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Saturday, 20 August 2011

Segóvia – Sonho em forma de cidade

Assim como Toledo, outra opção imperdível para um bate-volta à partir de Madri é Segóvia.

Segovia - Espanha

Numa poética forçadinha de barra, os espanhóis costumam comparar Segóvia a um navio. Na proa, erguido sobre um penhasco, fica o Alcázar, palácio fortificado com seus torreões em ponta e visual de contos de fada. Já a catedral da cidade, último grande templo gótico erguido na Península Ibérica (século XVI), seria o miolo da embarcação e seus pináculos, os mastros. Modernizando a metáfora, o filósofo madrileno Ortega y Gasset comparou-a a "um enorme transatlântico místico". Bonito isso...

Segovia - Espanha

É na popa, porém, fazendo as vezes de leme, que se encontra o grande marco de Segóvia, seu mais eloquente cartão-postal, o aqueduto, uma das obras da engenharia romana mais bem preservadas até hoje, comparável, em beleza e magnitude, ao Coliseu romano ou à Arena de Verona. Construído nos primeiros anos da era cristã e utilizado até o final do século passado, ele é o trecho final de um sistema de 12 quilômetros, que captava água do Rio Frío, na vizinha Serra de Guadarrama, e a trazia fresquinha até a parte alta da então romana Segóbriga. Traçando um V ao longo de seus 728 metros de extensão, hoje ele atravessa a Plaza del Azoguejo, antigo mercado ao ar livre e atual coração de Segóvia.

Segovia - Espanha 
Tem 118 arcos e 25000 blocos de granito encaixados a seco, sem nenhuma argamassa. É fruto da mais pura matemática, em que uma única e decisiva pedra, a chave, se encarrega de transferir todo o peso da estrutura para o chão, mantendo-a suspensa. Parece flutuar. Resumindo, uma maravilha!

Segovia - Espanha 
Em torno desse monumento quase irreal, Segóvia exibe sua beleza suave, com cerca de 3000 metros de muralhas a circunscrever o seu centro histórico. Uma caminhada por esse navio de popa a proa, do aqueduto ao Alcázar, revela ao visitante, em pouco mais de dois quilômetros, suas maiores atrações, a tranquilíssima Plaza Mayor, defronte à catedral, e seus cafés animados, a Judería, antigo bairro judeu, e sua sinagoga, a biblioteca, o Museo Casa del Sol, a charmosa Plaza de Las Sirenas e, por fim, as igrejas de San Martín e San Esteban, ambas românicas, a segunda dotada de uma curiosa torre de três andares com janelinhas nos seus quatro lados. O regresso se dá pela Calle Mayor e seu comércio colorido. E termina exatamente no enigmático aqueduto onde começou nosso passeio.

Segovia - Espanha

O que mais chama a atenção em Segóvia é que a cidade está muito bem conservada, fazendo dela um destino perfeito para uma visita de um dia a partir de Madri. Além disso, a cidade é atualmente candidata a Capital Europeia da Cultura com o projeto Segovia 2016, o que pode deixar a cidade ainda mais apetecível para uma visita, o lugar é perfeita para o evento na minha opinião.

Gastronomia:
Ao visitar Segóvia não deixe de experimentar o cochinillo (leitãozinho), o prato típico da cidade. Trata-se de um porco ibérico, um animal que se alimenta exclusivamente de um tipo de romã abundante na Península Ibérica. O tal suíno não come qualquer coisa. Por isso sua carne fica mais macia, menos gordurosa e mais apetitosa. Aliás, para evitar gordura adicional, os leitões consumidos nos restaurantes de Segóvia têm apenas duas semanas de vida. Se você for um ecologista ou um vegetariano, a recomendação fica sendo até de mau gosto. Se você for um gourmet, não perca!

Cochinillo

A casquinha é fina e crocante. Se rompe em mil pedacinhos. E a carne é macia, suculenta. Não há um vestígio sequer de gordura pura aparente. Para assá-lo é preciso um forno lento para que a gordura penetre pouco a pouco na parte magra, que ganha um tom rosado e um sabor aromático. O ponto é quando a pele está fina, crocante, dourada e uniforme e a carne, macia.

Ponche Segoviano

Recomenda-se um dos ótimos vinhos espanhóis para acompanhar e como sobremesa não deixa de experimentar o Ponche Segoviano.

Como Chegar:
Para chegar a Segóvia a partir de Madri a maneira mais fácil é de trem (comboio). Os trens para Segóvia partem da estação Madrid-Chamartín, localizada na zona norte da capital espanhola. Convém por segurança chegar 30 minutos antes da hora da partida pois desde os atentados terroristas na estação de Atocha em Madri as bagagens dos trens também devem passar pela máquina de raio-x.

Estação de trem Madrid-Chamartín - Espanha

Há várias partidas por dia e o preço varia de acordo com o horário. No meu caso o bilhete de ida e volta ficou em 19,10€. A viagem é feita em trens de alta velocidade e leva somente 30 minutos. Os horários podem ser consultados através do site da renfe, empresa de trens espanhola. Infelizmente o site da renfe não se dá muito bem com cartões de crédito emitidos fora da Espanha o que dificulta um pouco a compra através do site. No meu caso comprei o bilhete diretamente na estação, se a viagem for ser realizada nos fins de semana recomendo a compra dos bilhetes com antecedência pois estes costumam esgotar-se devido a procura dos turistas em Madri.

Estação de trem Segovia Guiomar - Espanha

O trem para na estação Segovia-Guiomar que não fica próxima da cidade, entretanto há ônibus (autocarros) que o poderão levar até o centro da cidade numa viagem de 15 minutos. O bilhete do ônibus custa 0,90€ por trajeto e os horários acompanham as chegadas dos trens.

Bilhete de trem Madri-Segovia

Bilhete de trem Segovia-Madri

Bilhete de ônibus em Segovia - Espanha

Observação:
Todos os preços citados neste post são referentes a Agosto de 2011 e servem somente para ter uma noção do que o viajante irá gastar.

