My dream is having all this map painted in red

Tuesday, 13 January 2009

Bilbao

 

 

 

Já havia algumas semanas que tinha planejado ir para o norte da Espanha logo após o reveillon, a tempos que quero conhecer esta complicada parte da Espanha, conhecida por País Basco. No entanto um dias antes de embarcar para Bilbao, soube através dos noticiários sobre a explosão de um carro bomba em frente a sede da Rádio Televisión Basca em Bilbao, ataque esse, felizmente sem vítimas, reinvidicado pelo grupo separatista Basco ETA. Para quem não sabe, o ETA é um grupo terrorista que luta pela independência do País Basco em relação a Espanha e a França.
Ponderei se este seria o melhor momento para visitar aquela parte da Espanha, talvez fosse melhor deixar esta visita para um outro momento, depois pensei melhor e decidi ir mesmo assim, não seria um ataque terrorista isolado que iria me privar de conhecer esta parte da Espanha.

 

E acho que foi uma decisão sábia porque conhecer esta particular região da Espanha me ensinou muito. Antes de tudo é necessário saber que apesar de “ainda” pertencer a Espanha o País Basco não é Espanha, e nem é preciso ser um separatista do ETA para constatar isso. Ao passar pelas cidades desta parte da Espanha a primeira coisa que se nota é a arquitetura, completamente distinta do resto do país. A origem dos bascos é controversa, supõe-se que tenham se estabelecido na Península Ibérica em 2000 a.C. Eles resistiram às legiões romanas que dominaram a região em 30 a.c. e conseguiram manter cultura e idioma próprios. A língua basca, ou euskera, é cheia de “x”, “k” e “u” e extremamente exótica para quem fala português. Para se ter uma idéia do tamanho da encrenca, mulher de vida fácil é “txatxala”, transar é “larrutan engin”, dinheiro é “esku dirua” e polícia é “hirizaingoa”. Mas não se preocupe, a população basca, mesmo as “txatxalas”, falam espanhol e entendem bastante bem o portunhol. Além disso, os bascos são um povo festeiro e extremamente calorosos com os visitantes.

 

Voltando a Bilbao, não acredite quando disserem que lá só tem o Museu Guggenheim e nada mais. Mentira. Bilbao é uma cidade vibrante, sofisticada e de vida noturna agitada. O Guggenheim, na verdade, é um tanto bizarro. Parece uma "bolha assassina" de titânio crescendo disforme à margem do Rio Nervión. Dentro, é pior. Alguns corredores não têm saída e várias salas se fecham em ângulos absurdos. Sobra conceito e falta praticidade ao prédio do arquiteto Frank O. Gehry. A melhor maneira de curti-lo é se convencer de que você está dentro de uma obra de arte o que não é de todo uma afirmação falsa. O museu tem mostras regulares de artistas contemporâneos, como De Kooning, Calder e Jeff Koons.
O Guggenheim Bilbao é um dos cinco museus pertencentes à Fundação Solomon R. Guggenheim no mundo e é hoje um dos locais mais visitados da Espanha num esforço para revitalizar a cidade de Bilbao que hoje recebe visitantes  de todo o mundo.
Sua construção se iniciou em 1992, sendo concluído cinco anos mais tarde. Externamente o museu é coberto por superfícies de titânio curvadas em vários pontos que lembram escamas de peixe, mostrando a influência das formas orgânicas presentes em muitos trabalhos de Gehry.
O museu apesar de imponente recebe várias críticas desde sua inauguração, por ser um museu de vanguarda, mas somente por fora, pois as salas de exposição são quase todas iguais a de outros museus, ou seja, inovou-se no exterior mas não na função básica do museu, que é conservar e expor obras de arte. E por ser um museu tão inovador, uma justa crítica que ele recebe é a de ser mais atraente do que as próprias obras expostas no seu interior. Além do seu elevado custo relacionado ao caráter experimental de muitas inovações usadas em sua construção que fazem deste gigante edifício um recordista em custos de manutenção e limpeza.

 

Além do museu, para conhecer Bilbao é necessário visitar o seu centro velho, conhecido aqui por “casco viejo”, uma zona boêmia, cheia de bares e restaurantes. Se gostas mais das compras, as melhores lojas estão na Gran Via Don Diego Lopez, que corta praticamente a cidade inteira e que oferece grande variedade de artigos, desde artesanato local até as botiques de lojas sofisticadas.

 

Desse modo não deixe de visitar Bilbao só porque o ETA resolveu chamar mais uma vez a atenção para sua causa explodindo um carro bomba em um lugar qualquer e saiba que para conhecer Bilbao não basta tirar algumas fotos do Guggenheim, a cidade têm muito mais do que isso para lhe oferecer.

 

 

 

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