My dream is having all this map painted in red

Tuesday, 24 March 2009

Lições da minha viagem ao Marrocos

 

Nunca se volta a mesma pessoa depois de uma viagem, acredite, sempre que saio de casa com a minha mochila nas costas e bato a porta eu já começo a pensar. Quantas pessoas novas irei conhecer? Quantas lições tirarei do lugar visitado? O que mudará em mim ao regressar? E sim, sempre volto diferente, sempre retorno melhor do que fui, com uma visão mais abrangente do mundo e das pessoas, mais tolerante. Todas estas sensações me causam um bem estar inexplicável e admito que sou um dependente dela, o ato de viajar foi a substância que experimentei a primeira vez e sem me avisarem me tornei dependente dela. Porque é que não me avisaram que viajar poderia ser tão perigoso? Já aceitei que terei que viver o resto dos meus dias com a necessidade quase incontrolável de viajar e manter meu corpo e espírito saciado com a sensação de me tornar uma pessoa melhor e mais consciente de si e do mundo onde vivemos.

 

Com tudo isso, a escolha do meu último destino não poderia ter sido mais acertada, o Marrocos há tanto para ensinar e eu tão ancioso por aprender. Ao visitar aquele país vi um povo sofrido e pobre, apesar de possuirem uma cultura tão diferente da brasileira é possível reconhecer milhares de semelhanças entre ambos estes povos, todos buscam uma vida melhor, todos buscam serem compreendidos, todos buscam a felicidade, mesmo que felicidade seja uma coisa totalmente distinta para cada um destes povos, ainda assim é felicidade. Ao andar pelo Marrocos e observar seu povo pude ver que é íncrivel como os pobres do mundo se parecem, somos todos iguais, de carne e osso, com medos, anseios e desejos.

 

Visitar o Marrocos me fez ver o lado humado do mundo árabe e que desde o 11 de Setembro foi-lhes tirado este direito. Esta viagem me fez ver coisas que meus olhos não conseguiam ver antes, vi a dignidade do povo árabe que tristemente lhes havia sido roubada por culpa de alguns poucos muçulmanos autoritários que ainda fazem uma interpretação dura e cheia de equívocos do livro sagrado, o corão.

 

 

Vi pelas ruas muitas mulheres vestidas com suas burcas que até então eram para mim corpos sem rostos a perambular, no entanto ao ter a oportunidade de conversar com algumas delas vi que atrás daquele manto que lhes cobre o rosto há mulheres que lutam pela vida, por seus filhos, por mais direitos e responsabilidades numa nação que aos poucos percebe que homens e mulheres devem possuir diretos iguais. Ainda há um longo caminho pela frente a ser percorrido mas as marroquinas de hoje estão abrindo caminho para as novas gerações que vêm por ai e que terão a difícil missão de conciliar tradição e modernidade num país como o Marrocos.

 

Vi e conversei também com marroquinas que nem sequer usam o véu, poderiam facilmente ser confundidas com ocidentais, mulheres que usam calças jeans, que trabalham e seguem uma carreira da qual têm muito orgulho e estão anciosas por mudanças, anciosas por um novo tempo.

 

Pude conhecer um país com uma natureza tão diversa, vi neve no topo do Atlas e pude conhecer a aridez do deserto do saara, um país que também possui terras férteis, um litoral maravilhoso, uma cultura rica, diferente de tudo o que tinha visto até hoje.

 

 

Nunca vou me esquecer das palmeiras do Marrocos, dos cheiros, dos sabores, da gratidão de um povo que irá a todo custo tentar puxar conversa contigo no trem, no ônibus, numa ânsia para saciar a curiosidade que possuem do mundo externo, um mundo onde geralmente eles não têm direito de entrar devido as duras restrições na concessão de vistos para que eles possam um dia ver com seus próprios olhos o que há além de suas fronteiras. Também não esquecerei dos marroquinos que gentilmente me convidaram a conhecer suas casas, suas famílias, seus filhos e que com grande generosidade ofereciam a mim, o visitante, o melhor que possuiam. E em troca queriam saber mais sobre o Brasil e o que um brasileiro fazia num país tão distante como o Marrocos.

 

Sempre dizia que estava ali para aprender com eles, e a resposta de um deles me chamou a atenção. Ele disse que eu não precisava aprender nada do que eles tinham para ensinar, que eu já era um pessoa estudada e que Alah tinha separado um bom destino para mim.

 

Tentei lhe convencer do contrário mas foi em vão. No entanto aquele humilde marroquino me fez pensar que por mais que eu tenha estudado, ao todo 16 anos passados dentro de escolas e universidades minhas melhores aulas tinham sido em mercados, museus, ruínas, festas populares, templos e a na própria natureza. Meus professores foram os milhares de indivíduos que cruzaram meu caminho e que, com generosidade e orgulho de sua terra, me contaram histórias e me ensinaram a entender melhor o que estava à minha frente.

 

Na minha opinião os grandes viajantes deveriam ser reconhecidos com um diploma especial. Porque não conceder mestrado ou doutorado àqueles que dedicaram tanto tempo e suor em suas andanças pelo mundo?
Ainda estou distante de merecer tal reconhecimento mas conheci muitos por aí que já o deviam possuir. No entanto tenho fé em Deus que ainda terei oportunidade de descobrir muita coisa neste mundo que ainda tanto têm a me mostrar.

 

Inshallah!!! (Se Deus quiser)

 

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