My dream is having all this map painted in red

Sunday, 22 March 2009

O Deserto do Saara

 

 

 

Ao chegarmos as portas do deserto, pegamos nossos camelos e os 14 viajantes foram divididos em duas  caravanas com 7 camelos cada e então saimos pelo Deserto do Saara numa viagem de camelo de três horas até a nossa tenda berbere a alguns quilometros dali onde iriamos passar a noite no meio do Deserto do Saara.

No caminho, um dos berberes que nos acompanhavam nesta viagem de camelo veio me contar que o camelo que eu montava se chamava “chocolat” devido ao seu pelo um pouco mais escuro, todos os camelos tinham nomes e pelo caminho estava extasiado com tamanha a beleza do deserto, não conseguia conter o sorriso em meus lábios e tamanha era a felicidade de estar ali, eu não conseguia acreditar, eu estava no Deserto do Saara.

Chegamos a nossa tenda já de noite, fazia tempo que não montava e minha bunda estava dolorida com as três horas  de viagem, o lombo do camelo não é tão confortável assim. Colocamos nossas mochilas num canto e fomos explorar em volta do nosso acampamento. Brincamos na areia, rimos, contamos histórias e celebramos a oportunidade de estar ali. Mais tarde nos foi preparado um jantar onde comemos a maneira berbere, ou seja, com as mãos, após o jantar era hora de um pouco de música e os 3 homens que tomavam conta da tenda trouxeram os tambores e começaram a tocar para o nosso grupo, tudo isso em volta de uma fogueira para espantar o frio do deserto e com o céu estrelado a nos fazer companhia.

 

 

 

 

Após a música era hora de dormir pois no dia seguinte todos queriamos acordar o mais cedo possível para vermos o nascer do sol no Deserto do Saara. Todos entraram para a tenda, eu não consegui, estava ainda extasiado com toda aquela beleza. Mesmo sabendo que corria o risco de ser picado por alguma cobra ou escorpião peguei o meu saco-de-dormir e subi até uma duna de areia e dormi ali, a olhar as estrelas que no deserto, sem nenhuma luz por perto pareciam ser maiores, era quase possível toca-las e a lua era de uma beleza brutal.

Uma outra coisa que me fascinava era o silêncio, acho que nunca havia estado num lugar tão silencioso assim, nada quebrava o silêncio da imensidão do deserto, naquela noite com a companhia das estrelas várias coisas passaram pelos meus pensamentos, lembranças do meu pai, meus medos, receios, sonhos e anseios, é incrível como o deserto nos faz pensar, nos mostra que somos mesmo um ínfimo grão de areia na imensidão deste mundo e assim, ali, no topo daquela duna, adormeci a pensar na minha vida.

 

 

 

Algumas horas depois acordei com o iniciar do dia, ainda não havia luz em abundância e o sol ainda não nos dava sinal de sua graça mas resolvi me livrar do saco-de-dormir e subir até uma outra duna um pouco mais alta para acompanhar todo o espetáculo do sol de camarote.

Descobri que não é nada fácil subir uma duna, a areia fofa é extremamente díficil de ser escalada, tive que fazer várias paradas pelo caminho até chegar ao topo da duna maior mas finalmente consegui. Ainda a respirar ofegante, tamanho o esforço para chegar ali, me sentei e fiquei a espera.

 

Minutos depois e ali estava ele, o Deserto do Saara iluminado. O sol nascia sobre os montes de areia, que se sucediam como as dobras de um imenso lençol. Ao fundo, a bola de fogo. Danem-se as pernas bambas e o vento gelado. Aquilo era o Saara. Aquele era o Marrocos.

Aquele nascer do sol era mais um dos momentos que marcariam minha vida para sempre, talvez o clímax da minha viagem pelo Marrocos, a sensação de liberdade que aquele momento me causava era magnífica, linda, singela e cheia de emoção.

Sem sombra de dúvida, nunca esquecerei aquele momento.

 

 

 

 

Post a Comment