My dream is having all this map painted in red

Thursday, 19 July 2007

Bariloche, o inverno que ferve



As praias do Brasil são, ha muito tempo, motivo confesso de dor de cotovelo para os argentinos. Eles descrevem a paisagem brasileira com admiração escancarada, como jamais ousariam falar de nossa seleção. Mas há o revés da moeda. Nao é de hoje que os brasileiros também revelado uma inegavel invejazinha em relação ao nosso maior vizinho do continente. A razão? Bariloche. Ou San Carlos de Bariloche como insistem por aqui.
Como toda dor de cotovelo, esta também tem seu periodo crítico, mais intenso. Acontece todo ano, durante o inverno. Vem sendo assim ao longo dos ultimos anos, passando de pai para filho, como a paixão pelo futebol. Basta flocos de neve comecarem a cobrir as montanhas e os telhados em estilo suiço de Bariloche. Pronto, lá se vão os brasileiros, loucos por um punhado de flocos brancos.  Essa atração tão forte por Bariloche talvez aconteça porque cada vez mais os brasileiros reencontram na cidade a paisagem remota que viu na infancia, estampada nas caixas de lápis de cor e nas embalagens de chocolate. Freud explica. rssss
Invejar uma cidade é a única situacao em que esse sentimento, quase sempre vil, se torna bom. No caso, significa apenas amar o que o lugar tem de radicalmente diferente e querer vivencia-lo por inteiro. Assim fazem os argentinos, que voltam a ser crianças correndo pelas areias de Florianopolis. E assim também fazem os brasileiros em Bariloche, com a neve.
A diversão geralmente começa nos Cerros Otto e Campanário, que envolvem a cidade e vestem-se de branco no inverno. Sao montanhas menores com respectivamente, 1405 e 1050 metros de altura e acabam servindo para quebrar o gelo (hahahaha) antes de encarar os 2140 metros do Cerro Catedral, este sim o principal centro de esqui da região. Tanto no Otto quanto no Campanário, o programa é subir de teleférico. A elevação em si já seria uma alta curtição, mas lá em cima, a diversão aumenta. No Cerro Otto, há um restaurante giratório, que faz a volta completa em cerca de meia hora, permitindo uma vista de 360º enquanto se disfruta de um belo café quente.
As instalações do Cerro Campanário são mais modestas, só que a posição dessa montanha na geografia da cidade é muito mais estratégica. Com uma vista maravilhosa da cidade e do belíssimo lago Nahuel Huapi. Se vier, nao deixe de subir e conferir, mas venha agasalhado, pois a temperatura pode cair a -18 graus como aconteceu comigo hoje e o vento aumenta a sensacão de frio.
Vendo do alto, você perceberá que Bariloche, apesar de uma tradição turistica permanece uma cidade pequena embora muito graciosa. Notará também que ela está encravada entre as montanhas que anunciam a cordilheira dos Andes. O mais impressionante porém é a composicao desses picos com os lagos que se formam ao pé de cada um deles. As montanhas avançam em algum ponto, como se pretendessem dominar o cenário. Um pouco mais adiante, contudo, cedem espaço para o sinuoso recorte de lagos. Essa convivência harmoniosa desenha toda a paisagem.
O que posso afirmar é que estando aqui vendo tudo ao vivo é ainda mais bonito do que os cenários alpinos das caixas de lápis de cor.
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