Thursday, 30 December 2010

Barcelona, a cidade de Antoni Gaudí

Barcelona - Espanha

É tentador dizer que não existe outro lugar como Barcelona, ainda mais no fim de ano, com a cidade toda decorada para as festas, com certeza não há outra cidade como ela na Espanha no que diz respeito a estilo, visual ou energia. As revistas e os guias de viagem falam com entusiasmo de sua arquitetura ousada, das lojas de design, dos bares incríveis e da vida cultural vibrante, mas Barcelona é mais do que a moda do momento. É uma cidade progressista, que se renova incansavelmente, sem se esquecer de preservar o melhor do seu passado.

Barcelona - Espanha

A comunidade autônoma da Catalunha, da qual Barcelona é capital, tem uma história que remonta ao século 9, e, nos longos períodos de domínio de potências externas, assim como durante a ditadura de Franco, sufocar o espírito catalão provou-se uma tarefa impossível. Barcelona reflete essa independência e é a líder espanhola em ativismo político, design, arquitetura e comércio.

Barcelona - Espanha

Isso se reflete nos lindos edifícios Art Nouveau que enchem as ruas e as avenidas da cidade. Nesse sentido, Antoni Gaudí foi quem deixou uma marca mais expressiva: a catedral Sagrada Família, de sua autoria, é célebre, mas as casas, os edifícios e os parques que ele e seus contemporâneos projetaram são igualmente fascinantes.

Barcelona - Espanha

É muito fácil orientar-se em Barcelona. A cidade, na verdade, é uma série de bairros que se estendem a partir do porto, ladeados de parques e rodeados pelas montanhas e pelos bosques de Collserola. Pode-se ver a maioria das principais atrações num fim de semana prolongado, mas vale a pena sair do corriqueiro, se possível.

Barcelona - Espanha

Lojas de produtos com design excelente nos bairros recuperados da cidade velha, gente cantando ópera na rua, almoços baratos em tabernas de operários, passeios de funicular, restaurantes sem placa de identificação, lojas e oficinas de artesanato, palácios medievais, passeios pelos subúrbios e galerias de produtos especializados, tudo isso é tão característico de Barcelona como as Ramblas ou a Sagrada Família de Gaudí.

Barcelona - Espanha

Eu adoro a Espanha, sempre que dou um salto até lá fico um pouco mais admirado com este país e após visitar algumas vezes as suas duas principais cidades, Madri e Barcelona vejo que apesar de toda a rivalidade que existe entre elas, ambas são verso e anverso de uma mesma moeda.

Barcelona - Espanha

A primeira é a capital por excelência, sede da monarquia, Madri se move frenética em locais como a Gran Vía, avenida comercial recém-repaginada, com grandes estátuas encimando edifícios neoclássicos. Mas torce pelo Real Madrid e passeia no entorno da Plaza Mayor, do século 15.

Barcelona - Espanha

Já Barcelona, capital da Catalunha, ferve nas Ramblas, avenidas próprias para passear, compras nas lojas do Passeig de Gràcia e, no futebol, torce pelo Barcelona, claro. No mercado La Boqueria, qualquer um fica boquiaberto. Idem vendo as inúmeras obras de Antoni Gaudí, que plasmou formas endemoniadas, classificadas entre o modernismo e o art nouveau, sobretudo no século 20. E, na mescla de épocas que a caracteriza, o destaque é a catedral no bairro Gótico.

Barcelona - Espanha

Assim, entre "tapas", os tira-gostos espanhóis, e beijos, Madri e Barcelona têm comportamentos e humores diversos. Antes da Olimpíada de 1992, Barcelona, então decadente, iniciou uma onda de construções e restaurações. A campanha "Barcelona posa't guapa" trouxe vida nova aos seus prédios e edificou, na montanha do Montjuic, um moderno estádio olímpico, transformando a metrópole de 1,5 milhão de habitantes no primeiro caso bem-sucedido de regeneração urbana.

Barcelona - Espanha

O curioso é que, se Barcelona transpirava modernidades, no design, nas cores excêntricas, na moda de vanguarda. Madri mantem seu aspecto mais sisudo, de sede do governo e da monarquia.

Barcelona - Espanha

Recentemente, os papéis novamente parecem ter-se invertido. Madri está mais fulgurante, falando espanhol, entronizada como uma metrópole europeia que fatura em euro. Embora Barcelona mantenha a sua aura de cidade de vanguarda, ela parece perdida ao insistir em falar catalão, em olhar para si mais do que para um mundo que se globalizou.

Barcelona - Espanha

De todo modo, é difícil entender a Espanha de hoje sem visitar Madri e Barcelona. O ideal mesmo é apanhar o próximo avião para a Espanha e ver tudo com os próprios olhos.

Friday, 1 January 2010

Toledo - Espanha

Toledo - Espanha

 

Há lugares que visitamos onde máquinas fotográficas não são realmente necessárias pois os olhos tratam de imortalizar aquela imagem para sempre dentro do nosso cérebro, um destes lugares é Toledo em Espanha. Ao chegar a cidade é necessário fazer uma parada no miradouro para contemplar a belíssima vista desta cidade que é de tirar o fôlego de qualquer pessoa.

 

Situada numa colina as margens do Rio Tejo esta cidade conserva muita da sua riqueza histórica. A cidade nasceu com a ocupação dos romanos por volta do ano 192 antes de cristo, no século VI foi tomada pelos Visigodos tornando-se capital da Espanha Visigótica com Rei Leovigildo até a conquista Ibérica pelos Mouros no século VIII. Durante domínio árabe marca-se a convivência pacífica entre judeus, cristãos e muçulmanos.

 

Em 25 de Maio de 1085, O rei espanhol Afonso VI tomou Toledo dos Mouros e restabeleceu o controle da cidade tornando-a capital da Espanha.

