Minha maior paixão é viajar, adoro colocar uma mochila nas costas e sair explorando o mundo, sem saber as pessoas que irão passar pelo meu caminho deixando o acaso me levar.
Um blog sobre viagens que se preze deve ter a capacidade de transportar seus leitores até os lugares falados aqui, não sei se consigo tanto mas espero um dia poder chegar lá.
Friday, 13 January 2012
Tuesday, 10 January 2012
Mariana – A primeira capital mineira
Apesar de hoje turisticamente Ouro Preto ser mais atraente, a primeira cidade e capital mineira não foi Vila Rica (antiga Ouro Preto), mas sim a vizinha Mariana. No finalzinho do século 17, foi lá que os bandeirantes paulistas acharam um solo plano para montar o primeiro arraial da região.
Em 1711, Mariana foi elevada à categoria de vila e, mais tarde, virou sede do bispado, o que permanece até hoje. O seu nome foi escolhido pelo rei de Portugal D. João V que nomeou a cidade em homenagem a sua esposa, Maria Ana de Áustria e chegou a ficar conhecida como "eldorado mineiro".
A Igreja da Sé de Mariana, com uma fachada de inusitadas linhas orientais e telhado imitando um pagode chinês (influência da conquista de Macau pelos portugueses na época), só perde em riqueza e ostentação para a matriz do Pilar de Ouro Preto. No interior da Sé, um raro órgão alemão de 1701 ainda pode ser apreciado em concertos as sextas e domingos.
Geralmente Ouro Preto e Mariana são cidades visitadas em conjunto e a melhor forma de se chegar até Mariana é através da Maria-Fumaça que liga ambas as cidades. Se for fazer o trajeto Ouro Preto - Mariana o melhor é sentar-se do lado direito para ver as cachoeiras, montanhas, cânions e o Ribeirão do Carmo. O bilhete de ida e volta em vagão comum custa R$35,00 e só ida custa R$22,00. Há também um vagão panorâmico e neste caso o bilhete de ida e volta custa R$60,00 e R$35,00 só de ida. As saídas são de sexta a domingo às 10:00hs e 15:30hs e o retorno de Mariana às 08:30hs e 14:00hs.
A construção deste ramal ferroviário foi iniciada em 1883, tendo seu prolongamento até Mariana sido concluído em 1914. Foi um sonho acalentado durante muito tempo já que a locomotiva naquele tempo era um sinal de prosperidade, um marco do progresso. Tudo isso quando o ouro já não vertia mais. Era preciso substituir o sonho do ouro por outro. E o trem permitia isso. Também serviu para selar ainda mais o destino destas duas cidades, irmãs na história. Restaurada em 2006 a estrada de ferro com seus 18 quilômetros, recebe agora os turistas, que tem agora mais um motivo para conhecer e penetrar nos segredos de Minas Gerais.
Tuesday, 27 December 2011
Capitólio - Cidade Rainha dos Lagos
Capitólio hoje comemora 63 anos, no dia 27 de Dezembro de 1948 conseguiu sua independência político-administrativa, tornando-se município.
Para comemorar esta data especial coloco aqui neste blog este belo vídeo contando um pouco mais desta cidade onde cresci e que faz parte da minha vida.
Parabéns Capitólio por seus 63 anos!!!
Sunday, 25 December 2011
Ouro Preto – Uma cidade folheada a ouro
Ouro Preto é uma cidade encravada nas encostas das montanhas da região serrana de Minas Gerais. Mas Ouro Preto é bem mais do que isso. É também sinônimo de amantes, como a brasileira Maria Dorotéia Joaquina de Seixas e o poeta português Tomás Antonio Gonzaga, que acabaram famosos no poema escrito por ele, Marília de Dirceu. E, por fim, pertence a um grupo de inconfidentes mineiros, como Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, que teve pedaços de seu corpo expostos nos postes da cidade a mando da coroa portuguesa.
O orgulho marcado no rosto de cada ouro-pretano tem um pouco a ver com essa mistura de fatos e personagens muito diferentes entre si, que acabaram levando a cidade a ser uma das preferidas de quem gosta de cultura, história e noitadas regadas a cerveja e pinga nos bares locais. Os moradores fazem homenagens aos heróis da cidade em forma de placas de lojas, Drogaria Tiradentes, Joalheria Tiradentes ou ainda Sapataria Marília de Dirceu.
