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Sunday, 29 August 2010

Budapeste

Budapesste - Hungria

Budapeste é uma cidade monumental. E não apenas porque tem um monumento a cada esquina. Budapeste é monumental porque faz parte da seleta lista de cidades do Patrimônio Mundial da Humanidade. A cidade, que na verdade são duas (Buda de um lado e Peste do outro, com o Rio Danúbio caprichosamente unindo uma a outra), é uma sucessão de antigas construções históricas, algumas nem tão antigas assim mas muito bem reconstruídas, depois de mais de mil anos de uma história atribulada e cheia de ataques e destruições. No meio dessas construções, placas escritas numa língua difícil de entender tentam explicar os caminhos, que na verdade são só dois, ou as montanhas de Buda ou a planície de Peste. Juntas, elas formam a bela capital de um país que, em geral, só costuma ser vagamente lembrado pelos brasileiros em visita a Europa, mas que, uma vez descoberta, deixa boas lembranças para o resto da vida.

Budapeste - Hungria

O Rio Danúbio, azul como sugere o título de uma música não tem nada de azul, está definitivamente mais para verde, mas corre tranquilo como numa valsa marcando a geografia da capital da Hungria com Buda na sua margem direita e Peste na margem esquerda, o conjunto, conectado por nove pontes, forma uma cidade de arquitetura harmoniosa, barroca e principalmente art nouveau. A aparente sobriedade do país, que passou por inúmeras batalhas contra mongóis, turcos e austríacos e que, mais recentemente, deixou quatro décadas de regime comunista há pouco mais de 20 anos, em 1989, é desfeita após o primeiro passeio. Budapeste revela-se uma cidade muito romântica.

Budapeste - Hungria

Durante quase 40 anos, de 1919 a 1956, a Hungria foi um país comunista. Mas, ao contrário de seus camaradas, nunca foi lá muito alinhada com os desígnios de Moscou. Mesmo durante o auge do sistema, muitos moradores de Budapeste mantiveram seus próprios negócios, como se aquela história de socialismo não passasse disso mesmo, um simples detalhe da História. Até que um dia, o herói Imre Nagy se encheu e decidiu expulsar os russos do país. A retaliação foi sangrenta, morreram muitos, incluindo o próprio Nagy. Mas o país venceu, conquistou sua autonomia e hoje nem se lembra mais daquela época. Só os turistas é que ainda chegam esperando ver foices e martelos pelas ruas. E, para surpresa deles, encontram um país de muitos jovens e moderno.

Budapeste - Hungria

Além dos monumentos, prédios e história, Budapeste tem um atrativo a mais para os visitantes, é uma cidade barata. Em alguns casos, surpreendentemente em conta para uma capital da Europa, que sabidamente é o continente mais caro do mundo para viajar. Vitimada por um histórico de inflações e moeda enfraquecida, a Hungria ainda hoje mantém preços convidativos. No verão europeu, tudo fica um pouco mais caro. Mas nada que afugente os forasteiros. Só no ano passado, mais de 15 milhões de turistas (pouquíssimos do Brasil) visitaram o país. E adoraram.

Budapeste - Hungria

Dois milhões dos 10 milhões de húngaros vivem na capital. A maioria é católica, e não é para menos: a Hungria foi reconhecida como Estado quando Estevão foi coroado rei cristão sob os auspícios de Roma, numa noite de Natal do ano 1000. O rei depois virou santo, e a basílica que leva seu nome é uma das atrações de Peste.
Os húngaros são descendentes das tribos magiar, nômades que vieram do oeste da Sibéria por volta do século 9º. Mas muito do que se vê pelas ruas, o Parlamento, a bela igreja Matias, os bulevares, são da época do império austro-húngaro (1867-1918), uma monarquia dupla que surgiu graças à teimosa resistência dos húngaros e à falta de força dos austríacos de mantê-los sob controle na época. Foi nesse período, em 1873, que as vilas de Buda e Peste foram unificadas para formar a capital, e a Hungria floresceu culturalmente.

Budapeste - Hungria

A área do Castelo, no topo de uma das colinas as margens do Danúbio, defronte ao centro da capital húngara, é o epicentro do turismo em Budapeste. Mais do que um simples bairro, o Castelo (que de castelo mesmo não sobrou nada, depois de mais de 1000 anos de uma história turbulenta, envolvendo turcos, mongóis e muitas guerras) é uma microcidade, com ruas onde mal circulam automóveis e a maior concentração de monumentos do país. Ali estão o belo Palácio Real e a igualmente impressionante Igreja de São Matias, onde no passado foram coroados reis e rainhas. Em geral, quem chega a Budapeste começa suas explorações pelo Castelo. Até porque é do alto dele que se tem a melhor visão do Danúbio. E, em seguida, andando por suas ruelas junto ao povo, descobre que na capital húngara não são apenas as construções que são bonitas. Basta olhar para o lado e ver.
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