My dream is having all this map painted in red
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Sunday, 29 July 2007

Considerações finais



Chegou ao fim mais um mochilão. Cheguei na manhã deste sábado ao aeroporto de Guarulhos, por incrivel que pareça não sofri atrasos no retorno, sai de Mendoza com direção a Buenos Aires, cruzei a cidade para trocar de aeroporto e chegar até o Ezeiza onde peguei um vôo para Porto Alegre e em seguida outro para São Paulo. Cheguei em Guarulhos à 01:25 da manhã de sábado e tarde assim da noite não há mais ônibus para São Paulo, então, eu, um mochileiro, tinha duas opções, pegar um taxi até em casa e ver morrer +ou- R$80,00 do meu orçamento ou esperar até as cinco da manhã para pegar um ônibus até o metrô Tatuapé pagando somente R$3,60. Claro que fiquei com a segunda opção, fiquei vagando por Guarulhos por três horas acompanhando vt's das competições do Pan Americano no Rio de Janeiro pelos telões espalhados pelo terminal, até que o tempo passou rápido.
Cheguei em casa e fiz o pouso mais suave de toda a viagem, aterrisei na minha cama e apaguei por algumas horas, na verdade, algumas boas horas.
Mas agora quero fazer um balanço da viagem. A Argentina foi uma experiência única na minha vida, conheci lugares fantasticos, paisagens incriveis, dignas de cinema e conheci muita gente pelo caminho, gente do mundo todo.
Volto desta viagem entendendo um pouco mais o povo Argentino, o que a gente chama de arrogância da parte deles, na verdade é um extremo orgulho que eles têm de sua cultura, origens, dança, língua e tudo mais. Me surpreende o patriotismo do povo Argentino mesmo após crises econômicas e políticas eles amam o seu país. Descobri também que essa estoria de que eles não gostam de brasileiros é papo furado, esse clima de hostilidade é muito mais da nossa parte do que da deles, na verdade eles recebem muito bem os brasileiros que chegam por lá e afirmo que fiz alguns amigos argentinos por lá, dando destaque ao Pablo, Pablito, portenho que conheci em Mendoza onde conversamos e tomamos muitas cervejas Quilmes juntos.
Recomendo o país a todos mas gostaria de dizer que a Argentina é muito mais do que somente Buenos Aires, a verdadeira Argentina está no seu interior, nas pequenas cidades por onde passei, claro que o glamour europeu de Buenos Aires é fascinante, o estilo suiço de Bariloche é encantador e os vinhos de Mendoza são irresistiveis mas para conhecer a Argentina é preciso mergulhar na sua cultura e entender o complexo modo de vida do seu povo.
Tenham a certeza que minha mente não para, idéias de novas viagens borbulham na minha cabeça a todo instante e em breve estarei blogando de alguma outra parte do planeta.
Agradeço a todos que acompanharam os posts durante esta viagem, este blog começou como um diário de viagens pessoal, onde eu tinha como objetivo tentar guardar em palavras tudo o que eu estava vivendo durante minhas viagens para que no futuro eu pudesse voltar até aqui e reviver cada um dos momentos que vivi por esse mundo afora, mas o blog acabou se tornando popular entre os meus amigos e agradeço a todos que postaram comentários com os quais me diverti muito durante a viagem.
Termino aconselhando a todos a colocarem uma mochila nas costas e sairem por ai, conhecendo este nosso belo planeta, não importa se o lugar visitado é a China ou a Praia Grande no litoral de São Paulo, cada lugar tem sua peculiaridade e merece uma visita.

Friday, 27 July 2007

Um oasis no meio do deserto



Sim. Este é meu último dia em Mendoza. Meu último compromisso nestas terras será almoçar com um amigo do Couchsurfing chamado Ricardo.
O Couchsurfing a cada dia me mostra que é uma ótima ferramenta para o viajante, não somente para conseguir acomodação em diferentes lugares do planeta mas também para fazer novas amizades. Eu como fã deste site só tenho a agradecer por todos os couchsurfers legais que conheci em Buenos Aires e aqui em Mendoza.
 