Apesar de a cultura mineira ser tradicionalíssima e conservadora, todo esse acervo, hoje, não pertence mais aos ouro-pretanos, muito menos aos mineiros. As igrejas e o casario histórico são Patrimônio da Humanidade, título dado pela Unesco em 1980 para proteger a cidade. Isso explica os bandos de turistas franceses, alemães e italianos que chegam ali todas as semanas para permanências curtas, as vezes de menos de 24 horas.
Mas a cidade tem outro tipo de público flutuante, os estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto. É gente que chega de todo o Brasil para estudar ali, beber ali e, mais do que tudo, levar novos hábitos e modismos à moçada da região. O povo local parece não gostar muito. Considera a rapaziada intrusa, pois ocupa as melhores casas, coloniais, cedidas pelo governo mineiro, as conhecidas repúblicas de Ouro Preto. Os estudantes, porém, são a alma da cidade que, sem eles, é um amontoado de construções históricas sem sentido.
Para conhecer a cidade escolha tênis confortáveis, pois ladeiras e igrejas são coisas que não faltam em Ouro preto. Não é preciso conhecer todas, a não ser que haja algum interesse específico na arquitetura religiosa ou nos estilos que variam do barroco ao rococó. São fundamentais a igreja Nossa Senhora do Pilar, e seus 300 quilos de ouro, a Matriz Nossa Senhora da Conceição e a de São Francisco de Assis, que levam as marcas de Aleijadinho e do pintor Manoel Athaide.
Para encontrar esses e outros pontos turísticos basta uma caminhada pelas ladeiras da cidade. É preciso ter preparo físico ou paciência para andar bem devagar. Uma segunda opção é usar o serviço dos guias turísticos, credenciados pela prefeitura local. Um cuidado que os turistas devem tomar em Ouro Preto é com uma mania dos mineiros de uma forma geral, com pedidos de informações sobre distâncias. Uma caminhada de dez quilômetros é transformada em um simplíssimo "é logo ali".
Apesar do título dado pela Unesco, Ouro Preto mantém-se com características basicamente mineiras. É como se as pessoas ali não quisessem dividir o lugar que moram com o mundo. Misteriosa, com os seus becos e ruelas, a cidade tem o charme que encanta o turista na primeira caminhada, levando-o a imaginar cenas famosas. É quase possível ver, em uma das pontes sobre os riachos que cruzam a rua São José, Dirceu enamorado da jovem Marília, escrevendo o seu poema de amor eterno. É também quase possível ouvir os gritos de indignação dos inconfidentes contra a Coroa Portuguesa. E, na igreja de São Francisco de Assis, é quase possível ver o Aleijadinho, pendurado no teto, fazendo a sua obra.
No século 18, quando Nova York não passava de uma pequena cidade com 20 mil gatos-pingados e sofria com incêndios e epidemias de febre amarela, a cidade de Vila Rica, futura Ouro Preto, em Minas Gerais, era uma das mais promissoras do mundo. Com 120 mil habitantes e minas de ouro que pareciam inesgotáveis, Vila Rica não parava de erguer igrejas e casarões suntuosos, decorados pela melhor arte barroca da época. O lugar reluzia. Seu único problema era que a maior parte da riqueza extraída do solo generoso da província ia parar na Corte Portuguesa. Enquanto isso, a modesta cidade norte-americana ia recebendo imigrantes, inchando, enriquecendo. O resultado todo mundo conhece, Nova York virou uma metrópole e Ouro Preto ficou parada no tempo, vivendo do passado.
Melhor assim. Se o ouro ainda estivesse jorrando em Ouro Preto, muito provavelmente o progresso teria agraciado essa cidade com ruas largas e asfaltadas, fazendo surgir uma arquitetura banal e indefinida, como a de tantos outros lugares. E não se poderia fazer a fascinante viagem no tempo que se faz hoje ao percorrer Ouro Preto. Antes disso, era apenas um monumento nacional. E com justiça. O lugar é um dos melhores exemplos de arquitetura barroca do mundo inteiro. Vista do alto, a cidade impressiona pelas ruelas tortuosas repletas de casarões coloniais geminados, pelo mar de telhados cor de abóbora que descem e sobem ladeiras e pelas treze igrejas e sete capelas que despontam no alto das colinas. Para completar o cenário, Ouro Preto vive coberta por uma bruma que lhe dá um ar misterioso.
