My dream is having all this map painted in red

Wednesday, 26 December 2007

Realizando um sonho



Ter a oportunidade de conhecer Londres algums décadas depois dos Beatles foi fascinante, a capital da Inglaterra vê suas ruas invadidas por visitantes do mundo inteiro e os londrinos se perguntam: Será possível que voltamos a entrar na moda? A resposta é: yes!
No final dos anos 60 e no início dos 70, Londres era o lugar para onde todo mundo queria ir. Era indispensável pisar o chão dos Beatles, respirar a atmosfera psicodélica da cidade e fazer compras em Piccadilly Circus. Era preciso ter a sensação, ultrajante e deliciosa, de ser abordado em Piccadilly Circus por um cabeludo de olhos injetados, os punks que tiveram o inicio do seu movimento em Londres. Era fundamental ir aos teatros West End para ver as montagens de musicais.
Depois passou. John Lennon morreu. As calças boca-de-sino caíram de moda. O West End continuou brilhando, porque, afinal, a cidade tinha milhões de habitantes cultos e nunca deixou de receber turistas. Mas já não era indispensável ir a Londres. Londres era apenas legal.
Tinha aqueles senões de sempre. A comida, argh! Quem gosta de torta de rins? Cerveja quente? Fica com a minha. Oh, God! Mas ainda assim era legal.
Tudo bem, cidades não são como peças, que entram e saem de cartaz. Ainda mais metrópoles. E Londres, ora, Londres nao perde a majestade :-). Foi capital do mundo. Sede do império onde o sol jamais se punha. Se Roma continua Roma e já não tem Júlio César há 2 mil anos, Londres não murchará só porque a rainha Victoria não reina mais ou porque as colônias se emanciparam.
Cidades como Londres vivem sempre no imaginário das pessoas. Mas de vez em quando perdem o brilho. Como se alguém tivesse esquecido de polir os metais ou de caiar as paredes, o que no caso é fundamental a Londres, já que a umidade de Londres é célebre, e não há de baixar só por causa de uma crise de identidade à-toa. Pintou um clima assim, de entressafra, na capital da Inglaterra pós-Beatles. Em suma, Londres continuava legal, mas o barato passou a ser Amsterdã, e a moçada foi toda para o outro lado do canal. Fora o casamento do século entre charles e Diana, parecia que não havia nada de especial rolando nas terras que um dia foram do mulherengo Henrique VIII.



Mas de uns anos para cá Londres voltou a ser fotografada por profissionais de várias nacionalidades. Seus velhos atrativos foram redescobertos. Os novos estão sendo criados. Não se vê tal concentração de mídia estrangeira desde que os Beatles anunciaram o seu fim! Basta ver o que está rolando na cidade. As ruelas de Covent Garden, por exemplo. O delicioso bairro vizinho ao centro nunca viveu tamanha efervescência. As ruas estão tomadas de jovens, os brechós e as galerias de arte vendem tudo o que expõem, as lojas e restaurantes são retratos bem-acabados do que há de mais contemporâneo. Sujeitos engravatados, dividem o apertado espaço dos pubs com garotas fashion que não correspondem, nem de longe, aos estereótipos do passado.
Como a legião de punks de Camden Town, trespassados de alfinetes e piercings, eles também estão espantados com a súbita migração de punks do leste europeu.
Na troca da guarda em frente ao Palácio de Buckingham, é quase tão comum ouvir línguas eslavas quanto japonês (e olha que ninguém viaja tanto quanto eles!). Mas há americanos também. E latino-americanos. E brasileiros, of course. O mundo inteiro parece estar redescobrindo Londres, como se a cidade tivesse ficado fechada para reformas nas últimas décadas.



E o mais legal de tudo é que, apesar das mudanças, esse passado de lendas, reis, grandes personagens, grandes mistérios e grandes tragédias não está sendo arranhado pela revolução silenciosa que está transformando a cidade.
A capital inglesa é ilógica, assimétrica, muitas vezes incompreensível como o próprio raciocínio dos britânicos. Esse é um lugar onde paralelas podem se encontrar e transversais às vezes não se cruzam. Isso significa que é muito difícil se achar na cidade e os caminhos são sempre tortuosos. Um mapa na mão é indispensável para qualquer viajante, mas só o mapa não serve. É preciso ter atenção, porque as ruas mudam de nome, o Rio Tâmisa faz curvas que dificultam a compreensão dos visitantes. O metrô apesar de funcionar muito bem é confuso pois acredite o sistema possui mais de 200 estações, e isso significa que numa estação podem passar duas ou três linhas diferentes, o sistema métrico não decimal também ajuda na complicação (pés, jardas e milhas).
Longe de atrapalhar, essas excentricidades inglesas só valorizam uma viagem para cá. Até porque o cidadão inglês é um ótimo anfitrião e adora ajudar turistas a sair de enrascadas.
Tolerância é a palavra do momento em Londres, provavelmente é aí que reside a causa de Londres ter voltado à moda. Ao contrário de grande parte de seus vizinhos europeus, ou continentais, como preferem os ingleses, os britânicos de hoje demonstram uma inequívoca vocação para a tolerância. Os níveis de preconceito na Inglaterra são, indiscutivelmente, mais baixos do que os do resto da Europa. É cada vez mais evidente a mistureba racial da cidade. Como se seguissem uma operação articulada, os ex-colonizados da África, do Caribe e da Ásia enviaram seus filhos e netos para buscar o futuro na velha matriz. Quer dizer, hindus, paquistaneses, jamaicanos, africanos, australianos e, de quebra, um monte de latinos que nada tiveram a ver com a história, escolheram Londres para recomeçar suas vidas. A cidade virou um grande caldeirão cultural.



Essa diversidade foi o que mais me fez gostar de Londres, fiquei encantado com a cidade, parece que nasci para viver em Londres, encontrei o meu lugar no mundo e morar algum tempo na capital inglesa se tornou meu objetivo para o futuro, pois somente visita-la não foi suficiente, mas deixo uma última dica para quem ler este post e tiver a oportunidade de visitar Londres, é preciso ter em mente que quando se vai a Londres o clima não pode ser um entrave. Se você tiver a sorte de pegar dias de sol na capital inglesa, ótimo. Mas o normal, até porque a Inglaterra fica numa zona de encontro de sistemas climáticos opostos, é a chuva, a garoa e a fog (neblina). Se essa condição não atrapalha a vida dos ingleses, que por isso usam elegantes capas e sabem, como ninguém, aproveitar um chá da tarde, não é a sua vida que ela vai atrapalhar. Vá aos museus, use o tube (metrô), procure um pub e, em último caso, passeie na chuva e aprecie o encanto da cidade que é o centro do mundo.

Post a Comment