Mas vamos falar de Mendoza. Este oasis no meio do deserto Argentino se mostrou muito mais interessante do que havia pensado, levo daqui um aprendizado grande sobre vinhos que é a atividade base desta cidade, diretamente ou indiretamente todos aqui estão ligados ao vinho e dizem até que o fato de se situar em uma zona sismica se deve ao consumo de vinho por seus habitantes, o que a faz cambalear de vez em quando. :-)
Quando se chega de avião em Mendoza é que se percebe a dimensão deste oasis. Do céu só se vê deserto, uma área seca, inóspita e quando menos se espera avista-se uma cidade no meio de toda aquela aridez, realmente um oasis contruído pelo homem no meio de um deserto, aos pés da Cordilheira dos Andes que é onipresente na cidade, de qualquer ponto é possível avista-la, com seus picos cobertos de neve.
Mendoza possui em média 360 dias ensolarados por ano, como podem ver quase não se chove aqui e o céu é de um azul irreal o tempo todo, não há nuvens e a noite as estrelas fazem um espetáculo a parte. O fato de estar localizada no meio de um deserto faz Mendoza ter uma diferença de temperatura muito grande entre dia e noite. No inverno os dias são frios e as noites gélidas chegando a nevar, no verão os dias são insuportavelmente quentes e as noites frescas.
Como não chove aqui, água é um bem precioso, toda a água usada pela cidade e para irrigar os vinhedos vem do degelo das montanhas, desse modo o inverno é muito importante aqui pois é a fonte de água desta cidade, se não neva no inverno significa que faltará água no verão.
No verão o gelo derretido é captado das montanhas e armazenado em diques o que garantirá o abastecimento de água da população.
Para finalizar recomendo a visita a este pedaço da Argentina que a cada dia é descoberto por mais e mais turistas que vêm desfrutar o maravilhoso vinho da região e suas belezas naturais.

Wednesday, 25 July 2007

Mendoza



O que mais chama a atenção do visitante em Mendoza é a quantidade de árvores e de praças espalhadas pela cidade, há 1 milhão de árvores em Mendoza para 1 milhão e 400 mil habitantes..
Mendoza foi planejada para que a população possa enfrentar um terremoto, apesar de eles não ocorrerem desde 1985, a região é sujeita a abalos sísmicos que já devastou a cidade no passado quando ela ainda pertencia ao Chile e obrigou os moradores a construirem uma nova cidade ao lado daquela destruída e que pode ser visitada hoje. Por isso, tem cinco praças principais, Independência, Espanha, Itália, Chile e San Martín. No total, são 52 praças e três parques.
Os espaços abertos servem para que a população não seja atingida por destroços de concreto dos prédios caso ocorra um terremoto e para amenizar a poluição.
O que faz o turista viajar mais "tranquilo" é saber o que fazer em caso de emergência. A cidade foi construída arquitetonicamente para suportar terremotos de grande amplitude. Por isso, tem muitas praças, todas sem fiações superiores, para onde a população é orientada a se dirigir caso ocorra o fenômeno.
Se Baco passasse por Mendoza, cidade localizada no oeste da Argentina, ficaria fascinado com a diversidade de vinhos produzidos nas mais de mil bodegas locais, dos mais populares aos mais sofisticados.
Mas nem só de vinho vive o turismo local. Por estar localizada ao pé da cordilheira dos Andes, Mendoza, cujo clima é seco e o céu quase sempre está ensolarado, é também sede de estações de esqui como Los Penitentes e Las Leñas, tem uma rica arquitetura, simpáticas praças e aventuras que podem tirar o fôlego dos turistas.
Cidade média, Mendoza tem aproximadamente de 1 milhão e 400 mil habitantes, tem dois cassinos e diversidade de atrações culturais. Não cultiva com o mesmo fervor, a boemia de Buenos Aires. É que em Mendoza os bares têm dia certo para encher de gente, a balada tem hora marcada e as noites não vão além das 3h.
Talvez por sua abundância de árvores, pelas praças e pelos parques, além das visitas a locais históricos e a energia necessária para tudo isso, Mendoza não precise de noite mesmo.
Bodegas tradicionais e centenárias, umas mais artesanais, outras mais avançadas tecnologicamente, assim é Mendoza, província responsável pela produção da maior parte dos vinhos e das vinícolas argentinas, onde é possível degustar vinhos que podem fazer esquecer os franceses segundo enólogos da região. Mendoza chama o turista a aprender a diferença entre os tipos de uva e a saber diferenciar um sabor do outro. É lá que se percebem os diferentes aromas dos vinhos e se acompanha toda a sua produção.
Desde 2005, Mendoza é a 8ª capital mundial do vinho, motivo de orgulho entre os locais. As outras são Melbourne (Austrália), Porto (Portugal), Bilbao & Rioja (Espanha), Florença (Itália), São Francisco & Napa Valley (EUA), Bordeaux (França) e Cidade do Cabo (África do Sul). Como vêem, trata-se de um seleto grupo ao qual o Chile ainda não subiu, o que é motivo de rivalidade regional.