Ouro Preto fica no Vale do Tripuí, a 96 quilômetros de Belo Horizonte. Foi nessa região que os colonizadores portugueses encontraram o ouro mais puro em terras brasileiras, podia chegar a 23 quilates que ainda tinha a característica de vir sempre coberto com uma camada de óxido de ferro. É da cor escura do ferro que vem o nome Ouro Preto que rebatizou Vila Rica.
Na vida real, porém, Ouro Preto, então Vila Rica, também protagonizou uma história de amor shakespeariana: o romance entre Marília e Dirceu. O poeta português Tomás Antônio Gonzaga, o Dirceu, costumava encontrar-se com Maria Dorotéia Seixas, a Marília, num chafariz ao lado da Ponte dos Suspiros, um lugar acolhedor para os namorados até hoje. Ele era um dos inconfidentes e acabou exilado em Moçambique, onde se casou. Marília, porém, permaneceu solteira e esperou pelo noivo até os 91 anos de idade. Foi quando ficou sabendo por carta que ele havia se casado com outra, e morreu de desgosto.
Já a Praça Tiradentes, o centro nervoso de Ouro Preto, foi palco de uma história ainda mais trágica. Foi ali, no poste central, que ficou exposta a cabeça do líder da Inconfidência Mineira, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, enforcado no Rio de Janeiro, em 1792, pondo fim ao movimento da elite mineira contra os pesados impostos recolhidos pela Coroa Portuguesa. Desde 1750 a extração do ouro já estava mal das pernas, mas Portugal continuava taxando a quantia fixa de 1500 quilos de ouro anuais, sem considerar qual era a produção. Os conspiradores começam a se reunir em 1789, quando foi anunciada a derrama, a cobrança de impostos atrasados.
Onde a cabeça de Tiradentes foi exposta, hoje repousa sua estátua, sempre cercada por estudantes e guias de turismo de plantão esperando fregueses. E é ao redor da praça que ficam as maiores atrações da cidade. Numa das extremidades, há o belo prédio do Museu da Inconfidência, que abriga os túmulos dos inconfidentes. Ao lado do museu fica a Igreja Nossa Senhora do Carmo, projetada por Manuel Francisco Lisboa, o pai do Aleijadinho. No lado oposto da praça, o Museu de Mineralogia. Descendo a Rua Cláudio Manuel, chega-se à casa de Tomás Antônio Gonzaga. Mais à frente, a linda igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho e com o teto magnificamente pintado por Manuel da Costa Athayde. Na frente da igreja funciona uma feirinha permanente de artesanato com pecinhas de pedra-sabão.
Do lado oposto da praça fica a ladeira mais animada de Ouro Preto, a Rua Direita, onde ficam os bares frequentados pelos 3000 estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto. São eles os responsáveis por um aspecto da cidade que de sacra não tem nada. A antiga Vila Rica está repleta de repúblicas estudantis de nomes curiosos, como Hospício Loucos por Saia, Purgatório ou ainda Mina das Minas. A noite rola não só nos bares, mas também nas festas que acontecem nas repúblicas. Existe até um tabloide informal com a programação da noite. No Carnaval, por exemplo, a onda é a "janela erótica", uma produção que inclui lençóis nas janelas de algumas repúblicas, canhões de luz estrategicamente posicionados atrás e estudantes dançando, às vezes nus, dentro da casa. A silhueta basta para animar a galera que passa na rua. Apesar de tudo, Ouro Preto já aprendeu a ser condescendente com a estudantada.
COMO CHEGAR:
Sem aeroporto, Ouro Preto é acessível apenas por terra para quem sai de Belo Horizonte (96 quilômetros de distância). Há partidas diárias de ônibus da capital mineira, do Rio e de São Paulo. Para quem viaja de carro a partir dessas cidades, pegue a BR-040.