 

A cidade prosperou até o século XVI quando a corte Espanhola mudou-se primeiro para Vallaroid em seguida para Madri. Esta mudança marcou o declínio econômico de Toledo até o século XX quando a cidade firmou-se como destino turístico sendo também declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1986 por suas heranças culturais e monumentais.

 

Devido a proximidade com Madri, Toledo é sempre uma boa opção de um destino bate-e-volta a partir de Madrid apesar de na minha opinião Toledo por si só valer e muito uma visita a Espanha.

 

 

COMO CHEGAR:

Chegar a Toledo é bastante simples, a melhor maneira é de trem (comboio). Partindo de Madri, apanha-se o trem de alta velocidade na estação de metrô "Atocha Renfe" (linha 1 - azul) com destino a Toledo.

 

A viagem dura 30 minutos. Para a viagem de ida recomenda-se chegar 1 hora antes do embarque pois desde o atentado terrorista ocorrido em 2004 os procedimentos de segurança são rígidos mesmo para as viagens de trem, na volta a Madri o controle de segurança é menos rígido mas mesmo assim chegar com 30 minutos de antecedência do embarque é recomendado.

 

Ao chegar em Toledo há duas opções. Ou apanha-se o ônibus (autocarro) 22 com destino ao centro da cidade ou o ônibus turístico que também parte da estação de trem.

 

Para consultar os horários e o preço dos bilhetes de trem acesse o site da Renfe - Red Nacional de Ferrocarriles Españoles.

Thursday, 24 September 2009

Qual cidade será a escolhida?

Jogos Olímpicos de 2016 - Cidades Candidatas

 

Rio de Janeiro, Chicago, Tóquio ou Madrid?

Qual será a cidade escolhida para sediar as Olimpíadas de 2016?

 

As quatro cidades possuem projetos bem estruturados e a uma semana da escolha da cidade que irá sediar os jogos de 2016 a imprensa mundial dá uma pequena vantagem para o Rio de Janeiro. A escolha acontece no próximo dia 02 de Outubro em Copenhagen na Dinamarca e todas as cidades já decidiram enviar pessoas influentes numa última tentativa de mostrar os integrantes do COI – Comitê Olímpico Internacional o comprometimento com os jogos pelos líderes dos respectivos países.

 

Chicago não irá enviar o seu mais célebre filho, Barack Obama, no entanto o presidente americano envia a Primeira Dama Michelle Obama para mostrar o apoio do governo americano para que o jogos sejam realizados em Chicago.

 

Madrid irá enviar o Rei Juan Carlos e a Rainha Sofia para prestigiar o evento e tentar convencer os jurados que Madrid é a melhor escolha para os jogos de 2016. Pesa contra a cidade o fato dos jogos de 2012 serem em Londres e acho pouco provável que o COI escolha duas cidades européias seguidas para organizar os jogos olímpicos.

 

Tóquio ao ver que todas as outras cidades estavam a enviar grandes personalidades públicas para o evento decidiu não ficar para trás e enviará o Primeiro Ministro do Japão ao evento na Dinamarca. Contra Tóquio pesa o pouco apoio da população registrado nas pesquisas realizadas pelo COI.

 

E por fim o Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa envia como seu representante ilustre e influente presidente brasileiro, Lúis Inácio Lula da Silva. O apoio de Lula é um ponto forte da candidatura do Rio de Janeiro sendo este considerado por muitos um dos mais influentes líderes mundiais do momento, reconhecido até mesmo por Barack Obama.

Seria ótimo ver o Rio de Janeiro organizar os jogos de 2016, a favor da cidade contam o fato dos Jogos Olímpicos nunca terem acontecido na América do Sul e o Brasil ser uma das maiores economias do mundo e ter sido o primeiro país a sair da crise mundial demonstrando ao mundo quão comprometido estamos em sermos uma potência mundial num breve futuro.

 

O fato do Brasil também ser organizador da Copa do Mundo de 2014 para muitos é um ponto que divide opiniões. Para uns isso fortalece ainda mais a candidatura carioca pois grande parte da infraestrutura já estaria pronta para este evento. Para outros a Copa do Mundo pode tirar visibilidade dos Jogos.

 

Que vença a melhor mas fica aqui a minha torcida pelo Rio de Janeiro, merecemos organizar estes jogos na América do Sul pela primeira, o Brasil sozinho possui uma população de quase 200 milhões de pessoas e se levarmos em conta toda a América do Sul teremos uma população de 400 milhões de pessoas que nunca tiveram um grande evento como este tão perto de casa.

Não tenho dúvidas que a Olimpíada de 2016 se realizada no Rio de Janeiro seria um sucesso!!!


 

Update 29/09/2009: Segundo informações da BBC Brasil o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mudou de idéia e irá comparecer ao evento para escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016 em Copenhagen na Dinamarca no próximo dia 02 de Outubro juntamente com sua esposa. A presença do presidente americano tem o intuito de pressionar os votantes para escolherem Chicago como a sede dos jogos.
Como podem ver a briga vai ser boa no próximo dia 02 de Outubro em Copenhagen.

Tuesday, 13 January 2009

Bilbao

 

 

 

Já havia algumas semanas que tinha planejado ir para o norte da Espanha logo após o reveillon, a tempos que quero conhecer esta complicada parte da Espanha, conhecida por País Basco. No entanto um dias antes de embarcar para Bilbao, soube através dos noticiários sobre a explosão de um carro bomba em frente a sede da Rádio Televisión Basca em Bilbao, ataque esse, felizmente sem vítimas, reinvidicado pelo grupo separatista Basco ETA. Para quem não sabe, o ETA é um grupo terrorista que luta pela independência do País Basco em relação a Espanha e a França.
Ponderei se este seria o melhor momento para visitar aquela parte da Espanha, talvez fosse melhor deixar esta visita para um outro momento, depois pensei melhor e decidi ir mesmo assim, não seria um ataque terrorista isolado que iria me privar de conhecer esta parte da Espanha.

