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Saturday, 6 November 2010

Viajar: Sozinho ou Acompanhado?

Viajar sozinho

Quando pensamos em viajar há um grande número de detalhes a preparar. Um destes detalhes é escolher um companheiro(a) de viagem. Para mim, esta escolha é fácil. Eu escolho a mim mesmo. Embora viajar com alguém possa ser muito divertido eu prefiro ir sozinho. Dessa maneira eu posso fazer tudo o que eu quiser, quando eu quiser e no ritmo que eu quiser. Quando eu chego no meu destino ao invés de consultar meu companheiro(a) de viagem sobre a lista de coisas que ele(a) quer fazer eu posso simplesmente pegar num mapa e explorar o lugar sem preocupações. É nisto que está a beleza em viajar sozinho, quando você está por si só você tem liberdade ilimitada para fazer o que quiser. E quando os planos mudarem, e acredite, eles vão mudar durante a viagem, as mudanças afetam a ti somente. Fácil. Esta liberdade é intoxicante mas ao mesmo tempo pode ser intimidadora para alguns.

Alguns me perguntam. Como você consegue ir sozinho numa viagem? Fácil. Eu recomendo uma mochila não muito pesada e um espírito de aventura. Claro, pode haver contratempos: E se eu me perder? E se eu perder minha bagagem? Ou pior, e se minha mochila for roubada? E se eu me meter em problemas? E se eu ficar entediado? Apesar das respostas as vezes não serem fáceis é sempre mais razoável ter bom senso e ter uma lista de contatos em caso de emergência sempre contigo. De maneira geral as regras para um viajante independente não são muito diferentes das regras daqueles que viajam acompanhados. Saber entrar em contato e se comunicar com a polícia local e com o seu consulado são princípios básicos. E mesmo que eles não possam te ajudar em tudo há sempre a possibilidade de ligar para sua casa através do Skype ou para aquele seu velho colega de faculdade que agora vive em Paris, alguém que você encontrou num café ou seja lá quem for, nunca se sabe quem será aquele que poderá te ajudar. Viaje de maneira inteligente, use sua cabeça e tudo ficará bem.

Viajar sozinho te forçará a se tornar introvertido e extrovertido. Você precisa estar confortável em estar sozinho consigo mesmo e quando você nâo mais quiser estar sozinho você deve colocar a sua simpatia e seu sorriso para funcionar e procurar companhia de pessoas locais ou outros viajantes. Os locais com certeza te darão as melhores sugestôes de lugares para ir e o que fazer e a maioria ficarão contentes em poder te ajudar e te guiar na direção correta caso você venha a se perder em Paris, Londres, Dublin, Budapeste ou qualquer outra cidade.

Fale sempre com outros viajantes. Se você estiver ficando em hostels isto é especialmente fácil. Sempre haverá alguém que descobriu um magnífico café atrás de uma tal igreja e vai ficar feliz em partilhar esta informação com outros viajantes como você, ou aqueles a procura de alguém para irem explorar a cidade juntos ou para saírem a noite ou simplesmente que esteja a procura de um novo amigo.

Sendo solteiro, razoavelmente comunicativo, relativamente ingênuo mesmo com quase 30 anos de idade eu já me aventurei mundo afora sozinho e para mim foi a melhor escolha. Viajar nos ensina coisas que nós não aprenderíamos de outra maneira, e o ato de viajar sozinho me ensinou coisas que eu tenho certeza que não as iria aprender caso estivesse viajando acompanhado. Para início de conversa aprendi que perder meu voo de Madri após uns copos a mais na noite interior apesar de ser incrivelmente inconveniente e estressante não é o fim do mundo, mas somente um rombo no meu orçamento de viagem. Eu fui capaz de negociar um novo bilhete e sozinho acabei por chegar ao meu destino final. Isto podia ter facilmente acontecido também caso eu estivesse viajando acompanhado mas como estava sozinho eu tive que resolver o problema sozinho. Também aprendi que posso confiar no meu discernimento de pessoas confiáveis. O rapaz inglês que me ajudou com a bagagem e me deu instruções de como chegar ao meu hostel em Londres, o senhor finlandês pai de duas lindas crianças que encontrei na fila do Torre Eiffel em Paris e que me ofereceu um croissant ou aquele casal de australianos que me chamaram para almoçar junto com eles e partilharam várias histórias comigo e muitas outras pessoas que cruzaram meu caminho e que fizeram minhas viagens mais especiais.

Nossas razões para viajar são tão variadas como os destinos que temos em mente mas uma coisa é certa, quando viajamos aprendemos. Nós aprendemos se estamos sozinhos ou acompanhados, mas eu pessoalmente acredito que as lições aprendidas durante minhas viagens foram melhor assimiladas quando as aprendi sozinho. Eu aprendi que na verdade podia comunicar em alemão mesmo sabendo somente umas poucas frases daquele idioma e que aquela comunicação foi realizada com gratidão e respeito. Eu aprendi que um velho casal espanhol irá abrir as portas da sua casa e me convidar para almoçar e fornecer mesmo que somente por alguns minutos um lugar quente num dia de inverno. Eu aprendi que conhecer pessoas e ouvir suas histórias é muitas vezes melhor do que fazer aquela piadinha com nosso companheiro(a) de viagem. Eu aprendi que possuo conhecimento e a confiança de perambular pelo mundo, conhecer suas gentes e explorar as suas maravilhas. E o mais importante, eu aprendi que estar sozinho não significa necessariamente estar só.

Viajar sozinho é encontrar as respostas que você estava a procura e descobrir as perguntas para todos os seus pensamentos sem fundamento. É o seu mundo. É a sua aventura.

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