SER MINEIRO É…
...Comer pão de queijo de manhã, de tarde e à noite
...Falar tudo no diminutivo
...Ter sempre um causo para contar
...Fingir que não sabe aquilo que conhece bem
...Ser simpático, mas desconfiado
...Dizer um "uai" a cada dois minutos
...Ser raposa na política
...Ouvir muito e falar pouco
...Só acreditar na fumaça quando vê o fogo
...Responder sempre "é logo ali"
...Por via das dúvidas, fazer promessa a dois santos
...Não gostar de gastar dinheiro
Saturday, 17 December 2011
Meia-noite em Paris
"Paris in the morning is beautiful, Paris in the afternoon is charming, Paris in the evening is enchanting. But Paris after midnight, is magic."
Recentemente tive a oportunidade de ver este filme num voo de Lisboa para São Paulo e simplesmente adorei. Adoro Paris, sou um amante da capital francesa e neste filme além de cenário, ela é quase parte do elenco.
Gil e Inez (Owen Wilson e Rachel McAdams), um casal americano, estão noivos e de visita a Paris. De casamento marcado, eles têm ainda algumas dificuldades em acertar detalhes no que diz respeito à vida em comum. Ele é um argumentista de Hollywood com "síndrome da Idade de Ouro" que sonha viver em Paris e escrever o romance da sua vida seguindo os parâmetros dos grandes escritores da história da literatura. Já ela é uma mulher pragmática que aspira a uma vida estável e luxuosa nos EUA.
Uma noite, embriagado pela beleza da cidade (e algum vinho), Gil perde-se na cidade e vive a mais extraordinária experiência da sua vida num encontro com personagens que ele julgava existir apenas nos livros e que o farão reformular toda a sua existência.
Dirigido por nada mais nada menos que Woody Allen, que assim como fez em “Vicky Cristina Barcelona”, tira partido da beleza das locações, mostrando uma Paris de filme publicitário de turismo, para deleite dos espectadores, que se deslumbram com os ângulos mais espetaculares da capital francesa.
O filme definitivamente entrou para a minha lista de favoritos, sem dúvida um filme para se ter em casa e ver e rever várias vezes, afinal, Paris pela manhã e linda, Paris à tarde é charmosa, Paris à noite é encantadora. Mas Paris depois da meia-noite, é mágica.
Voo TAP 82 – São Paulo / Lisboa – 10/12/2011
Se o voo de ida para São Paulo tinha sido quase perfeito, o voo de volta para Lisboa não posso dizer o mesmo. Os problemas todos começaram com a suposta greve dos pilotos da TAP, por este motivo tive que remarcar o meu voo de retorno para 3 dias depois, o que me deixou bastante aborrecido pois iria voltar mais tarde a trabalhar descumprindo com aquilo que havia combinado e não gosto nada disso.
Felizmente a greve foi cancelada, entretanto só o fizeram uma hora antes do início oficial, causando imensos transtornos aos clientes da empresa. Com isso, voltei a ligar para a TAP e consegui que voltassem o meu voo para o dia original e neste caso até acabei por sair ganhando pois o meu voo original não era direto, havia uma conexão em Belo Horizonte e com a remarcação acabei por se colocado num voo direto de São Paulo para Lisboa.
Eu sinceramente tenho grande afeição pela TAP, acho uma companhia aérea que presta um bom serviço de modo geral ao seus clientes e por este motivo vejo que fazem bem em privatizá-la, pois neste momento sindicatos irresponsáveis que simplesmente querem obter vantagens e não pensam no transtorno que causam a milhares de pessoas com essas greves a meu ver injustificadas.
Relativamente ao voo a experiência poderia ter sido melhor. O voo partiu de São Paulo no horário estipulado, entretanto em momento algum o capitão da aeronave entrou em contato com os passageiros para passar qualquer tipo de informação do voo, algo incomum nos voos da TAP.
Durante o voo foi servido um jantar e próximo da chegada um café da manhã (pequeno almoço) que consistia de:
JANTAR
Entrada: Salada de Batata, Milho Verde e Cenoura
Prato Principal: Moqueca de Banana da Terra e Frango, Arroz com Salsa ou Penne com Molho Concassé com Bacon e Queijo Parmesão.
Sobremesa: Pudim de Pão.
CAFÉ DA MANHÃ:
Omelete de Claras e Salsinha com Tomate Concassé e Presunto (fiambre) de Peru. Muffin de Limão. Fruta da Estação. Manteiga e Geleia. Café, chá.