 

E acho que foi uma decisão sábia porque conhecer esta particular região da Espanha me ensinou muito. Antes de tudo é necessário saber que apesar de “ainda” pertencer a Espanha o País Basco não é Espanha, e nem é preciso ser um separatista do ETA para constatar isso. Ao passar pelas cidades desta parte da Espanha a primeira coisa que se nota é a arquitetura, completamente distinta do resto do país. A origem dos bascos é controversa, supõe-se que tenham se estabelecido na Península Ibérica em 2000 a.C. Eles resistiram às legiões romanas que dominaram a região em 30 a.c. e conseguiram manter cultura e idioma próprios. A língua basca, ou euskera, é cheia de “x”, “k” e “u” e extremamente exótica para quem fala português. Para se ter uma idéia do tamanho da encrenca, mulher de vida fácil é “txatxala”, transar é “larrutan engin”, dinheiro é “esku dirua” e polícia é “hirizaingoa”. Mas não se preocupe, a população basca, mesmo as “txatxalas”, falam espanhol e entendem bastante bem o portunhol. Além disso, os bascos são um povo festeiro e extremamente calorosos com os visitantes.

 

Voltando a Bilbao, não acredite quando disserem que lá só tem o Museu Guggenheim e nada mais. Mentira. Bilbao é uma cidade vibrante, sofisticada e de vida noturna agitada. O Guggenheim, na verdade, é um tanto bizarro. Parece uma "bolha assassina" de titânio crescendo disforme à margem do Rio Nervión. Dentro, é pior. Alguns corredores não têm saída e várias salas se fecham em ângulos absurdos. Sobra conceito e falta praticidade ao prédio do arquiteto Frank O. Gehry. A melhor maneira de curti-lo é se convencer de que você está dentro de uma obra de arte o que não é de todo uma afirmação falsa. O museu tem mostras regulares de artistas contemporâneos, como De Kooning, Calder e Jeff Koons.
O Guggenheim Bilbao é um dos cinco museus pertencentes à Fundação Solomon R. Guggenheim no mundo e é hoje um dos locais mais visitados da Espanha num esforço para revitalizar a cidade de Bilbao que hoje recebe visitantes  de todo o mundo.
Sua construção se iniciou em 1992, sendo concluído cinco anos mais tarde. Externamente o museu é coberto por superfícies de titânio curvadas em vários pontos que lembram escamas de peixe, mostrando a influência das formas orgânicas presentes em muitos trabalhos de Gehry.
O museu apesar de imponente recebe várias críticas desde sua inauguração, por ser um museu de vanguarda, mas somente por fora, pois as salas de exposição são quase todas iguais a de outros museus, ou seja, inovou-se no exterior mas não na função básica do museu, que é conservar e expor obras de arte. E por ser um museu tão inovador, uma justa crítica que ele recebe é a de ser mais atraente do que as próprias obras expostas no seu interior. Além do seu elevado custo relacionado ao caráter experimental de muitas inovações usadas em sua construção que fazem deste gigante edifício um recordista em custos de manutenção e limpeza.

 

Além do museu, para conhecer Bilbao é necessário visitar o seu centro velho, conhecido aqui por “casco viejo”, uma zona boêmia, cheia de bares e restaurantes. Se gostas mais das compras, as melhores lojas estão na Gran Via Don Diego Lopez, que corta praticamente a cidade inteira e que oferece grande variedade de artigos, desde artesanato local até as botiques de lojas sofisticadas.

 

Desse modo não deixe de visitar Bilbao só porque o ETA resolveu chamar mais uma vez a atenção para sua causa explodindo um carro bomba em um lugar qualquer e saiba que para conhecer Bilbao não basta tirar algumas fotos do Guggenheim, a cidade têm muito mais do que isso para lhe oferecer.

 

 

 

Santander

Palácio Magdalena

 

Palácio Magdalena

 

Santander é a capital da Cantábria, uma região montanhosa da Espanha que vai do Mar Cantábrico até Palência, no interior do país. Com inúmeros parques naturais, a província é conhecida na Espanha como "Gran Reserva". Embora não seja uma cidade grande, Santander é uma metrópole agitada, com 200 mil habitantes. A grande atração é El Sardinero, uma longa e bela praia de areia clara, cercada por cafés e restaurantes, onde também fica o prédio branco do cassino da cidade. Em uma ponta está o Palacio de La Magdalena, construído em 1912 e que hoje abriga o zoológico e um parque público bem cuidado. O palácio pertence à Universidad Internacional Menéndez y Pelayo e o interior é fechado para visitas, mas do alto, onde está localizado, tem-se uma vista magnífica do Mar Cantábrico. A noite de Santander ferve e só começa depois das 22 horas. A diversão favorita dos boêmios é se municiar de cerveja ou vinho e ficar bebendo nas praças e ruas da cidade. Os bares têm um certo clima de botequim carioca.

A elegante e rica capital de Cantábria, é o balneário preferido dos espanhóis que moram nas cidades do interior, por seu clima ameno e suas longas praias. Ao redor de Santander está a verdejante cadeia de montanhas da Cantábria, onde foram encontradas cavernas pré-históricas, com uma das mais bonitas paisagens intocadas da Espanha.
Cantábria tem abundante arquitetura romana e se as ruas de Santander parecem modernas demais, é porque foram completamente reconstruídas após um incêndio em 1941, que destruiu o centro antigo da cidade. As principais vias são a Avenida Reiña Victoria e o Paseo de Pereda, com prédios de arquitetura francesa dos séculos 18 e 19, jardins públicos minuciosos e lindos terraços de frente para o Mar da Cantábria.
Com mais de cinco quilômetros de costa limpa, Santander tem vários tipos de praias, desde pequenas enseadas reservadas até longas praias douradas; as famílias aproveitam mais aquelas com águas calmas  como Los Peligros, La Magdalena e Bikinis, que têm esse nome por te sido o primeiro local da Espanha onde as mulheres usaram este tipo de traje para entrar no mar, um verdadeiro escândalo para a época na então conservadora Santander, enquanto que os surfistas procuram vento e ondas mais altas em El Camello, La Concha, El Sardinero, Molinucos e Mataleñas.
Definitivamente Santander é um lugar que tenho que voltar no próximo verão Europeu!!!

