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Sunday, 15 September 2013

Auschwitz - Birkenau

Auschwitz - Birkenau

Não se viaja somente para ver coisas bonitas, apreciar belas paisagens, conhecer novas culturas. As vezes, é preciso viajar para ver que a humanidade também é capaz de atrocidades, e é preciso ver coisas assim para que de maneira alguma permitamos que algo semelhante volte a acontecer nos nossos tempos. Visitar Auschwitz não é agradável, o lugar possui um ambiente pesado, hostil, melancólico, mas é sem dúvida um lugar que todos deveriam ter a oportunidade de visitar.

Auschwitz - Birkenau

Na entrada o portão com os dizeres Arbeit Macht Frei ('O Trabalho Liberta') em letras de ferro fundido soa irônico a quem adentra o antigo campo de concentração de Auschwitz I, palco do horror da Segunda Guerra (1939-1945), quando cerca de 1,5 milhão de poloneses foram exterminados pelos nazistas. A liberdade nada mais era do que a morte, atroz, indigna. Um passeio pelos alojamentos, rodeados por guaritas e cercas de arame farpado é deprimente, mas essencial para entender um dos episódios mais sombrios e repugnantes da história da humanidade. A câmara de gás, o crematório, o paredão, os pertences tirados dos prisioneiros, os trilhos do trem que os conduzia para a morte. Tudo continua ali, em Auschwitz e Birkenau, para reflexão dos visitantes.

Auschwitz - Birkenau

Auschwitz é o nome alemão para a cidade polonesa de Oswiecim, a cerca de 70 quilômetros a oeste de Cracóvia. Seu atribulado passado inclui batalhas sangrentas entre as potências da Europa Central e a Rússia, com as sortes indo e vindo entre este último, a Prússia e o Império Austro-Húngaro. Quase que imediatamente após a invasão nazista de 1939 a cidade passou a abrigar um campo de prisioneiros, sendo aumentado diversas vezes.

Auschwitz - Birkenau

Quando as edificações originais em alvenaria já não suportavam o volume de pessoas para lá enviadas, foi construído o campo II - Auschwitz-Birkenau, onde foram montadas dezenas de galpões de madeira onde judeus, ciganos, homossexuais e todos os inimigos do regime eram amontoados em condições precárias. Ali, aguardariam seu fim em câmaras de gás, definhariam de fome e exaustão ou, de alguma forma, sobreviveriam para contar suas terríveis memórias. Eles vinham de toda a Europa ocupada, em trens que aqui descarregavam sua 'carga'.

Auschwitz - Birkenau

Algumas salas deixam o visitante atordoado, como a sala dos cabelos, quilos e quilos de cabelos de pessoas amontoados, tranças de mulheres, cabelos loiros, ruivos, crespos, lisos que eram retirados das pessoas ao chegar ao campo de concentração para evitar pragas de piolhos. Em outra sala vê-se imensos sapatos, sapatos de homens, mulheres e de crianças. É impossível não se comover, todos aqueles sapatos, tranças, pertenciam a pessoas, cada uma daquelas tranças têm uma historia, cada um daqueles sapatos possuía um dono, todos mortos ali, naquele lugar que nunca deveria ter existido.

Auschwitz - Birkenau - Zyklon B

Entrar numa câmara de gás é uma experiência aterradora, um lugar escuro, inóspito, sufocante. Era solicitado que as pessoas se despissem com a desculpa de que iriam tomar banho, entravam naquela sala onde haviam chuveiros que não estavam ligados a nenhum sistema de fornecimento de água, em seguida as portas se fechavam, do teto abriam pequenos orifícios onde era então inserido o gás venenoso, criado a partir de uma substância chamada Zyklon B. Todas aquelas pessoas eram mortas em questão de minutos.

Auschwitz - Birkenau - Câmara de gás

Mas o horror não acaba aqui, os corpos eram retirados da câmara de gás e levados para fornos onde eram queimados. Uma verdadeira fábrica de exterminar pessoas. Dizem que a nuvem de fumaça dos fornos avançavam por quilômetros e o cheiro era insuportável.

Auschwitz - Birkenau

Listada como patrimônio da humanidade pela Unesco, Auschwitz certamente não é uma visita agradável, mas fundamental para que erros do passado não sejam repetidos.

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