No jantar acabei por escolher a Moqueca e apesar de saborosa o prato não estava na temperatura ideal. O Pudim de Pão servido como sobremesa é de se salientar, estava muito bom. Quanto ao café da manhã achei estranho a escolha do omelete, pois não se come omelete no café da manhã nem em Portugal, nem no Brasil, eu pelo menos, não consigo comer isso logo pela manhã, acabei por deixá-lo intacto.
Diferente do voo de ida, a tripulação do voo de volta não era muito simpática, a aeromoça (hospedeira) que estava encarregada da minha sessão do voo poderia ter se esforçado um pouco mais em agradar os passageiros. Pedidos simples como um pouco mais de gelo no suco (sumo) não foram atendidos, dizia somente que o gelo havia acabado, sem dar-se ao trabalho de verificar com um outro membro da tripulação se este ainda tinha gelo.
Como já é habitual nos voos de longa duração da TAP o serviço de entretenimento é muito bom, com vários filmes, documentários, séries e música para fazer as longas horas dentro do avião mais confortáveis.
Como conclusão digo que o que faz de um voo uma experiência boa para o passageiro além dos confortos oferecidos pela aeronave são a tripulação que nela trabalha. Não adianta em nada um avião moderno e com todos os confortos se a tripulação não é simpática com os passageiros e desse modo, cada voo é uma experiência diferente e as empresas aéreas devem na minha opinião investir bastante no treinamento de seus funcionários para conseguir cada dia mais fidelizar os seus clientes.
Saturday, 3 December 2011
Homenagem à Minas Gerais
Eu nasci no celeiro da arte No berço mineiro Sou do campo da serra Onde impera o minério de ferro
Eu carrego comigo no sangue Um dom verdadeiro De cantar melodias de Minas No Brasil inteiro
Sou das Minas de ouro Das montanhas Gerais Eu sou filha dos montes Das estradas reais
Meu caminho primeiro Vi brotar dessa fonte Sou do seio de Minas Nesse estado um diamante.
Tuesday, 29 November 2011
Voo TAP 2561 – Lisboa / São Paulo – 23/11/2011
Sempre gosto de observar a qualidade do serviço prestado por companhias aéreas em voos de longo curso. Desta vez tive a oportunidade de estar num voo TAP, código 2561, entre Lisboa em Portugal e São Paulo no Brasil, realizado no dia 23/11/2011. O voo inicialmente tinha horário de partida agendado para às 23:20, entretanto, devido a Greve Geral que iria acontecer em Portugal no dia 24/11 os voos do dia 23 a partir das 22:00hs já seriam afetados.
A TAP, com o intuito de minimizar os transtornos aos passageiros alterou o horário deste voo para às 20:30hs, escapando das restrições que a greve causaria e mostrando o seu compromisso em oferecer o melhor serviço possível aos passageiros. Como vários voos foram antecipados naquele dia o aeroporto de Lisboa ficou um pouco caótico, com longas filas para o raio-x, caos esse já habitual em vésperas de fins de semana prolongados e em dias não habituais como este.
O voo acabou por partir com 20 minutos de atraso, atraso este que não comprometeu o horário de chegada, previsto para as 04:30hs do dia 24/11, pois o piloto acabou por compensar durante o voo. A tripulação era bastante atenciosa e foi agradável em todas as etapas do voo. O serviço de entretenimento oferecido no voo foi muito bom, com uma vasta gama de filmes (novos e antigos), séries, documentários, música e jogos. Este serviço de entretenimento é bastante importante na minha opinião pois faz de um voo longo como este, com duração de 10 horas mais confortável.
Em relação a alimentação, foi servido um jantar que consistia de uma salada de grão de bico como entrada, opção de frango e massa como prato principal, leite-creme como sobremesa, pão, bolacha de água e sal, manteiga e queijo para barrar. Além de várias opções de bebidas como vinho, suco (sumo), refrigerantes e água. Após a refeição foi também servido um café.
Próximo do nosso horário de chegada a São Paulo foi também servido um café da manhã (pequeno almoço), que consistia de croissant, pão, manteiga, queijo para barrar, presunto (fiambre), queijo, frutos secos, polpa de maça com creme de leite (natas), e opções de bebidas como café, chá e suco (sumo). As refeições de maneira geral possuíam boa apresentação, foram servidas na temperatura certa e um detalhe que por mim não passa despercebido é a oferta de talheres em metal, nada de talheres de plástico, muito comuns em várias companhias aéreas por aí.