Tuesday, 24 July 2007

Decifrando as uvas



É complicado para um leigo como eu se deparar com nomes de castas de uvas, Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, a partir das quais são produzidos os vinhos e saber precisamente detalhes de cada uma delas. Mas circular pelos caminhos do vinho em Mendoza me ajudou a conhecer um pouco mais do legado de Baco o Deus grego do vinho e das festividades.
Mendoza produz 80% dos vinhos argentinos e a bebida mendocina é de ótima qualidade segundo pessoas mais entendidas e a explicação para isso é que embora chova pouco na região aqui em Mendoza existe água em abundância, e com a irrigação se torna possível controlar o vigor e a qualidade do cacho de uva.
Para mim, o passeio por algumas das vinicolas da região e a degustação dos vinhos locais foram aulas práticas sobre sua forma de preparo, seus aromas e variedades.
Algumas vinicolas estão entre 900 e 1200 metros acima do nível do mar, outras ao sul da cidade ficam a 750 metros de altitude. As condições térmicas locais facilitam  a produção de uma uva com casca mais grossa que irá produzir um vinho com mais cor e aroma segundo os produtores. A água pura do degelo das montanhas é praticamente uma água mineral e a irrigação por gotejamento nas parreiras permite um controle de quantidade e tempo de irrigação fazendo surgir um vinho saboroso e com boa capacidade para envelhecimento segundo os enólogos.
Distante 1100 km de Buenos Aires e 402 km de Santiago do Chile Mendoza oferece ótimos passeios para os apreciadores de vinhos e aqueles que como eu querem conhecer um pouco mais sobre esta bebida.
No próximo post conto mais sobre a cidade. Acho que depois de experimentar tanto vinho estou meio embriagado. rsss

Sunday, 22 July 2007

Hasta la vista Bariloche



Chegou ao fim minha temporada em Bariloche mas o mochilão pela Argentina continua. Vou agora pegar o ônibus de volta para Buenos Aires, sim, 20 horas novamente, mas tudo bem. Chegando em Buenos Aires vou para o aeroporto doméstico chamado Aeroparque Jorge Newbery de onde pego um vôo de duas horas até Mendoza, cidade aos pés do Aconcagua e na divisa com o Chile.
Essa parte da viagem é uma cortesia das Aerolineas Argentinas pois estou usando uma milhas da época que fui para a Austrália com eles. Viajar já é bom, de graça então é melhor ainda.
Essa parte da viagem será dedicada aos vinhos, essa região da Argentina é famosa por seus bons vinhos reconhecidos internacionalmente. Mas depois conto mais sobre isso. Por enquanto é só. Até o próximo post direto de Mendoza.
Hasta la vista!!!!!

