do século 14, e de duas igrejas. Dentro de uma delas, curiosamente a mais simples, está o maior trunfo da cidade. Nos fundos da Catedral de St. Baaf fica uma das obras religiosas medievais mais conhecidas do mundo: a  Adoração da Ovelha Mística, dos irmãos Hubert e Jan van Eyck.

 

Mas Gand é também uma respeitada cidade universitária, com milhares de jovens circulando. Alguns a pé, outros de bicicleta. No meio deles, vários forasteiros assim como eu. Como destino turístico, Gand tem sido obscurecida pela sua vizinha Bruges. Isto reflete, em parte, as suas histórias divergentes. Ao sucesso do comércio dos têxteis na Idade Média seguiu-se um período de estagnação para Bruges, enquanto Gand se tornou um grande centro industrial nos séculos XVIII e XIX. A poluição que daí resultou cobriu os monumentos da cidade com camadas de fuligem proveniente das inúmeras fábricas. Nos anos 80, Gand deu início a um programa de restauro. Os edifícios medievais da cidade foram limpos, os locais industriais transferidos e os canais desobstruídos. Hoje, são as obras de pedra esculpida das igrejas e edifícios antigos, os excelentes museus e o austero castelo da cidade que conferem ao centro a sua personalidade.

 

O coração do centro histórico de Gand foi construído nos séculos XIII e XIV, quando a cidade prosperou com o comércio dos têxteis. Gand foi fundada no século IX quando Balduíno, Braço-de-Ferro, o primeiro conde de Flandres, construiu um castelo para proteger duas abadias dos assaltos vikings. Apesar dos constantes conflitos religiosos e dinásticos, Gand continuou a prosperar ao longo do século XVI e início do século XVII. Depois de 1648, os Holandeses encerraram o estuário do Scheldt perto de Antuérpia, o que levou ao declínio de ambas as cidades.
No século XIX houve um boom na fiação de algodão, e as largas avenidas da zona sul da cidade refletem a afluência dos proprietários de fábricas. Hoje, os têxteis ainda representam um grande fatia da indústria de Gand.

 

Para visitar esta cidade basta apanhar um trem de Bruxelas para Gand, a viagem dura 40 minutos e pelo caminho é possível observar um pouco do interior da Bélgica pela janela do trem. Esta é sem dúvida mais uma das cidades belgas que valem uma visita.

 

 

Gand

Antuérpia

Antuérpia

 

Apesar de Paris e Milão serem as capitais da moda na Europa, a Bélgica está caminhando a passos largos para entrar neste time fashion e não só por causa das beldades loiras, de quase dois metros, que estão arrasando nas ruas das cidades belgas mas também devido a Antuérpia, segunda maior cidade do país, que destaca-se como um promissor centro de alta costura na Europa. Estilistas e designers reconhecidos no mundo todo espalharam ateliês pelo centro da cidade, há também um museu e a nova faculdade de moda. Todo esse ar fashion, aliado a uma tolerância que lembra um pouco a libertária Amsterdã, faz de Antuérpia a cidade mais moderna da Bélgica e, certamente, uma das mais vibrantes do país. A cidade abriga ainda o maior centro de lapidação de diamantes do mundo e é o terceiro maior porto do planeta. Na esteira dessa ferveção, não poderiam faltar restaurantes badalados, boates, hotéis de design e cafés que não fecham nunca.

 

Nas margens do rio Scheldt havia uma povoação desde o século II, esta povoação cresceu e tornou-se parte do ducado de Brabante em 1106. Em 200 anos transformou-se num centro bem sucedido da indústria têxtil europeia e no principal porto de Brabante. Hoje, Antuérpia é a principal cidade da Bélgica flamenga. É uma grande metrópole cujo porto e áreas residenciais rodeiam o centro repleto de história. Há maginíficas guildas, onde negociavam os comerciantes medievais, imponentes igrejas e vários museus onde se podem ver coleções de quadros do mais famoso artista da cidade, Pieter Paul Rubens.

 

A maioria das atrações da cidade fica junto da Grote Markt, uma bela praça situada no seu centro histórico e que deixa qualquer um admirado com suas belas construções. Se ficar interessado em visitar esta cidade basta apanhar um trem de Bruxelas até a Antuérpia, a viagem dura um pouco menos de uma hora e o centro histórico da cidade por ser conhecido a pé em poucas horas. Sem dúvida vale a visita.