A minha conclusão foi que a empresa prestou um serviço de qualidade, a altura do preço cobrado, que no caso da TAP não costuma ser muito barato. Talvez por querer manter a excelente ocupação dos voos numa das rotas mais rentáveis para a companhia e que inexplicavelmente na minha opinião, não possui concorrência.
Friday, 18 November 2011
Thursday, 17 November 2011
Munique – Muito mais do que Oktoberfest
Munique é um ótimo destino para os amantes de cerveja, admiradores de história e fãs de música, mas ultimamente a capital da Baviera é reconhecida como um ótimo lugar para se viver. A revista “Monocle” a classificou recentemente como a melhor cidade para se viver no mundo, citando seus imóveis residenciais de alta qualidade, baixa criminalidade e “sentimento geral de aconchego”. Seu transporte público foi recentemente considerado o melhor da Europa. E sua célebre cultura da cerveja é tão presente que é impossível não querer passar em um pub depois do trabalho e tomar umas loirinhas com os amigos.
Munique, assim como toda a Alemanha é uma cidade organizada, limpa, pontual, responsável e inteligente. E o melhor é que além de tudo isso não falta animação, belas paisagens, história e muita cultura, seja com concertos de Bach e Beethoven no meio da rua ou na genialidade das construções ou na beleza das mulheres loiras de olhos claros.
Tudo funciona impecavelmente, seja nos trens, metrôs ou bondes, o sistema é de total confiança e pontualidade. Nenhuma das estações de trem ou metrô possuem catracas e as pessoas pagam pelo bilhete pela simples ideia de que seria impensável usufruir de algo assim e não pagar, incrível não? As estradas e aeroportos também são moderníssimos e a infraestrutura para o visitante é excelente com hotéis/hostels, restaurantes muito bem cuidados e atendimento impecável.
A língua oficial é claro o alemão, mas todos falam inglês, o que facilita bastante a vida dos visitantes, fazendo de Munique uma cidade bastante amigável aos turistas que enchem suas ruas todos os dias.
O ponto de encontro de todos é a praça que fica no coração de Munique, chamada Marienplatz, tem alguns dos prédios mais emblemáticos do centro histórico como a Coluna de Maria, do século XVII, fica ali também a antiga Câmara Municipal e o edifício neogótico da Nova Prefeitura (Neues Rathaus).
Outra região bastante agradável para um passeio e o Olympiapark, palco dos Jogos Olímpicos de 1972, esta parte da cidade foi toda construída para receber o evento e hoje possui prédios modernos como o Museu da BMW. Muito verde, esta área é ideal para relaxar, fazer pic-nics e observar a vida desenrolar-se por esta cidade.
A conclusão que chego sobre Munique é que esta é uma cidade ofuscada pela cerveja, não que a cerveja seja ruim, pelo contrário, recomendo vivamente experimentar várias canecas dessa bebida que é parte desta cidade, mas a capital da Baviera é muito mais do que isso. Sóbrio, você verá que esta é também uma cidade com grande vocação para a arte, muitos músicos, cineastas, arquitetos e artistas plásticos escolheram a cidade para viver e fazem dela um lugar mais vibrante.
Mas não podemos esquecer, estamos falando de Munique, berço da Oktoberfest, para os amantes da cerveja não faltam lugares para estimular a bebedeira, ao todo a cidade possui mais de 400 bierkellers (pubs fechados) e biergartens (bares ao ar livre) e as celebrações regadas a cerveja estão longe de se restringir aos quinze dias de festa. Na verdade, a impressão que se fica é que Munique vive numa eterna comemoração embora ofereça um vasto patrimônio cultural, comércio fervilhante e muitas histórias para contar.
Também não faltam comidas típicas como o onipresente bratwurst (salsichão assado), o chucrute e os deliciosos lebkuchenherzen (biscoito de chocolate em formato de coração). Alguns são enormes e ajuda a repor o nível de glicose do organismo quando a entrega aos prazeres etílicos supera o bom senso.