Saturday, 21 July 2007

Bariloche - A Neve dos Brasileiros



Novas estações de esqui surgem todos os anos nos Andes. Mas quando o assunto é neve e fondue a preferência nacional continua sendo a pequena cidade a beira do Lago Nahuel Huapi.
Mesmo que você conheça paisagens mais imponentes, é provável que jamais tenha vivido uma sensação de grandeza tão forte como a que se tem do pico do Cerro Catedral, a segunda montanha mais alta de Bariloche. O nome Catedral, que batiza esse monumento natural de 2388 metros de altura, não foi dado por acaso. Ele é inspirado nas catedrais góticas, igrejas hiperbólicas, altíssimas, construídas na idade média para dar ao homem a sensação de que ele é uma ínfima particula de pó diante de Deus. A diferença, porém, entre uma catedral e o Catedral é que, na igreja, o sentido predominante é o de reverência e submissão, e no pico da montanha, com a paisagem aos seus pés, a sensação é de amplitude e liberdade. Nas catedrais góticas, o homem se sente diminuído. No Catedral, ele se sente ilimitado com toda aquela bela vista que se tem do seu topo.
Ali, o mundo que se conhece parece um outro mundo. A frente, na linha do horizonte, a altura dos olhos, não existe horizonte, o que há são nuvens, superiores, soberanas.
Abaixo, bem abaixo, estão montanhas, mas não quaisquer montanhas. Estas formam a majestosa e altíssima Cordilheira dos Andes.
Baixando mais os olhos, encontra-se um lago. Mas não pense que, dada a altura, o lago parece uma piscininha de criança. Ele continua imenso, pois não é um qualquer, é o Nahuel Huapi, onipresente em Bariloche com 554 quilometros quadrados de extensão. Por suas caracteristicas, de maneira natural, visto do topo do Catedral supera as intenções de qualquer catedral gótica.
Seria um lugar perfeito para se isolar e tendo apenas o vento como companhia, pensar e repensar a vida. Seria se não fosse o fato de estar aqui a mais famosa estação de esqui da Argentina e claro dificilmente se consegue ficar sozinho aqui.
A cidade está repleta de restaurantes aconchegantes e cafés. Cenários e paisagens de cinema, facilmente encontraveis em passeios turisticos tradicionais como o Circuito Chico que margeia o Lago Nahuel Huapi. Outro programa delicioso é subir até o Cerro Otto e tomar um café na confeitaria giratória que fica lá em cima, podendo ter uma visao de 360 graus de toda a regiao enquanto se saboreia as tradicionais medialunas Argentinas enquanto as montanhas cobertas de neve vão desfilando do lado de fora, se exibindo para você.
Além de se beber bastante, come-se admiravelmente bem em Bariloche e relativamente barato pelo menos comparando com os preços dos restaurantes de São Paulo.
O ponto alto da culinária de Bariloche está nos doces, mais precisamente nos chocolates. Há de todos os tipos e formatos, negros, brancos, marrons, amarelados, amargos, enjoativos de tão açucarados, decorados, enfeitados, recheados, desenhados, esculpidos, em torrões e por ai afora.
Não só os restaurantes ou as lojas de chocolates mas quase todo o comércio da cidade está confinado a uma única rua, no centro da cidade, a Bartolomeu Mitre, ou simplesmente Mitre, em torno da qual Bariloche gira. Ela começa no Centro Cívico, uma praça com construções rústicas de madeira onde ficam a delegacia de policia, a Secretaria de Apoio ao Turista e o Museu da Patagônia.
É lá que se aprende que muita coisa em Bariloche se chama Moreno em homenagem de Francisco Pascácio Moreno, o primeiro argentino a chegar ao Lago Nahuel Huapi e que no ínicio do século fez um levantamento dos lagos e montanhas de Bariloche.
Minhas considerações finais sobre esta cidade é que todos um dia devem passar por aqui e conhecer este pequeno paraíso. Uma cidade brasileira (sim, o português é o idioma oficial aqui) aos pés das Cordilheiras dos Andes que oferece aos visitantes brasileiros experiências impossiveis de serem vistas ou sentidas dentro de nosso país.