 

Antuérpia

 

 Antuérpia

 

 Antuérpia

CarnaBruxelas

E eu a pensar que não ia curtir carnaval este ano, que engano o meu, quando cheguei a Bruxelas no último sábado dia 21/02 e encontrei com o couchsurfer com quem eu iria ficar nos próximos dias fui convidado para ir a uma festa de carnaval bem brasileira em Bruxelas. Somos muitos os brasileiros espalhados pelo mundo e disseminamos nossa cultura e estilo de vida por todos os lados, o Carnabruxelas (sim, é isso mesmo o que você leu), mais uma vez provou isso para mim, quem diria que na fria Bruxelas haveria uma festa de carnaval tão animada, cheia de brasileiros e europeus a celebrar a maior das festas tupiniquins.

O Carnabruxelas não ficou a dever em nada no quesito animação para as festas no Brasil, não fosse o frio que fazia naquela noite de sábado, dava até para pensar que estavamos no Brasil. Uma festa com direito até a uma madrinha do Carnabruxelas que era de uma brasilidade incrível, pôxa, que coxa ela tinha, para não falar dos seus outros dotes físicos.

A minha visita a capital belga, começou assim, em ritmo de carnaval, na mais brasileira das maneiras, ou seja, a festejar. Grande noite essa em Bruxelas.

 

 

CarnaBruxelas

 

CarnaBruxelas

 

CarnaBruxelas

Saturday, 21 February 2009

Bélgica, o patinho feio do turismo Europeu

 

Belgium_flag

 

Férias!!! Tempo de viajar e conhecer novos lugares e começo minhas férias pela Bélgica. Como será passar o carnaval em Bruxelas? Tenho a certeza que não será como no Brasil mas pelo menos estarei fazendo aquilo que mais gosto, conhecendo um novo país, cultura e povo.

 

Bruxelas foi foco de grandes confusões políticas ao longo do século mas também sempre foi o centro cívico e cultural da Bélgica desde a idade média. Das batalhas do século XVII à campanha de guerra do século XX, foi sempre capaz de se recompor com vigor. Hoje, no início de um novo milênio, a capital da Bélgica, Bruxelas, prospera como centro político e econômico da Europa.

 

A Bruxelas dos dias de hoje é uma cidade cosmopolita e multilingue. Com uma tradição industrial, a cidade prospera como base de várias grandes empresas, no entanto, a Bélgica é injustamente um dos patinhos feios do turismo europeu. O país, amistoso e belíssimo, é raramente incluído nos roteiros que buscam o que ele tem de sobra, monumentos históricos, passeios, gastronomia e entretenimento de qualidade.
A história belga está associada à da Holanda, da qual se separou em 1830, e a tudo o que se passou em termos políticos, como a dominação espanhola, francesa ou austríaca nos Países Baixos.
É antes de mais nada uma região européia em que o acúmulo de riquezas por séculos seguidos permitiu investir maciçamente na arquitetura e nas artes. Em Bruxelas, a capital belga, há 14 museus, com algumas coleções incríveis.

 

Quanto à culinária, uma visão anedótica associa o belga apenas à batata frita. A batata veio do Peru, pela mão dos espanhóis. Mas foi por influência dos reis da França que ela se popularizou.
Em Bruxelas, o viajante saberá de imediato que está na capital administrativa da União Européia. Um décimo da população trabalha direta ou indiretamente para o Conselho, para o Parlamento ou para os lobbies regionais. Se der sorte, o viajante poderá presenciar uma das sessões do Parlamento, uma torre de Babel com seus quase 700 deputados de vários países e que exigem em permanência 220 tradutores.

 

Vou ter quatro dias para explorar Bruxelas pois retorno na terça-feira a Lisboa para uma passada rápida em casa para, descarregar as fotos de Bruxelas, contar tudo no blog e  trocar uma mochila por outra um pouco maior para no dia seguinte, quarta-feira, embarcar em outra viagem que contarei tudo mais tarde.
Enquanto a maioria dos meus leitores brasileiros vão estar a festejar o carnaval no Brasil eu vou estar a visitar a belíssima Bélgica e por isso queria dizer para aproveitem bastante o carnaval e lembrem-se, se beber não dirija.