Saturday, 12 November 2011
Dachau – Campo de Concentração
Quando viajamos queremos muitas vezes nos divertir, nos alegrar, ver coisas diferentes mas algumas vezes isso nem sempre é possível, as vezes é necessário visitar lugares que ficaram marcados pela dor, pelo sofrimento.
Digo necessário pois precisamos ver com nossos próprios olhos como coisas horríveis aconteceram no passado e assegurar que coisas como estas não aconteçam novamente. Aprender com o passado, aprender a não cometer os mesmos erros e se solidarizar com aqueles que o sofrimento foi sentido na pele.
O Campo de Concentração de Dachau na Alemanha é um lugar que faz os nossos sentimentos aflorarem, sente-se angústia, desprezo, raiva, ódio, compaixão, pena e mais um turbilhão de emoções ao visitar este lugar. Não é por isso que deve deixar de ser visitado, aprende-se muito com uma visita como esta e nos torna pessoas mais conscientes de momentos da história mundial que devíamos ter vergonha de termos permitido acontecer.
Logo na entrada sente-se o primeiro arrepio ao deparar-se com um portão de ferro com a inscrição "Arbeit macht frei" que significa “O trabalho liberta”. Tenho que admitir que o arrepio não desaparece pois a medida que se entra no campo de concentração e vai conhecendo os detalhes de tudo que aconteceu naquele lugar a sensação de revolta aumenta.
Em 22 de março de 1933, semanas após a eleição de Adolf Hitler para a chancelaria do Reich, foi criado um campo de concentração para prisioneiros políticos, na cidade de Dachau, nas cercanias de Munique. Este campo serviu de modelo para os demais campos de concentração que viriam a existir. Era conhecido como uma “escola de violência” para as forças das SS, abreviatura de Schutzstaffel (ou Tropa de Proteção, em português), tropa altamente disciplinada, com homens racialmente selecionados, e que tinha como valor principal a lealdade ao Führer e ao partido nazista. Em Dachau realmente funcionou o campo de instrução das SS, adjacente ao Campo de Concentração de prisioneiros.
Em mais de vinte anos de existência, mais de 200 mil pessoas foram aprisionadas no Campo de Concentração de Dachau, com mais de 41 mil mortos, sendo libertado pelas tropas americanas em 29 de abril de 1945. Dentre os mortos estavam, além de prisioneiros políticos, prisioneiros de guerra soviéticos, fuzilados no campo, Testemunhas de Jeová, homossexuais, imigrantes e judeus poloneses e de outros países ocupados da Europa.
Dos 39 barracões de madeira, um ainda está de pé, com sua estrutura interna preservada. Então você vê as camas de madeiras onde os prisioneiros se amontoavam. Os banheiros, os corredores. O memorial teve o cuidado de retratar a evolução dessa arquitetura interna, então é possível ver como a dignidade, se é que havia alguma em qualquer tempo, ia ficando cada vez menor com o passar dos anos e com o aumento do número de prisioneiros.
O memorial foi criado em 1965, por iniciativa dos sobreviventes do campo e com o apoio financeiro do estado da Bavária. Não há uma riqueza de detalhes como as instalações de Auschwitz, onde se preservou boa parte das construções e objetos do holocausto.
Não são só as imagens de gente morta empilhada, de gente mal nutrida e desesperada, experimentando o inferno na terra debaixo dos coturnos nazistas. Não é exatamente o filme triste que eles exibem por lá. Isso tudo choca a gente. Mas, de algum modo, já vimos, sabemos e sentimos. A minha revolta crescente em Dachau foi verificar, in loco, a grande eficiência com que tudo aquilo foi realizado. O pensamento industrial, o senso de organização, a eficiência de planejamento e de implementação, a frieza laboratorial com que todo aquele terror de fato foi levado a cabo.
Como Chegar:
Dachau fica nos subúrbios de Munique, numa viagem de 25 minutos de trem, linha S2. Ao chegar a estação de trem de Dachau é preciso apanhar um ônibus que pode ser o 724 ou o 726 para chegar até o Campo de Concentração de Dachau.
A visitação é livre mas recomendo alugar o áudio-guide que irá permitir ao visitante conhecer mais da história de Dachau. Funciona das 09:00hs às 17:00hs de terça a domingo. No mês de Dezembro o memorial fica fechado. Para maiores informações visite o site do Campo de Concentração da Dachau.