Thursday, 19 July 2007

Bariloche, o inverno que ferve



As praias do Brasil são, ha muito tempo, motivo confesso de dor de cotovelo para os argentinos. Eles descrevem a paisagem brasileira com admiração escancarada, como jamais ousariam falar de nossa seleção. Mas há o revés da moeda. Nao é de hoje que os brasileiros também revelado uma inegavel invejazinha em relação ao nosso maior vizinho do continente. A razão? Bariloche. Ou San Carlos de Bariloche como insistem por aqui.
Como toda dor de cotovelo, esta também tem seu periodo crítico, mais intenso. Acontece todo ano, durante o inverno. Vem sendo assim ao longo dos ultimos anos, passando de pai para filho, como a paixão pelo futebol. Basta flocos de neve comecarem a cobrir as montanhas e os telhados em estilo suiço de Bariloche. Pronto, lá se vão os brasileiros, loucos por um punhado de flocos brancos.  Essa atração tão forte por Bariloche talvez aconteça porque cada vez mais os brasileiros reencontram na cidade a paisagem remota que viu na infancia, estampada nas caixas de lápis de cor e nas embalagens de chocolate. Freud explica. rssss
Invejar uma cidade é a única situacao em que esse sentimento, quase sempre vil, se torna bom. No caso, significa apenas amar o que o lugar tem de radicalmente diferente e querer vivencia-lo por inteiro. Assim fazem os argentinos, que voltam a ser crianças correndo pelas areias de Florianopolis. E assim também fazem os brasileiros em Bariloche, com a neve.
A diversão geralmente começa nos Cerros Otto e Campanário, que envolvem a cidade e vestem-se de branco no inverno. Sao montanhas menores com respectivamente, 1405 e 1050 metros de altura e acabam servindo para quebrar o gelo (hahahaha) antes de encarar os 2140 metros do Cerro Catedral, este sim o principal centro de esqui da região. Tanto no Otto quanto no Campanário, o programa é subir de teleférico. A elevação em si já seria uma alta curtição, mas lá em cima, a diversão aumenta. No Cerro Otto, há um restaurante giratório, que faz a volta completa em cerca de meia hora, permitindo uma vista de 360º enquanto se disfruta de um belo café quente.
As instalações do Cerro Campanário são mais modestas, só que a posição dessa montanha na geografia da cidade é muito mais estratégica. Com uma vista maravilhosa da cidade e do belíssimo lago Nahuel Huapi. Se vier, nao deixe de subir e conferir, mas venha agasalhado, pois a temperatura pode cair a -18 graus como aconteceu comigo hoje e o vento aumenta a sensacão de frio.
Vendo do alto, você perceberá que Bariloche, apesar de uma tradição turistica permanece uma cidade pequena embora muito graciosa. Notará também que ela está encravada entre as montanhas que anunciam a cordilheira dos Andes. O mais impressionante porém é a composicao desses picos com os lagos que se formam ao pé de cada um deles. As montanhas avançam em algum ponto, como se pretendessem dominar o cenário. Um pouco mais adiante, contudo, cedem espaço para o sinuoso recorte de lagos. Essa convivência harmoniosa desenha toda a paisagem.
O que posso afirmar é que estando aqui vendo tudo ao vivo é ainda mais bonito do que os cenários alpinos das caixas de lápis de cor.

Tuesday, 17 July 2007

20 horas num ônibus entre Buenos Aires e Bariloche


Deixei Buenos Aires as 14:00hs de segunda-feira (16/07/2007) num ônibus da empresa ViaBariloche. O ônibus é muito confortavel, com direito a servico de bordo, balas, música, travesseiro e cobertor. Nao conheco uma palavra em português para esses comissários de ônibus, mas aqui eles os chamam de rodomozo(a).

Estou espantado com o bom serviço da empresa rodaviária, são 15:00hs e um café bem quente foi servido. Eu que nem gosto tanto assim de café acabei por aceitar para esquentar. Colocaram um filme para nos entreter, "Deja Vu", o ônibus oferece fones de ouvido individuais com dois canais de som, um para o filme e outro com rádio. Até agora tudo perfeito.

São 17:30hs, depois de um cochilo acordo com o rodomozo servindo um lanche. Ainda estamos na região dos pampas argentinos. A paisagem vista pela janela do ônibus é belissima. Uma planicie que se perde de vista com uma vegetação rasteira. Lindas fazendas também fazem parte da paisagem com criações de gado bovino e ovelhas. Agora depois do lanche mais um filme "The Cleaner".

