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Tuesday, 5 October 2010

República Tcheca

Banderia da República Tcheca

Mais uma viagem, desta vez vou conhecer a República Tcheca, país que será o meu 18º da minha lista de países visitados. Tenho lido muito da história dos tchecos ultimamente e a cada novo paragrafo que leio mais interessado fico por este país e após tanta informação lida seria uma pena guardar isso tudo para mim e não partilhar com vocês um pouco da história deste povo.

Antes de começar tenho umas poucas palavras sobre como a história geralmente é contada na República Tcheca. Por décadas, sob domínio comunista e nos anos após a Revolução de Veludo, uma versão ortodoxa da história tem tendência a mostrar os tchecos como vítimas do seu próprio drama nacional. A história tcheca nesta visão é uma narrativa direta de uma nação pequenina lutando para se emergir sob adversários bem mais poderosos. Isto inclui a Igreja Católica em Roma, os Habsburgos em Viena, os Alemães em tempos mais recentes e por último os Russos.

Não que isso seja de todo falso, na verdade, há muita verdade nisso, os tchecos passaram por longos períodos de guerra e dureza, sofrendo com invasões estrangeiras que não foram de suas próprias escolhas. Os tchecos também sofreram muito sob ambos, repressão nazista e o comunismo soviético.

Mas essa visão conta somente parte da história, os tchecos sempre estiveram próximos ao centro de sua própria história, de boas e más maneiras, mais do que alguns de seus livros de história gostariam de acreditar. Assim como os comunistas não poderiam ter governado por tanto tempo sem o ativo comprometimento de alguns tchecos, também os alemães, austríacos, católicos e outros, também possuem sua parte de culpa.

Entretanto seria um erro caracterizar como de todo má as influências estrangeiras. Praga para seu próprio benefício sempre foi uma cidade cosmopolita, precisamos somente olhar para umas poucas peças arquitetônicas da cidade para ver isso. Partes da Catedral de São Vito foram desenhadas por uma alemão, muitas das estátuas da Ponte Carlos foram esculpidas por austríacos, a Catedral de São Nicolau em estilo barroco foi um trabalho de um pai e filho da região da Bavária e muito do restante também barroco foi construído por italianos. Quando decidiram pela renovação do Castelo de Praga nos anos 20 escolheram um esloveno como arquiteto e a lista poderia continuar…

Decidi separar os períodos históricos mais importantes na minha opinião da República Tcheca em blocos para facilitar o entendimento da história deste pequeno país que tem muito para contar ao mundo.

Império Romano:
É difícil imaginar que Praga alcançará novamente a posição que teve no século XIV quando se tornou sede real de todo o Império Romano sob o domínio do Rei Carlos IV.
O caminho de glória começou com o assassinato de Wenceslau III em 1306 que acabou por não deixar herdeiros homens para suceder ao trono. Então, João de Luxemburgo assumiu o trono tcheco ao casar-se com Elyska, filha de Wenceslau em 1310.

Império Austro-Húngaro:
Mais tarde no século XVI o país caiu sob influência dos Habsburgos e ficou sob domínio do império Austro-Húngaro sob as ordens do Imperador Rodolfo II que preferiu Praga a Viena e acabou por transferir o trono do império dos Habsburgos para Praga.

Primeira Guerra Mundial:
Com o fim da Primeira Guerra Mundial e com a vitória dos aliados o Império Austro-Húngaro estava muito fraco para lutar por suas terras e com isso tchecos e eslovacos se juntaram e decidiram criar um novo país chamado Tchecoslováquia que declarou sua independência com apoio dos aliados em 28 de outubro de 1918 sendo Praga a nova capital.

Segunda Guerra Mundial:
Em 1939 a Tchecoslováquia foi invadida pelo nazistas com o apoio de uma minoria alemã que vivia no sul do país, tal apoio veio mais tarde causar a dissolução da Tchecoslováquia. Neste período de ocupação nazista a população de judeus foi em grande parte dizimada.
Em 1945 o exército vermelho expulsou os alemães deixando a capital Praga livre para seus próprios cidadãos. Neste mesmo ano a Tchecoslováquia foi reconstituída como um estado independente e um dos seus primeiros atos foi expulsar os restantes alemães das suas fronteiras.
Por volta de 1947 algo em torno de 2,5 milhões de pessoas de etnia alemã foram destituídos da sua cidadania tchecoslovaca e de maneira forçada expulsos para a Alemanha e Áustria. Milhares morreram durante as marchas forçadas.
Apesar de um pedido de desculpas mútuo entre alemães e tchecos em 1997 pelos erros durante a guerra este ainda é um assunto que gera debates acalorados. Muitas pessoas de etnia alemã que foram expulsas dizem que a sua cidadania e terras foram tiradas de maneira ilegal. Muitos tchecos por outro lado permanecem convencidos que a minoria alemã perdeu qualquer direito quando apoiaram os nazistas alemães a tomar o país.

Dos nazistas para os comunistas:
Quando tudo parecia próximo de uma solução e com o fim da Segunda Guerra Mundial a relação entre os Estados Unidos e a União Soviética acabou por deteriorar-se.
Em fevereiro de 1948 com a benção de Stalin, os tchecoslovacos simpatizantes do comunismo declararam que se tornariam um estado sob organização e regras soviéticas. Tal fato mostrou-se um erro mais tarde levando o país a falência e trouxe uma onda de repressão.

Revolução de Veludo & Dissolução:
Em 1989 a Tchecoslováquia recuperou sua liberdade através da Revolução de Veludo que ganhou esse nome devido a sua natureza não violenta.
Quase imediatamente após a revolução, as divergências entre tchecos e eslovacos aumentaram. Os eslovacos se queixavam do domínio excessivo por parte dos tchecos e sonhavam em ter seu próprio país. Do lado tcheco a população ficou bastante dividida, alguns queriam que fosse mantida intacta a idéia de um único país chamado Tchecoslováquia outros estavam dispostos a deixar a economicamente fraca Eslováquia traçar seu próprio caminho.
Em 1993 de maneira pacífica decidiram pela separação em estados independentes criando assim a República Tcheca e a Eslováquia.

Pós Dissolução:
Seria impossível descrever em um pequeno parágrafo as mudanças que foram feitas nestes mais 20 anos após a Revolução de Veludo. A República Tcheca alcançou dois de seus objetivos que eram se juntar a NATO em 1999 e a União Europeia em 2004.
Em termos econômicos o país prosperou muito desde a revolução, tornando-se um importante destino turístico europeu. O desemprego é um dos mais baixos da Europa e a transformação de um regime comunista em capitalista apesar de algumas críticas aconteceu de forma pacífica.

Há muito mais para contar, aguardem os novos posts sobre este pequeno e ao mesmo tempo grande país que á República Tcheca.

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