 

Marina de Santander

 

Casino de Santander

 

Casino de Santander

Tuesday, 16 September 2008

Frenética Madrid

 

 

 

Mais de trinta anos depois da morte de Franco, a capital da Espanha brilha como nunca. Renovada pelo ritmo frenético de “la movida”, mas conservando suas melhores tradições, Madrid não pára de crescer e de surpreender a quem a visita.
Imagine o general Franco, uniformizado e cheio de pose, emergindo, mais de trinta anos depois de sua morte, das profundezas do mausoléu que mandou escavar nas paredes de granito da Serra de Guadarrama, dentro da província de Madrid. Sua primeira reação, provavelmente, seria de conforto, eis que sua tumba, no Valle de los Caídos, tem uma atmosfera tão sombria como a da própria Espanha que liderou com mãos de ferro até morrer, em 1975. Desse momento em diante, porém,  Franco ressuscitado só teria dissabores. Não seria preciso nem mesmo que chegasse à Plaza del Sol, no centro de Madrid, alguns quilômetros adiante, para perceber que, nessas mais de três décadas, o país caminhou exatamente no sentido oposto ao que ele conduzia.
É previsível até que, ao ver sua capital tão mudada e fervilhante, Franco desembainhasse sua espada, gritasse um irado "Por Diós" e conclamasse seus antigos correligionários a uma nova guerra civil, como a que matou um milhão de espanhóis na primeira metade deste século. Mas, fora uma meia dúzia de gatos-pingados saudosistas, o máximo que Franco conseguiria reunir, nesta suposta reencarnação, seria uma platéia de gente espantada com sua patética figura. No meio da qual poderia estar, por exemplo, o cineasta Pedro Almodóvar, com a camera em punho, registrando cenas para um novo longa-metragem que poderia batizar, sem muita criatividade, de Ditador à Beira de um Ataque de Nervos...
Almodóvar, aliás, é uma das mais conhecidas caras do movimento chamado "La Movida", uma incontrolável revolução cultural que chacoalhou os alicerces da Espanha desde meados da década de 80. Assim como ele, milhares de cabeças pensantes da geração pós-Franco aceleraram o país a um ritmo alucinante. Fosse para tirar o atraso em relação aos vizinhos europeus, fosse para esquecer das longas décadas de opressão, o fato é que "la movida" pôs a Espanha para correr como nunca. A economia foi modernizada, a corrupção endêmica diminuiu sensivelmente e a alma farrista dos espanhóis voltou à tona, produzindo novos talentos e enorme avanço cultural. O país integrou-se à Comunidade Européia, organizou a Feira Mundial de Sevilha, as Olimpíadas de Barcelona, e deu ao mundo provas de sobra de que havia retomado o caminho que já fez dela um dia a maior nação da Terra, responsável, entre outras pequenas façanhas,como por exemplo o descobrimento da América.
É essa Espanha liberta de fantasmas que o suposto fantasma de Franco reencontraria. Um país de muitas capitais, mas que, tanto do ponto de vista político quanto turístico, começa mesmo em Madrid. Essa cidade surpreendente que, para os padrões europeus, é quase uma criança. Historicamente muito menos importante do que a vizinha Toledo, palco de grandes batalhas e castelos de grandes reis do passado. Geograficamente menos estratégica que Barcelona, sua eterna rival no posto de cidade número 1 da Espanha, situada à beira do Mediterrâneo. Arquitetonicamente menos impressionante que Sevilha, Málaga, Córdoba e outras cidades que herdaram da ocupação moura construções exóticas, com arcos trabalhados e abóbadas. Mas, apesar de todos esses fatos, uma cidade bela, ampla e cosmopolita.
Não é preciso nem estar morto há mais de trinta anos como Franco para levar um susto com a nova cara de Madrid. A cidade se modernizou. Há largas avenidas onde antes não havia nada. Há bairros modernos, de arquitetura arrojada, onde antes havia descampados e acampamentos de ciganos. Há discotecas efervescentes vazando de gente a noite toda em prédios onde outrora viveram marqueses e barões abastados, E, acima de tudo, há jovens bebendo cañas (cervejas) por todos os cantos. Pode parecer incrível, mas os espanhóis gostam tanto da loirinha como os alemães. Claro que não desprezam também o jerez, o conhaque famoso, e o vermute (o qual chamam de bermu). Mas a caña vem na frente. O índice de bares por quilômetro quadrado em Madrid, especialmente em bairros boêmios, é proporcional à sede de viver que os madrilenos exibem desde que a liberdade voltou.
Em outras poucas capitais da Europa, a vida noturna é tão intensa. Não importa o dia da semana, nem a época do ano, todo mundo sai de casa o quanto pode. Do Rei Juan Carlos, que segundo os locais volta e meia é visto roncando sua moto pelas ruas sem nenhuma escolta, ao mais ínfimo dos plebeus, todo mundo vive intensamente na capital da Espanha. Se é fato que o homem passa um terço de sua vida dormindo, os madrilenos parecem decididos a que este terço seja o último, pronto para iniciar seu périplo pelos bares assim que o expediente se encerrar.
A coisa é tão profunda que chega ao extremo. Se você quiser, por exemplo, beber umas cañas e sair para dançar, não adianta aparecer antes das 2 da manhã. É nessa hora, que as discotecas abrem suas portas para receber os madrilenos até a manhã do dia seguinte. E na segunda está todo mundo no batente!
Para um povo que há trinta anos não podia sequer se reunir em praça pública, convenhamos que é um avanço e tanto. Ou uma retomada, se levarmos em conta que a tertúlia, que vem a ser a discussão de um tema qualquer por um grupo de pessoas, é uma das mais caras tradições madrilenas. Espanhóis, como se sabe, adoram discutir. Eles mesmos se divertem com o tema e brincam com a idéia de que, em seu país, "há um rei profissional e 40 milhões de reis amadores".  Desde que Madrid se viu subitamente promovida de fortaleza de Magerit a capital do Reino da Espanha pelo religiosíssimo rei Felipe II, em 1561, os madrilenos saem às ruas para debater e discutir. Em parte porque viver ao ar livre é recomendável nessa região de verões tórridos, onde a estufa é abastecida pelo vento quente soprado do norte da África. Em parte, também, porque o espanhol é um povo forjado por tantas raízes diferentes, de ibéricos a mouros, de romanos a judeus, que a existência de pontos de vista discordantes é o padrão. O único tema que não se discute hoje por aqui é a autoridade do rei Juan Carlos de Borbón.
Atlético e jovial, o monarca que foi ironicamente instalado no poder pelo generalíssimo Franco para ser uma espécie de fantoche das autoridades militares acabou assumindo seu posto de fato e de direito quando, em 1981, apoiou a democracia e abortou uma tentativa de golpe de Estado liderada por viúvas de Franco. Desde então, Juan Carlos é o fiador dos governos espanhóis. E, desde então, as lideranças espanholas estão entre as mais jovens e modernas da Europa.
Isto posto, fica mais fácil entender as mudanças que ocorreram em Madrid. O velho charme das tavernas do Casco Viejo, que é como se chama a região central da capital espanhola, próxima à belíssima Plaza Mayor, continua intacto. Mas ganhou mais brilho com a volta das tunas, os grupos de estudantes que todas as noites circulam pela região tocando violões e entoando antigos sucessos espanhóis em troca de alguns euros eventualmente doados pelos ouvintes. O Paseo de La Castellana, com seus jardins frondosos, conserva sua reputação de avenida mais longa e bela da Espanha, mas ficou mais europeu sem o policiamento ostensivo dos tempos de Franco e com a saudável mescla entre madrilenos da antiga, com suas boinas inconfundíveis, e madrilenos "da movida", vestidos ao melhor estilo moderninho. Até o Museu do Prado, já de antanhos um dos mais importantes acervos artísticos do mundo, ganhou mais destaque. Eis que, em suas imediações, um antigo hospital decadente foi transformado no Centro de Arte Reina Sofia, que já nasceu com um dos mais ricos acervos de arte contemporânea do Ocidente. Para lá foram conduzidos os magistrais trabalhos de Miró e Picasso, artistas espanhóis que se exilaram durante o regime franquista, além do melhor de Dalí, Magritte e outros gênios da pintura e da escultura modernas. Também para o Reina Sofia foi levado o colossal Guernica, de Picasso, considerado por muitos o mais expressivo retrato artístico do século 20 que ocupava o Pavilhão do Retiro, no Museu do Prado.
É verdade que nem tudo mudou. As touradas, por exemplo, sobreviveram à crescente maré ecologista e Madrid continua sendo o grande templo do Olé!  Entre o segundo domingo de março e o último de outubro, a Plaza de Toros de las Ventas, a maior do mundo, em seu estilo neomourisco, continua sediando centenas de corridas, com touros e homens se enfrentando numa batalha de morte. Madrilenos da gema ainda se emocionam até o fundo de suas almas com o bailado das capas vermelhas e aguardam ansiosos o fim do inverno, quando, sob a proteção de San Isidro, há um mês inteiro de corridas diárias. Os touros já não são tão valentes, pelo menos na opinião de boa parte dos entendidos, e olha que eles entendem tanto do tema que há até uma famosa escola de tauromaquia em Madrid. E os toureiros? Também não se fazem mais craques da estirpe de um El Cordobês, por exemplo, se bem que há quem discorde e, em havendo discussão, o jeito é encostar a barriga numa mesa de bar e pedir umas cañas, que é conversa para a noite toda.