Agora são 20:00hs. A noite definitivamente caiu. Uma noite bem fria por sinal mas estou bem aquecido aqui no ônibus. Colocaram um outro filme com explicações das atrações desta região da Argentina, em seguida um video institucional da empresa de ônibus e agora um video com uma sequência de video-clips musicais onde o titulo do DVD é "Baladitas Del Corazon" :-)

Eles realmente tentam de tudo para que os passageiros nao sintam as 20 horas de viagem entre Buenos Aires e Bariloche.

Agora são 21:00hs. Hora do jantar. Sim! Jantar! Com direito a uma salada como entrada, em seguida um prato quente (frango)  acompanhado de uma taça de vinho argentino, claro, e como sobremesa mousse de chocolate. Acho que a escolha desse trecho da viagem via terrestre foi uma decisão acertada e uma pechincha.

São 22:00hs. O rodomozo :-) fechou todas as cortinas do ônibus, apagou todas as luzes e dalhe mais um filme, uma produção Argentina desta vez, "Una Estela e Dos Cafes".

Sao 23:30hs. Fim do filme (muito bom por sinal) e agora eles se superaram. Os passageiros podiam escolher entre whisk e champagne para finalizar a noite. Definitivamente as empresas de ônibus brasileiras deveriam conhecer as empresas argentinas. Nunca vi nada parecido no Brasil.

Pelo caminho esporadicamente passamos por alguma pequena cidade argentina. Sinto uma sensação de liberdade muito grande, sozinho num ônibus, cruzando a Argentina, o estilo de vida que definitivamente me atrai.

Estou conhecendo um pouco mais da América do Sul, nós brasileiros costumamos renegar nossas origens latinas e exaltar tudo o que é europeu ou americano. Isto é uma pena pois deixamos de conhecer coisas maravilhosas que estao próximas da gente.

São 08:00hs da manhã. Café da manha servido. Ao amanhecer a paisagem havia mudado completamente. Ficaram para trás as planicies argentinas para dar lugar a uma região montanhosa, com predominância do branco da neve. Uma das paisagens mais belas que já vi.

São 09:30hs da manhã e acabo de chegar a Bariloche. O frio é de congelar mas a beleza da cidade me aquece e faz esquecer o frio.

A cidade fica entre várias montanhas cobertas de neve dando um clima de Suiça ao lugar.

Definitivamente a Argetina me surpreende a cada momento.

