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Tuesday, 11 December 2007

Fado



Algumas cidades do mundo se dão ao luxo de combinar perfeitamente com um ritmo musical próprio, um tipo de música que quando ouvido inevitavelmente tras lembranças da cidade em questão. Isso acontece com o Rio de Janeiro e a Bossa Nova, Buenos Aires e o Tango, Madrid e o Flamenco e com Lisboa não é diferente, Lisboa tem o Fado.
A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, destino. De origem obscura, terá surgido provavelmente na primeira metade do século XIX.
Uma explicação popular para a origem do fado remete para os cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia, tão comuns no Fado, teriam sido herdadas daqueles cantos.
Mais plausivelmente, a origem do fado parece despontar da imensa popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, e da síntese popular com outros géneros afins, como o Lundu, no então rico caldo de culturas presentes em Lisboa, tendo como resultado a extraordinária canção urbana conhecida como "fado".
Provavelmente começou nas tabernas e nos pátios dos bairros populares (Alfama, Castelo, Mouraria, Bairro Alto, Madragoa), sendo cantado e ouvido pelo povo, até que a fidalguia começou a frequentar aqueles locais para o ouvir. A primeira cantora de fado de que se tem conhecimento foi Maria Severa.
Os temas mais cantados no fado são a saudade, a nostalgia, o ciúme, as pequenas histórias do quotidiano dos bairros típicos. Eram os temas permitidos pela ditadura de Salazar aqui em Portugal, que permitia também o fado trágico, de ciúme e paixão resolvidos de forma violenta, com sangue e arrependimento. Letras que falassem de problemas sociais ou políticos eram reprimidas pela censura.
O fado moderno iniciou-se e teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela quem popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, José Carlos Ary dos Santos e outros. Também João Braga tem o seu nome na história da renovação do fado, pela qualidade dos poemas que canta, dos autores já citados e de Fernando Pessoa, e por ter sido o mentor de uma nova geração de fadistas.
O fado de Lisboa que é hoje conhecido mundialmente pode ser (e é muitas vezes) acompanhado por violino, violoncelo e até por orquestra, mas não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa.
Atualmente, muitos jovens, Maria Ana Bobone, Mariza, Joana Amendoeira, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Katia Guerreiro, Camané, Gonçalo Salgueiro, Diamantina, Cristina Branco, juntaram o seu nome aos dos consagrados ainda vivos e estão dando um fôlego incrível a esta canção urbana.
O fado dito ”típico” é hoje em dia cantado principalmente para turistas, nas "casas de fado" de Lisboa e com o acompanhamento tradicional. As melhores casas de fado encontram-se nos bairros típicos de Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa. Mantém as características dos primórdios, o cantar com tristeza e com sentimento, mágoas passadas e presentes. Mas também pode contar uma história divertida com ironia ou proporcionar um despique entre dois cantadores, muitas vezes improvisando os versos, tornando-se então, a desgarrada.
Vir a Lisboa e não ir a uma casa de fado seria uma lástima para qualquer viajante. Desse modo se vieres a Lisboa não deixe de ouvir este belo estilo musical.
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