Fome? Em Madrid ninguém passa. O hábito de oferecer aperitivos diversos, frutos do mar, empadas, chouriços, frios ou o que seja, aos clientes, as chamadas tapas, é provavelmente um dos mais deliciosos da cidade. Você pede cerveja e ganha calamares. Pede outra e ganha um saboroso prato de presunto defumado. Pede a terceira e lá vêm umas berinjelas temperadas. E assim vão se acumulando as garrafas das cañas e as montanhas de tapas.
Mas nem só de bebidas e aperitivos  vivem os espanhóis. Eles também comem, e como! O cochinillo (leitãozinho assado) é apenas o mais importante dos itens de um cardápio de características orgiásticas numa cidade que tem alguns dos melhores restaurantes do mundo. Mas há outros, milhares de outros. Na mesa, alegremente envolvidos pela fartura, é que os madrilenos revelam o mais cruel de seus instintos, a arrogância. "Em lugar nenhum se come como aqui", com aquele olhar de superioridade que faz os demais espanhóis os chamarem de chulos, que significa esnobes, com um tom um pouco mais pejorativo. Pergunte a um catalão, a um basco, a um andaluz ou a um aragonês e você sempre ouvirá, com o mesmo rancor, que os madrilenos são chulos.
É briga pra mais de metro. O regionalismo, com vertentes separatistas, é a velha questão espanhola, abafada à força de cassetetes pelo regime franquista. Nada tão suave quanto a rivalidade entre paulistas e cariocas. Felizmente, fora um outro exagero do ETA, o violento exército separatista basco, a questão está controlada.

Madrid é uma imensa mistura de estilos que caracteriza (ou descaracteriza) a cidade. Você não vê prédios com arquitetura semelhante como em outras cidades européias. Do neogótico ao neobarroco, passando pelo grandiloqüente estilo fascista, Madrid é uma grande salada arquitetônica, talvez por isso mesmo fascinante. Do Palácio do Oriente, a residência oficial dos reis, ao Palácio das Comunicações, nada é realmente importante do ponto de vista artístico. Mas a mistureba, originária de duas dinastias diferentes, a dos Habsburgos e a dos Borbóns, e de influências austríacas, francesas, italianas e holandesas, forma um conjunto urbano diferenciado e harmônico em suas contradições. Junte-se a isso a notável porcentagem de áreas verdes proporcionada pelos imensos parques públicos, que, somados, fazem de Madrid uma das capitais mais verdes do mundo, e você terá uma cidade fascinante.
Há parques notáveis  na capital da Espanha. O Retiro é uma espécie de Central Park de Madrid. É para lá que conflui a população nos fins de semana e cada árvore é uma bênção na terapia das ressacas da noite anterior (as cañas, lembra-se?). Há quem prefira o Campo del Moro, que é como se chamam os jardins do Palácio Real, quase sempre abertos para os súditos.