Monday, 16 July 2007

Os Brasileiros Invadem Buenos Aires



Não sei se vou merecer esta honraria, mas ainda aguardo o meu lugar no panteão dos herois nacionais. Afinal, fui dos bravos soldados desconhecidos que participaram da invasão brasileira de Buenos Aires que ocorre todas os fins de semana. A campanha foi notável.
Nosso contigente, composto por homens e mulheres (os números são um segredo de estado) ocuparam os pontos estratégicos da capital portenha. O pelotão mais númeroso tomou, em poucos minutos, os quarteirões da Calle Florida, que, sendo uma rua exclusiva para pedestres, não sofreu a intervenção de divisões motorizadas. Tropas de elite dominaram rapidamente os bares sofisticados da Recoleta e as lojas elegantes de Buenos Aires, posição essencial para controlar o suprimento de roupas de grife e outros artigos de primeira necessidade.
Consolidada as invasões, as tropas verde-amarela iniciaram a segunda fase da campanha: a conquista da noite. Brigadas partiram com a missão de atacar áreas vitais como as churrascarias de Puerto Madero e as tanguerias do bairro de San Telmo. A tática empregada, apoiadas pelo fator surpresa, teve êxito empolgante. Já nas primeras horas da madrugada era impossível encontrar uma única boate resistindo as forçcas de ocupação brasileiras.
¨Buenos Aires é nossa!¨, penso, lá pelas tantas da madrugada, já encharcado de vinho.
A conquista, geralmente é rápida e indesmentível. Os portenhos não mostram muita resitência (muito pelo contrário, adoram o derrame de dinheiro brasileiro em terras estrangeiras).
Eu estava muito contente em ter a honra de participar de uma dessas invasões que acontecem todos os fins de semanas, embora não pudesse supor a dimensão que ela acabaria alcançando.
Eu comecei a desconfiar desta invasão quando decidi comprar minha passagem aérea para Buenos Aires há alguns meses atrás, quando descobri que há mais de 30 vôos diários ligando o Brasil a capital argentina, uma esquadrilha e tanto de aviões brasileiros cortando os céus argentinos (guerra é guerra). Eu, um soldado raso, encontrei uma passagem barata da Gol que partia de Guarulhos as 05 da manhã rumo a Buenos Aires.
No avião um exército incomum, casais em busca de romance na mais européia das capitais latino americanas, senhoras sonhando em saquear as vitrines das lojas de cashemere, homens e mulheres solteirões dispostos a qualquer violência para dominar uma portenha/portenho.
Quando se chega no aeroporto de Eseiza é que realmente cai a ficha que você está numa zona de guerra, na area de desembarque muitos argentinos (supostamente agentes duplos) com placas com nomes de agência de viagem brasileiras (eu como já comentei, um soldado raso, não dispunha de alguém me esperando em Buenos Aires para dar as primeiras instruções, regalia acho que oferecida somente aos oficiais de mais alta patente).
Enquanto isso, a invasão brasileira se consumava. Quase todos os hoteis da região central da cidade haviam-se transformado em domínio brasileiro inclusive com bandeiras brasileiras nos mastros de suas fachadas.
As casas de tango também foram tomadas pelos brasileiros. Mas uma noitada de tango vale todo o esforço patriótico de participar de uma operação de guerra. Por mais rancores que alguns alimentem contra os Argentinos, não há brasileiro que, depois de um tango, conserve qualquer resquício de rancor contra os nossos vizinhos.
Com o pelotão feminino então o efeito era mais forte, as brasileiras quase se jogavam nos braços dos dançarinos de tango Argentinos. Não consegui entender aquela explosão de (perdoem o termo) libido por um canto Argentino reluzindo brilhantina no cabelo e suor após sua performance no palco. Mas tenho que admitir que a sensualidade das dançarinas de tango hipinotizaram o pelotão masculino (sabe como é, soldados ficam carentes em guerra).
Buenos Aires naquele instante nossa Buenos Aires com todo seu charme europeu, com a vantagem de estar do lado do Brasil, está barata e cabe perfeitamente no período de quatro ou cinco dias de visita já havia sido tomada totalmente.
Mas no final da noite percebi que haviamos perdido a bataha, o povo Argentino acabou dominando os soldados brasileiros com seu carisma (acreditem eles têm isso) e já era impossível afirmar que ainda estavamos em guerra. Os casais em busca de romance haviam se rendido ao charme da cidade, as mãos das senhoras já não cabiam mais sacolas, nós os solteirões (homens e mulheres) não haviamos resistido a sensualidade daquele povo e fomos totalmente dominados na noite Argentina.
Final de estória, conclui que apesar de vivermos em guerra, principalmente futebolística, Brasileiros e Argentinos se adoram e se completam.
Esta invasão continuará ocorrendo, pelo menos por algum tempo, todos os fins de semana, esta é a nossa vez de invadi-los (lembram quando eles invadiram as prais brasileiras??? principalmente Floripa). Aconselho a todos os brasileiros a se alistarem na proximas batalhas.
Apesar de termos perdido a batalha em Buenos Aires fui promovido pelos meus superiores e deixei de ser um soldado para ser um espião brasileiro em terras Argentinas. Minha próxima missão será coodenar uma invasão a outra cidade Argentina, dessa vez iremos chegar por terra, comboios de onibus (pilotados pelos mesmos agentos duplos do aeroporto) nos levarão rumo a Bariloche (Brasiloche). A missão não será nada fácil, 20 horas de viagem cruzando a Argentina através de pampas e desertos até chegar a gélida cidade de Bariloche aos pés da Cordilheira dos Andes.
Desejem me sorte!!!

Final da Copa América

Passagem para Buenos Aires, R$700,00
Albergue em Buenos Aires, AR$150,00
Ver o Brasil vencer a Argentina aqui em Buenos Aires não tem preço.
Para todas as outras existe AURA.

