My dream is having all this map painted in red

Wednesday, 25 February 2009

O adocicado aroma de Bruxelas

 

 

 

"Grand Place - Grote Markt" lê-se na placa fincada na entrada da praça principal de Bruxelas. Aliás, Bruxelles, ou Brussels. A Bélgica é um país bilíngüe, fala francês e flamengo, uma variação do holandês. Quem fala uma língua não fala a outra. A divisão acaba até sendo geográfica, o norte se expressa em flamengo e o sul, em francês. Bruxelas fica no meio dessa fronteira lingüística e, por lei, tudo tem de ser transcrito para os dois idiomas. A primeira palavra vem em francês. A segunda, em flamengo. Para certos historiadores, a Bélgica é uma espécie de aberração histórica. O norte fazia parte do que hoje é a Holanda. O sul esteve por séculos sob domínio francês. No Congresso de Viena, que redefiniu as fronteiras européias em 1815 após a queda de Napoleão, o norte da França foi anexado à Holanda. A mistura não deu certo e aquela porção de terra, hoje parte da Bélgica, tornou-se independente em 1831. As fronteiras só foram realmente definidas há cerca de 100 anos.

 

 

 

O coração de Bruxelas é a tal Grand Place, a praça principal, tida como uma das mais belas do mundo. Nas suas imediações, entre catedrais, palacetes e torres, está o que há de melhor nesse lugar: cafés com mesinhas na calçada, restaurantes especializados em frutos do mar, casas de chá, bares abertos 24 horas, gente animada, lojas de chocolates. São de lá as famosas marcas Godiva e Neuhauss, que fabricam os bombons mais deliciosos do planeta. Mas não são apenas a comida e a bebida que tornaram Bruxelas célebre. Provavelmente, nenhum outro lugar leva tão a sério as histórias em quadrinhos. Existe um museu dedicado às HQs, onde os destaques são os personagens belgas, como o jornalista Tintin e os smurfs, aqueles duendes azuis esquisitos, para citar os mais famosos.

 

 

 

 

O art nouveau, revolucionário movimento arquitetônico que tomou conta da Europa no final do século 19, teve início em Bruxelas. A avenida Louise, no centro, está entre os corredores comerciais mais badalados da Europa. Por fim, o Atomium, o novo cartão-postal da cidade, é um centro multimídia high tech, no formato de um átomo ampliado 165 bilhões de vezes.

 

 

Algumas cidades quando as visitamos pela primeira vez são doces descobertas e Bruxelas leva a sério esta idéia. Um apêndice gastronômico, no meio do vai-e-vem agitado de carros, trens, ônibus e muita gente, uma coisa chama a atenção na capital belga. Em especial, a atenção de gulosos como eu. Trata-se de um aroma adocicado, forte, deliciosamente familiar. Bruxelas tem cheiro de... waffle. Em qualquer canto, de manhã, à tarde ou de madrugada, as ruas ficam impregnadas pelo odor daqueles discos de massa doce, vendidos em confeitarias. Uma loucura! Como em toda a Europa, em geral as coisas na Bélgica são bem caras. No entanto se vier até Bruxelas não deixe de levar para casa pelo menos alguns chocolates. As lojas da Godiva e Neuhauss estão em todas as esquinas das principais cidades e os típicos pralinès. Os recheios, cremosos, podem ser de laranja com marzipã, caramelo, framboesa e muitos outros. Bruxelas é sem dúvida uma cidade para aquelas pessoas que comem sem culpa...

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