Entre tantas árvores, enfim, cultiva-se uma cidade que hoje tem 4 milhões de habitantes e está crescendo para os lados, espalhada por condomínios fechados que avançam pelo subúrbio. Que tem, é claro, um trânsito de metrópole, aliviado por um super eficiente sistema de metrô. Que tem requintes de modernidade, como a novíssima Porta da Europa, um par de prédios construído com inclinação de 14,3 graus, que se debruça, com jeito de quem vai cair, sobre o Paseo de la Castellana. Que tem torcedores do Real e do Atlético de Madrid, rivais tão ardorosos como palmeirenses e corintianos. Que tem um mercado de pulgas chamado El Rastro, onde se compra e se vende de tudo nas manhãs de domingo e onde se pratica a melhor tradição da pechincha ao estilo árabe. Que tem zarzuelas (comédias musicais) e tablados de flamenco para o povo e os turistas se divertirem. E que, depois de todo o agito, sempre tem um churro coberto de chocolate para se comer (o churro é uma antiga invenção madrilena, sabia?).
Espero com este texto te convencer, como outros 60 milhões de turistas a cada ano, a dar uma bela passada por Madrid. E, quando você estiver por aqui, aproveite para comprovar que os tempos do general Franco estão enterrados. Para todo o sempre.

Madrid, a cidade do pecado






Assim como as mulheres dos filmes de Pedro Almodóvar, Madri está sempre pronta para o pecado.  Aqui todo mundo come muito, bebe mais ainda e pára tudo no meio do dia para tirar uma soneca. Toda essa energia gulosamente acumulada é gasta com paixão nas noites, num sem-número de bares, nas tertúlias, nas arenas de touro, nos seios fartos das mulheres arfando para fora dos decotes. Uma cidade que tem orgulho de viver intensamente e sem a menor culpa. Madri peca com prazer.
Essa vocação para a doce vida começa na mesa, onde Madri fez fama. Não fosse por sua celebrada comida e os famosos museus do Prado e Reina Sofia, a cidade passaria quase despercebida dos roteiros turísticos num país que tem atrações como a arquitetura de Barcelona, as praias de Ibiza e o flamenco de Sevilha. Mas Madri acaba conquistando até quem está de passagem a caminho de outras bandas. Primeiro, ela pega pelo estômago, impossível ficar indiferente às paellas, carnes, cozidos e principalmente às tapas, petiscos deliciosos que podem ser lulas, anchovas, croquetes, tortillas e o maravilhoso jámon, o presunto cru, servidos em todo boteco.
Depois, Madri seduz pela beleza inesperada, edifícios medievais, belos monumentos históricos e prédios de diversas épocas, emoldurados por uma enorme quantidade de áreas verdes. Por fim, Madrid encanta por ser acessível, é barata para uma capital européia, o idioma facilita as coisas e a latinidade se incumbe de fazer a gente se sentir em casa.

Sim, fique à vontade. Você pode pecar também. Aqueles pecadinhos para os quais foram feitas as férias aqui fazem parte da rotina, comer quando (e principalmente quanto) quiser, dormir quando der na telha (a cidade pára de funcionar das 14 às 17h, quando os madrilenos estão fazendo a sesta), beber a noite inteira e curtir o momento como só os espanhóis sabem fazer. E gritar um olé depois de um pileque nos bares, onde hoje ferve uma garotada descolada que desconhece o que foram os anos chorosos do ditador Franco. Sossegue, não há a menor violência nas noitadas madrilenas. Se viajar para você é sinônimo de festejar a vida, Madri é o seu lugar. Cuidado apenas ao cobiçar a espanhola do próximo, ou você irá conhecer a ira dos madrilenos. Porque nesse pecado eles também são mestres.
A praça que é uma festa, uma passeada pela Plaza Mayor e você logo saberá que escolheu o destino certo. A praça, como a própria cidade, contém um pouco de tudo da Espanha. Cafés com mesinhas ao ar livre oferecem as copas (drinques) e as tapas que farão você esquecer se algum dia precisou de dieta. Lojinhas vendem regalos (suvenires, em espanhol) como chapéus, abanos (leques) e bonequinhas com roupas típicas. Tocadores de violão ensaiam um flamenco na mesa ao lado, num clima muito familiar para qualquer um de nós. Vendedores oferecem rosas e badulaques eletrônicos e rapidinho você estará papeando com os vizinhos, no idioma que escolher. Madrid está na moda, sua atmosfera fascina os estrangeiros. Todos os dias eles lotam a Praça Mayor, um cenário cercado por prédios do século 17 e 18, assinado pelo arquiteto Juan de Villanueva.

Isso é Madri. Como toda sedutora, Madri é orgulhosa. Os madrilenos se acham o máximo e a cidade transpira um vigor, uma virilidade de causar arrepios.  Parece que a qualquer momento eles vão estufar o peito, sacar as castanholas e sair sapateando. O que dizer de um lugar que tem como diversão as touradas e o flamenco?  Não há programas mais perfeitos para entender a soberba local. Sim, porque para encarar um touro de frente ou uma platéia de olho no seu sapateado é preciso acreditar.  Orgulhosos, por que não? Dizem que tanta altivez ajudou a afundar a soberania dos espanhóis, que nos tempos dos touros gordos foram donos de metade do planeta. Era o século 17, quando a simplicidade não dava o menor ibope. Para ilustrar com uma historinha, o rei de então, Felipe IV, mandou fazer um quarto real no Mosteiro de Los Jerônimos só para meditar e acabou construindo um palácio inteiro, mais um jardim real quase do tamanho do Central Park de Nova York. O dinheiro escorria pelos cantos nas brincadeiras desse povo que se achava invencível. E acabou vencido. O palácio desapareceu nas batalhas e da luxúria toda sobrou apenas o jardim, hoje o belo Parque do Retiro (o tal retiro espiritual que o rei buscava), para onde segue metade da população de Madrid todos os finais de semana. A outra metade viaja para as belas cidadezinhas dos arredores, como Toledo, Aranjuez ou Segóvia.