Sunday, 15 July 2007

:-(

Uma fatalidade aconteceu...
Perdi meu celular, o que significa que o blog sofrerá uma grande queda nos posts. I´m so sorry.
Realmente fiquei muito chateado por tê-lo perdido mas dos males o menor, se tivesse perdido meu passaporte ou minha carteira o transtorno seria muito maior. Além do mais não vai ser este fato que vai estragar minha viagem pela Argentina.
Estava numa balada ontem chamada Asa de Cuba, estava muito cheio, era uma balada muito forte, estavamos todos na pista dançando e devo tê-lo perdido lá. Tenho que confessar que havia exagerado um pouco na cerveja também.
Liguei na boate hoje e pediram para que eu retornasse mais tarde para ver se alguém da limpeza encontrou, mas sinceramente as chances de acha-lo são meio remotas.

O clima vai esquentar na Argentina neste domingo

Não. Não estou me referindo a temperatura (que por sinal continua muito baixa por aqui), o clima vai esquentar devido a final da Copa América de Futebol com o jogo entre Brasil e Argentina, as duas potências do futebol sulamericano.
Os Argentinos estão muito empolgados com o jogo, hoje pelas ruas do bairro da Recoleta por onde andei as casas já estavam com a bandeira da Argentina pendurada nas janelas.
Aqui no hostel o pessoal está bem dividido, os chilenos dizem que vão torcer para a Argentina mas a maioria dos Europeus e Americanos vão torcer para o Brasil. Pelo menos seremos maioria.
Eu realmente espero que o Brasil ganhe pois senão irei sofrer por aqui com as brincadeiras dos Argentinos do hostel.
Tenho que tomar cuidado para não me exaltar muito pois afinal estou na casa do adversário. rssss

Feira da Recoleta



Um dos bairros mais conhecidos internacionalmente, a Recoleta é imperdível, seja por seus cafés, bares, feira de artesanato ou até mesmo pela noite, dedicada ao público jovem.
Imitando Paris, possui grandes áreas verdes e fachadas em estilo francês.
Apesar de ter perdido um pouco no setor de diversão para Porto Madero, o charmoso bairro ainda concentra algumas construções de época e uma das ruas mais caras do comércio portenho.
A feira de artesanato, localizada na praça da Recoleta na qual visitei hoje, é ponto de parada obrigatória. Dá para encontrar peças muito interessantes por lá, nem sempre com preço justo pois é um lugar totalmente turístico.
Esta feira acontece todos os sábados e consta em todos os guias de turismo de Buenos Aires que você procurar.
Recomendo a visita.

Saturday, 14 July 2007

Cabine Telefônica


Isso é que é vontade de ser europeu.

Cemitério da Recoleta


Entrada do cemitério da Recoleta em Buenos Aires.

Mausoléo da Família Duarte



Cemitério da Recoleta


Voce deve estar se perguntando o que estou fazendo num cemitério em Buenos Aires. Pois saiba que este cemitério foi inaugurado em 1822 e possui túmulos que guardam os restos mortais da nata da sociedade argentina. Mas sem dúvida o mais visitado é o discreto mausoléu da família Duarte onde turistas vem tirar fotos do lugar onde esta sepultada Evita Duarte Perón.

Hard Rock Café Buenos Aires


Numa cidade com tantos cafés claro que nao poderia faltar um Hard Rock Café. E em Buenos Aires claro que tinha que ficar na Recoleta, o bairro mais descolado da cidade. Se tivesse que escolher um lugar para morar em Buenos Aires com certeza seria a Recoleta.

El Ateneo


Esta é a maior livraria de Buenos Aires. Fica num prédio da Av. Santa Fé que era um antigo teatro. Sem a dúvida a mais bela livraria que já visitei. Já tinha ouvido no Brasil, dizerem que Buenos Aires tinha mais livrarias que no Brasil todo. Sempre achei que isso fosse exagero, mas agora posso afirmar que é verdade.

Bife de Chorizo


Meu prato predileto aqui na Argentina.