Moderna, pero no mucho. São cenas da Madri cosmopolita, da mistura de imigrantes e dos prédios modernos no Paseo de las Castellanas, a maioria deles projetados por arquitetos japoneses. É a Madri alternativa da Feira do Rastro, o mercado de pulgas que congrega os moços de brinco, as moças de cabelo verde e outros tantos que são, ao mesmo tempo, moços e moças. Das lojas da Ribera dos Curtidores, que mistura antiguidades com outras bossas, como piercings, tatuagens, roupas de todos os tons. É uma ousadia meio tímida, ainda. No que interessa para a gente, a cidade não mudou. Olhe ao redor. O pecado, esse continua no ar. Observe o figurino provocante das moças, o olhar cobiçoso da rapaziada às garotas mais curvilíneas, a vida noturna de Madrid que, é a mais animada e cheia de luxúria de toda a Europa. E na soberba, na gula, na preguiça, na ira, na inveja... dos outros, claro. Madrilenos não admitem invejar ninguém. Negam até a famosa rixa com o pessoal de Barcelona, aceita apenas nos gramados de futebol.
Celebre Madrid. Abra um vinho, de preferência, um espanhol da região de Rioja, uma das melhores produtoras do mundo, e escolha um bom restaurante para praticar o melhor pecado de Madri, a gula. Antes, tenha em mente que por estas bandas só se janta depois das 22h, porque os madrilenhos dormem à tarde, lembra-se? Depois, saia  flutuando pelos bares e danceterias, até terminar a noitada, e quando bater aquela culpa, bem,  derreta-se de prazer. Não é hora de sentir culpa. Madri não é o lugar. Mas, se ainda assim sua consciência pesar, igrejas para pedir perdão não faltam e são todas lindas.
Bem, se a culpa for apenas pelos quilinhos a mais, caminhe, Madri é plana, agradável, foi feita para passear. Ande pelos jardins do Campo del Moro, pelas arborizadas ruas da cidade e pela Plaza Oriente, a mais linda da cidade, onde ficam o luxuoso Palácio Real, onde viveram os reis até o começo deste século. E visite os museus. Madri tem dos melhores, como o Reina Sofia, onde está Guernica e mais tudo o que importa de Picasso, Miró e Dalí. E o mais famoso, o do Prado, com El Greco, Rubens, Velázquez e Goya, aquele que escandalizou a Espanha e o resto do globo com sua Maya Desnuda, um retrato da duquesa de Alba, sua amante.

Escândalo? É com Madri, mesmo. A cidade venera os deslizes da sua realeza. Juan Carlos, o rei, vira e mexe aparece posando de conquistador com jornalistas e visitas oficiais. O povo adora. Como adora a rainha Isabel II, do século 19, até hoje a predileta dos madrilenos porque sabia das coisas. Casou-se, por obrigações do cargo, com seu primo, um sujeito sem graça com nome de santo, Francisco de Assis. Diz a lenda que o esposo da rainha não tinha, digamos, a energia necessária para acompanhá-la. Bocas mais picantes asseguram que Francisco preferia os rapazes, tal qual Isabel, que naquela época já exercia seu feminismo escolhendo jovens amantes na platéia da ópera. Assim como as mulheres de Almodóvar, Isabel II, a favorita de Madrid, estava sempre pronta para o pecado.
Como não se deixar seduzir por uma cidade com uma história dessas?

Puerta de Europa

As torres Puerta de Europa foram os primeiros arranha-céus inclinados do mundo, são feitas de cristal, granito e metal, com 114 metros de altura, 27 andares cada e uma incrivel inclinação de 15 graus.
O segredo da construção se baseia que a maioria do peso está sustentado por um eixo central. As torres se encontram na Plaza de Castilla e são a entrada norte de Madrid. Atualmente as torres se tornaram um dos ícones mas conhecidos de Madrid.

 

 

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Estadio Santiago Bernabeu

Para os amantes do futebol este é um templo de grandes deuses, os deuses do futebol, os melhores e mais bem pagos jogadores de futebol do mundo atuam no Real Madrid, um dos times da capital espanhola.
Foi inaugurado em 14 de dezembro de 1947 num jogo contra o Belenenses e tem uma capacidade para 84.956 espectadores.

 

 

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Plaza de Toros de Las Ventas

Independete da sua opinião sobre touradas, há que reconhecer que Las Ventas é uma das mais belas praças de touros da Espanha. Construída em 1929 em estilo neomudéjar, substituiu o edifício original situado perto da Puerta de Alcalá. Os seus arcos em ferradura nas galerias exteriores e a decoração de azulejos tornam o edifício atraente para as corridas (touradas) que se realizam de Maio a Outubro. As estátuas no exterior são de dois toureiros espanhóis, António Bienvenida e José Cubero.
Junto a praça de touros está o Museo Taurino, que contêm uma coleção interessante e variada de recordações, incluindo retratos e esculturas de matadores célebres e cabeças de diversos touros mortos em touradas em Las Ventas. Os visitantes podem examinar capas e banderillas. Para algumas pessoas, a maior atração exposta é o esanguentado traje de luces usado por Manolete na sua última tourada em Linares, na Andaluzia, em 1947. Também se expõe um das roupas que pertenceu a Juanita Cruz, toureira dos anos 30, que, por questão de preconceito, foi forçada a deixar a Espanha.